Em uma demonstração contundente de capacidade multinacional, os Estados Unidos e a Colômbia conduziram, em abril, a Operação Tridente, com foco nas principais rotas de contrabando marítimo no Pacífico Oriental e reforçando uma mensagem clara: as redes narcoterroristas já não podem contar com as fronteiras marítimas para escapar da justiça. Coordenada pela Força-Tarefa Conjunta Interagencial Sul (JIATF-S) do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), que reúne uma parceria de 21 nações ao lado de diversas agências norte-americanas, a operação demonstrou como a ação integrada está sufocando as organizações criminosas transnacionais (TCOs) em toda a região, ao desmantelar sistematicamente suas redes.
O Pacífico Oriental continua sendo um dos principais corredores para o tráfico de cocaína e maconha da América do Sul em direção ao norte. Essas receitas ilícitas seguem financiando uma série de atividades desestabilizadoras, incluindo terrorismo, tráfico de armas, extorsão, tráfico de pessoas, sequestro e assassinatos. Para transportar essas cargas, os traficantes recorrem a táticas cada vez mais adaptáveis — lanchas velozes, embarcações discretas, semissubmersíveis e operações noturnas — explorando a vastidão do domínio marítimo para evitar a detecção, acreditando que a imensidão do oceano os protegerá. A Operação Tridente desmontou essa suposição.
Um dos elementos centrais desse sucesso é a capacidade da Missão Especial de Navios (SSM) da JIATF-S dos EUA. Operando a centenas de milhas da costa, a SSM funciona como uma “nave-mãe” posicionada avançadamente, ampliando o alcance operacional das forças das nações parceiras. Ao embarcar equipes da Marinha da Colômbia (Armada de Colombia) e interceptadores de alta velocidade, a SSM permite que as forças se posicionem em profundidade no ambiente marítimo e interceptem os traficantes antes que estes detectem a presença das forças de segurança.

Esse modelo de destacamento avançado provou sua eficácia por meio de sucessivas interdições. Em um dos casos, uma equipe da Marinha da Colômbia lançada a partir do SSM interceptou uma embarcação, apreendendo 3259 quilogramas de maconha e detendo três traficantes. Pouco depois, a mesma equipe perseguiu uma segunda embarcação, cuja tripulação tentou se livrar da carga durante a perseguição. As forças colombianas recuperaram 900 kg de cocaína e detiveram mais três indivíduos, incluindo um cidadão equatoriano — evidenciando a natureza transnacional dessas redes.
De acordo com um oficial colombiano autorizado a falar em nome da operação, a colaboração estreita com a JIATF-S contribui para eliminar as fontes de financiamento de entidades que buscam desestabilizar o Hemisfério Ocidental, exercendo “máxima pressão sobre todas as economias ilícitas que operam em nosso teatro de operações”.
Talvez o episódio mais emblemático da operação tenha ocorrido durante uma perseguição coordenada que atravessou três jurisdições nacionais. A sequência começou quando a Divisão de Operações Aéreas e Marítimas (AMO) da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA detectou uma embarcação de alta velocidade e manteve seu rastreamento. Em seguida, a Marinha colombiana lançou um interceptador de alta velocidade a partir do SSM e avançou para realizar a interceptação.
À medida que a pressão aumentava, os contrabandistas tentaram escapar cruzando para a zona econômica exclusiva do Panamá, acreditando que as fronteiras jurisdicionais interromperiam a perseguição. Estavam enganados. A operação fez uma transição perfeita quando as forças colombianas transferiram a perseguição para o Serviço Nacional Aeronaval (Servicio Nacional Aeronaval – SENAN) do Panamá, que mobilizou interceptadores apoiados por aeronaves de patrulha marítima.
Sob pressão contínua do SENAN, a tripulação começou a lançar ao mar sua carga ilícita. Posteriormente as forças panamenhas recuperaram posteriormente 49 fardos. Os contrabandistas seguiram então em águas da Costa Rica, apenas para serem recebidos por interceptadores da Guarda Costeira da Costa Rica (Servicio Nacional de Guardacostas). Após disparos de advertência obrigarem a embarcação a parar, a Guardacostas realizou a abordagem e assumiu o controle, concluindo a operação multinacional.
O esforço coordenado resultou na apreensão de 173 pacotes de cocaína e 1266 pacotes de maconha.
Em um detalhe inesperado, as equipes de abordagem também encontraram um gato clandestino a bordo da lancha rápida — um passageiro incomum em meio a uma operação multinacional complexa. Embora incidental, a descoberta ressaltou a natureza imprevisível das interceptações marítimas, nas quais, além de desmantelar operações de tráfico, as forças frequentemente se deparam com elementos imprevistos.
“O conceito SSM reescreve fundamentalmente as regras da missão antinarcóticos”, disse um porta-voz da JIATF-S do SOUTHCOM. “Não estamos mais apenas patrulhando o oceano; estamos caçando ativamente essas redes. Ao incorporar inteligência artificial e aprendizado de máquina em nosso fluxo de inteligência, conseguimos processar rapidamente milhões de pontos de dados marítimos para prever os movimentos dos cartéis e expor rotas ocultas. O SSM combina essa superioridade tecnológica preditiva com a autonomia em águas profundas dos recursos dos EUA e a expertise tática especializada de nossos parceiros colombianos. A Operação Tridente é uma prova dessa rede inescapável: vemos os narcoterroristas antes mesmo que saibam que estamos lá e os interceptamos antes que possam reagir.”
Esse sucesso no Pacífico Oriental não é uma vitória isolada, mas parte de uma campanha mais ampla e implacável liderada pela Colômbia para desmantelar redes ilícitas em todo o hemisfério. A estratégia Zeus da Força Aeroespacial Colombiana (FAC) — um esforço multinacional que envolve dezenas de países e agências das Américas e do Caribe — é um poderoso exemplo desse compromisso.

Desde 2019, a Operação Zeus vem produzindo resultados significativos em diferentes teatros de operações. Por exemplo, durante a Zeus Caribe, realizada em conjunto com a República Dominicana, as forças colombianas interceptaram embarcações de alta velocidade e apreenderam mais de 1600 kg de cocaína. Na Zeus América Central, recursos aéreos colombianos foram destacados para a Guatemala e Honduras com o objetivo de fortalecer as capacidades regionais de interdição. Já a Zeus Condor na América do Sul levou à apreensão de quase 700 quilos de cocaína e à imobilização de uma aeronave de traficantes em Belize.
Mas a estratégia Zeus da FAC é apenas um componente da estrutura integrada colombiana. A Marinha da Colômbia também desempenhou um papel central por meio da Operação Orion, lançada em 2018, que contribuiu para esforços sustentados de interdição marítima. Juntas, essas iniciativas formam a espinha dorsal do Escudo Aéreo e Marítimo da Colômbia — uma estrutura multinacional que atualmente reúne 42 nações das Américas, Europa, África e Oceania, além de 130 instituições e agências, incluindo 23 entidades do governo dos EUA.
A Operação Tridente e as operações em andamento no âmbito do Escudo Aéreo e Marítimo da Colômbia enviam uma mensagem inequívoca às redes narcoterroristas: Não há rotas seguras, não há refúgio no mar e nossa coalizão é implacável. Por meio da integração das capacidades de inteligência, aéreas e marítimas dos EUA com a expertise operacional de nações parceiras como a Colômbia, a JIATF-S e seus parceiros estão fechando sistematicamente as principais rotas de tráfico no Pacífico Oriental.


