Dezembro de 2025 será lembrado como um momento crucial na modernização das Forças Armadas Argentinas. Em apenas 48 horas, o país restaurou simultaneamente suas capacidades aéreas supersônicas e introduziu uma nova geração de veículos blindados em suas forças terrestres, o que representou uma mudança decisiva quanto à interoperabilidade padrão da OTAN e às doutrinas operacionais modernas.
A semana de marcos começou em 3 de dezembro na guarnição militar de Boulogne, Buenos Aires, onde o Exército Argentino recebeu oficialmente seus primeiros Veículos de Combate Blindados com Rodas Stryker 8×8. Esse impulso continuou em 5 de dezembro, com a chegada dos primeiros seis aviões de combate F-16 Fighting Falcon à Área de Material Rio IV, em Córdoba, seguida por uma cerimônia histórica de apresentação no dia seguinte, encerrando quase uma década de interrupção nas capacidades de interceptação supersônica da Argentina.
Essas aquisições, enquadradas em um processo integral de modernização do equipamento e treinamento das Forças Armadas, representam um marco sem precedentes na história militar do país.
O apoio e o financiamento dos Estados Unidos foram fundamentais para concretizar a incorporação desses avançados sistemas terrestres e aéreos. “A importância dessas aquisições para a Argentina é um passo importante para recuperar as capacidades das Forças Armadas”, afirmou Santiago Rivas, diretor da revista digital Pucará Defensa.
O F-16: Símbolo de uma Argentina em transformação
A chegada do primeiro lote de F-16, parte de um acordo com a Força Aérea Real da Dinamarca, para a aquisição de um total de 24 aeronaves, foi possível graças à aliança estratégica com os Estados Unidos. Para apoiar a aquisição, Washington forneceu US$ 40 milhões no âmbito do programa de Financiamento Militar Estrangeiro, programa destinado a reforçar a segurança e a cooperação na região.
“Essas aeronaves são um símbolo da Argentina que estamos construindo: um país que leva a sério a si mesmo e que pretende recuperar seu merecido protagonismo no concerto das nações”, declarou o presidente Javier Milei, durante a cerimônia de apresentação.
A logística necessária para levar os aviões à América do Sul foi uma lição magistral de cooperação internacional. Com o apoio dos aviões-tanque KC-135 Stratotankers da Força Aérea dos EUA, os aviões completaram uma viagem transcontinental com reabastecimento em voo, uma manobra sem precedentes na história da Argentina. Além das fuselagens, o pacote dos F-16 inclui um conjunto completo de sensores, armamento avançado e suporte para a manutenção de longo prazo.
“Essas novas aeronaves de caça multifuncionais representam um salto qualitativo na capacidade dissuasória e operacional”, indicou a Força Aérea Argentina. Rivas acrescentou que o F-16 não apenas devolve à Argentina a capacidade supersônica, mas também integra o país a uma rede global de mais de 20 países que operam esse caça, alinhando a nação aos padrões técnicos internacionais.

Stryker 8×8: Versatilidade e proteção para o Exército
Enquanto em 5 de dezembro as atenções se voltaram para os céus, as forças terrestres viveram sua própria revolução dois dias antes. A incorporação do Stryker 8×8 representa um grande avanço na proteção das tropas e na agilidade tática.
Com um valor de US$ 20 milhões para a fase inicial, o pacote Stryker inclui veículos, peças de reposição, capacitação e um sólido programa de suporte técnico. Os Estados Unidos fornecem suporte técnico, enquanto o treinamento especializado fica a cargo de General Dynamics Land Systems, fabricante do Stryker.
Rivas opinou que a chegada do Stryker “marca um passo fundamental na transformação do instrumento militar terrestre, dotando a força de meios mais ágeis, versáteis e adaptados a operações com proteção blindada e capacidades de fogo”.
Esses veículos não apenas fortalecem a capacidade da Argentina de participar de operações de paz, assistência humanitária e resposta a desastres, mas também melhoram a interoperabilidade com sistemas norte-americanos e de aliados, consolidando os laços bilaterais estratégicos.
Projetos futuros e cooperação internacional
No âmbito do processo de modernização em curso, o Exército está atualmente considerando a incorporação de helicópteros Black Hawk, após o cancelamento de uma licitação em janeiro de 2025, devido a restrições orçamentárias. Para o início de 2026, novas alternativas de financiamento estão sendo estudadas, para reativar esse projeto, conforme informou El Cronista Comercial.
Com o objetivo de aprofundar a cooperação, o General de Brigada Sergio Di Clemente, diretor de Aviação do Exército Argentino, visitou recentemente o Centro da Guarda Nacional da Geórgia, dentro do Programa de Associação Estatal com os Estados Unidos, conforme relatado por Zona Militar.
O embaixador dos EUA na Argentina, Peter Lamelas, destacou em diálogo com Infobae que “a modernização militar argentina é muito importante para os Estados Unidos, que estão dispostos a analisar tudo o que a Argentina quiser, para decidir como podemos ajudar”.
“O objetivo é cooperar com parceiros regionais, para manter a segurança e a estabilidade na América, bem como contrariar o avanço da China e da Rússia, que nos últimos anos adotaram uma política de vender ou doar material bélico na região”, concluiu Rivas. “Isso demonstra que os laços militares entre os Estados Unidos e a Argentina são sólidos e confiáveis.”


