Venezuela, refúgio de narcotraficantes mexicanos  

Venezuela, refúgio de narcotraficantes mexicanos  

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
maio 20, 2020

O Cartel de Sinaloa, uma organização criminosa mexicana dedicada ao narcotráfico, fortalece seu poder e sua base na Venezuela para traficar drogas, com o respaldo do regime de Nicolás Maduro.

O relatório Sinaloa: Um visitante que chegou para ficar na Venezuela, da InSight Crime, uma organização de investigação e jornalismo sem fins lucrativos, especializada em crime organizado na América Latina e no Caribe, narra como os membros do Cartel de Sinaloa vivem em San Felipe, município de Machiques de Perijá, no estado venezuelano de Zulia, uma das rotas mais disputadas, devido à sua fronteira com a Colômbia e sua saída para o Caribe. Os residentes asseguram à InSight Crime que a presença da organização é tão forte que agora o povoado é conhecido popularmente como “Sinaloa”.

O relatório diz que o cartel utiliza 400 pistas de aterrissagem ilegais, onde opera em combinação com a Força Aérea da Venezuela e o grupo narcotraficante Exército de Libertação Nacional, designado pelos EUA como organização terrorista, para intercambiar caixas com armas e dólares por carregamentos de drogas. Segundo a InSight Crime, os operadores de Sinaloa pagam cerca de US$ 60.000 por cada pouso ilegal.

“Desde o último período do regime de Chávez e durante todo o regime de Maduro, até o momento, a Venezuela se tornou um espaço seguro para a criminalidade, que armazena e transporta grandes quantidades de entorpecentes para os Estados Unidos, a Europa e a Ásia”, disse à Diálogo Armando Rodríguez Luna, diretor de projetos da ONG mexicana Coletivo de Análise da Segurança com Democracia. “O cartel financia algumas atividades do regime venezuelano em sua crise econômica dos últimos dois anos.”

“Maduro e seus comparsas foram acusados como narcotraficantes; eles se beneficiam enormemente do tráfico ilícito, que registrou um aumento de 50 por cento nessa atividade dentro e fora da Venezuela nos últimos anos”, disse em abril o Almirante de Esquadra da Marinha dos EUA Craig S. Faller, comandante do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM). No final de março, o Departamento de Justiça dos EUA acusou formalmente o regime da Venezuela por narcotráfico e outras atividades ilícitas.

“Os produtores agropecuários são os mais afetados por essa situação. Eles não podem se recusar a obedecer às decisões dos cartéis. Se eles não permitirem as ações criminosas, serão mortos”, diz o informativo independente venezuelano El Pitazo. “Esse fluxo contínuo de cocaína expõe a constantes ameaças os habitantes de San Felipe, um lugar-chave para a organização mexicana”, informou à Diálogo Yadira Gálvez, professora da Universidade Nacional Autônoma do México.

Em janeiro, o presidente da Colômbia Iván Duque declarou que o protagonismo do Cartel de Sinaloa é tão grande que contrata franco-atiradores e plantadores de minas antipessoais para evitar o trabalho de erradicação na Colômbia. “Esses criminosos não precisam mais de intermediários; eles mesmos fazem o trabalho com a ajuda de parceiros locais colombianos e venezuelanos”, concordam Gálvez e Rodríguez.

“O grupo criminoso cria uma dinâmica distinta na Venezuela, ao movimentar dólares e lavar dinheiro para Maduro”, disse Gálvez. “Esse ‘refúgio’ permite que o Cartel de Sinaloa melhore sua relação com seus parceiros colombianos para operar de perto no mercado.”

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