Nos últimos 18 anos, as forças de segurança panamenhas e seus homólogos norte-americanos têm se reunido no Panamá para compartilhar experiências e fortalecer suas habilidades operacionais em uma série de exercícios voltados para a segurança do Canal do Panamá. O exercício PANAMAX Alpha, realizado anualmente, é um modelo de cooperação internacional em segurança para essa hidrovia estratégica para o comércio global.
O PANAMAX Alpha também serve como uma fase preparatória para o exercício bienal e multinacional mais amplo, PANAMAX, patrocinado pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), no qual forças de nações parceiras de todas as Américas se reúnem para testar suas capacidades e fortalecer a interoperabilidade para a defesa do Canal do Panamá.
O PANAMAX Alpha não apenas ensaia respostas diante de possíveis vulnerabilidades, mas também refina uma série de protocolos, fortalece alianças e otimiza as capacidades operacionais das forças locais, para proteger um dos bens mais valiosos da região, declarou o Ministério da Segurança do Panamá em um comunicado.
“Com o apoio do Comando Sul dos EUA, desenvolvemos e fortalecemos um sistema de exercícios, complementados com capacitações no gerenciamento de situações de crise e inteligência, operações e materiais perigosos, entre outros”, disse à Diálogo Edilberto del Cid, coordenador geral do Centro Nacional de Coordenação de Crises (CNCC) do Panamá. “Isso nos permite avaliar a Força Pública, bem como as instituições de apoio. Podemos identificar os pontos fortes e fracos, comunicando-os aos níveis superiores, para melhorar a resposta interinstitucional coordenada para esses eventos.”
O CNCC é responsável pelo planejamento anual desse exercício, que é realizado em três fases, com o apoio de equipes do SOUTHCOM, membros da Guarda Nacional de Missouri – parceiro do Panamá no Programa de Parceria Estatal –, e instrutores do Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança (WHINSEC), entre outros. A fase zero, que teve início em meados de março e conhecida no Panamá como Exercício Mercurio, concentra-se na ajuda humanitária e no apoio a comunidades carentes. A primeira fase, que será realizada entre julho e agosto, enfatiza as operações de segurança nacional. A segunda fase é binacional, com a participação das forças dos EUA, e está planejada para setembro.

Durante as duas últimas fases, que consistem em eventos acadêmicos e exercícios ao vivo, os membros das forças participam de cinco conferências, 20 cursos de treinamento sobre conhecimentos, capacidades e destrezas, realizam sete simulações de um único treinamento e conduzem uma simulação que combina vários treinamentos.
O Exercício Mercurio, que está em andamento, inclui o destacamento das unidades da Força-Tarefa Conjunta Bravo (JTF-Bravo) do SOUTHCOM em várias missões de treinamento humanitário, entregando suprimentos às comunidades, e inclui a realização de dois Exercícios de Treinamento de Prontidão Médica (MEDRETE), oferecendo atendimento médico a centenas de pessoas em pequenas cidades da província de Colón.
“No planejamento do PANAMAX Alpha, preparam exercícios em que as melhores práticas são colocadas à prova, que as entidades participantes manejam e devem executar de acordo com os planos nos diferentes níveis de segurança”, acrescentou Del Cid. “O objetivo é validar os protocolos, planos e procedimentos estabelecidos, destacar as necessidades atuais, os recursos disponíveis e as lacunas legais, que possam limitar o desempenho das diferentes instituições. Trata-se de oferecer uma resposta abrangente e organizada aos diferentes eventos que possam surgir.”
O Canal do Panamá não é apenas uma via fluvial vital para o comércio global, é uma infraestrutura crítica que exige vigilância constante e coordenação impecável, enfatizou o Serviço Nacional Aeronaval (SENAN) do Panamá, em um comunicado. “Dessa forma, o PANAMAX Alpha treina os participantes para que atinjam um nível de preparação que lhes permita prevenir, mitigar e detectar, por meio de operações conjuntas combinadas, ameaças à segurança dessa área interoceânica.”
A evolução e especialização do exercício refletem o progresso contínuo da cooperação em segurança entre o Panamá e os Estados Unidos. Um marco importante ocorreu em 2013, quando o governo panamenho autorizou operações bilaterais simuladas, integrando a JTF-Bravo do SOUTHCOM para apoiar as operações de segurança da Força-Tarefa Alfa nacional durante todo o exercício, informou o Ministério da Segurança. Desde então, as forças binacionais vêm treinando anualmente, fortalecendo juntas sua capacidade de responder a cenários de ameaças, desde organizações extremistas violentas que tentam assumir o controle do canal, até vários incidentes em terra, como derramamentos de substâncias tóxicas.
“A trajetória estratégica do PANAMAX Alpha e a colaboração contínua entre o Panamá e o SOUTHCOM são testemunhos do compromisso compartilhado com a segurança e a estabilidade da região”, concluiu Del Cid. “As ameaças evoluem, enquanto essa aliança se fortalece para garantir que o Canal do Panamá permaneça seguro e operacional para o comércio global.”



