Um acordo recentemente formalizado para o intercâmbio de informações de inteligência entre a Colômbia e o Brasil já está gerando resultados operacionais na Amazônia, à medida que ambos os países aprofundam sua coordenação contra o tráfico de drogas e a mineração ilegal ao longo de suas vias navegáveis compartilhadas.
A Colômbia e o Brasil formalizaram procedimentos para o intercâmbio de informações de inteligência por meio de um protocolo bilateral apoiado pelo Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC). O acordo baseia-se em anos de cooperação e visa fortalecer a resposta conjunta contra o crime organizado transnacional na região de tríplice fronteira.
“A cooperação entre a Marinha da Colômbia e a Polícia Federal do Brasil consolidou-se como um pilar fundamental da segurança amazônica, voltada para enfrentar ameaças comuns que transcendem fronteiras e desafiam permanentemente a capacidade dos Estados”, afirmou ao Diálogo a assessoria de imprensa da Marinha da Colômbia.
Embora o protocolo formalize essa aliança, as operações dos últimos meses indicam que a coordenação bilateral já está produzindo resultados tangíveis.
Entre os principais eixos dessa cooperação destacam-se o intercâmbio oportuno de informações de inteligência, a realização de operações coordenadas e simultâneas nas zonas de fronteira — particularmente nos rios da bacia amazônica —, bem como o apoio aos processos de judicialização e a participação em mecanismos regionais de segurança.
Em um desses casos — que marca um dos primeiros resultados operacionais após a formalização do protocolo de intercâmbio de informações de inteligência —, informações compartilhadas permitiram a interceptação de duas embarcações em fevereiro de 2026 no rio Solimões, perto de Manaus, que transportavam aproximadamente 4 toneladas de drogas, entre elas cocaína e maconha, além de armas de longo alcance e equipamentos de comunicação via satélite, segundo a Marinha da Colômbia. A operação foi executada de forma conjunta e coordenada, evidenciando como o intercâmbio de informações em tempo real permite agir com maior rapidez e eficácia em ambientes fluviais remotos.
Do intercâmbio de informações à ação conjunta
Além das interdições pontuais, a Colômbia e o Brasil ampliaram sua cooperação por meio de operações fluviais sincronizadas direcionadas contra redes criminosas que operam através das fronteiras.
“A sinergia institucional ocorre no Centro de Fusão de Informações da Amazônia […] onde se conta com a participação não apenas do Brasil, mas de outros países amazônicos como Equador e Peru, em um esforço multinacional e interinstitucional”, destacou a Marinha da Colômbia.
Durante a Operação Ágata Amazônia 2025, realizada em meados de 2025, forças brasileiras e colombianas realizaram ações coordenadas ao longo do rio Puré, uma via fluvial estratégica na fronteira. As ações, executadas simultaneamente em ambos os lados, envolveram aproximadamente 200 militares e permitiram a neutralização de múltiplas estruturas de mineração ilegal no lado colombiano. Essas estruturas haviam sido identificadas por meio de imagens de satélite do Centro Gestor e Operativo do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), com apoio da Força Aérea Brasileira, afetando operações que dependem da mobilidade transfronteiriça para escapar dos controles.
De forma semelhante, a Operação Fronteira Dourada, realizada em novembro de 2025, reuniu agências federais brasileiras em coordenação com suas contrapartes colombianas para combater a mineração ilegal na mesma região. A operação permitiu desmantelar inúmeras dragas e equipamentos associados, desferindo um golpe significativo nas redes de mineração ilegal de ouro.
Esses esforços refletem uma transição para ações coordenadas em ambos os lados das vias navegáveis compartilhadas, reduzindo a capacidade dos grupos criminosos de se aproveitar de lacunas jurisdicionais.
Uma arquitetura de inteligência em evolução
No centro dessa cooperação está um sistema em expansão de intercâmbio de informações de inteligência que permite a ambos os países monitorar atividades ilícitas e coordenar respostas em áreas amplas e complexas da Amazônia.
O Centro de Fusão de Informações da Amazônia da Colômbia desempenha um papel fundamental ao coletar e analisar dados sobre tráfico de drogas, mineração ilegal e outras ameaças. Essas informações são cada vez mais compartilhadas com as autoridades brasileiras, facilitando o planejamento conjunto e operações mais direcionadas.
O protocolo — assinado em 14 de janeiro de 2026 — formaliza essas trocas, ajudando a padronizar procedimentos e garantir a continuidade da coordenação bilateral. Mais do que iniciar a cooperação, o acordo fortalece um sistema já existente que vem gerando resultados operacionais.
Um desafio compartilhado em um ambiente complexo
A magnitude e a geografia da bacia amazônica continuam a apresentar desafios importantes para as forças de segurança. As regiões fronteiriças remotas — especialmente onde convergem Colômbia, Brasil e Peru — são frequentemente utilizadas por organizações criminosas para movimentar drogas, equipamentos e pessoal por meio de extensas redes fluviais.
A região tem se tornado cada vez mais disputada, com a presença de grupos dissidentes colombianos como a estrutura Carolina Ramírez, a expansão dos cultivos de coca no Peru e a crescente influência de organizações criminosas brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC), que vêm ampliando seu alcance ao longo de rotas fluviais estratégicas.
Nesse contexto, os esforços unilaterais têm se mostrado insuficientes, o que reforça a necessidade de abordagens coordenadas que transcendam as fronteiras nacionais. Em março de 2026, a Colômbia e o Brasil anunciaram novas medidas para fortalecer a cooperação em segurança na Amazônia, acordando ampliar a colaboração por meio de mecanismos de coordenação direta na fronteira e novas iniciativas conjuntas na região.
Dos acordos ao impacto
Em conjunto, as recentes apreensões, operações conjuntas e avanços institucionais apontam para uma tendência clara: a cooperação entre a Colômbia e o Brasil na Amazônia está cada vez mais estruturada, mais constante e mais eficaz.
Ao vincular o intercâmbio de inteligência a operações fluviais coordenadas, ambos os países começam a gerar impactos mensuráveis contra redes criminosas transnacionais, demonstrando que a cooperação sustentada é fundamental para enfrentar os desafios de segurança na região.


