Maduro cede território a criminosos, narcotraficantes e terroristas

Maduro cede território a criminosos, narcotraficantes e terroristas

Por Ricardo Guanipa D’Erizans/Diálogo
agosto 02, 2021

A quadrilha criminosa de Carlos Luis Revete, conhecido como El Coquí, que opera no bairro popular Cota 905, de Caracas, localizado a 4,5 quilômetros do Palácio de Miraflores, desafiou o regime ao disparar com duas metralhadoras de guerra contra a residência onde se encontrava Nicolás Maduro, no dia 12 de junho de 2021, segundo o jornal ABC da Espanha.

Desde 2019, o Cota 905 é território impenetrável para os corpos policiais civis e militares da Venezuela, informa o jornal venezuelano El Nacional. El Coquí, que tem em seu poder um arsenal de guerra com milhares de munições de diferentes calibres, domina esse bairro onde vivem narcotraficantes, sequestradores, assassinos e matadores de aluguel, segundo o canal de televisão colombiano NTN24 e o jornal venezuelano El Pitazo.

Integrantes de uma unidade especial da Polícia Nacional entram em um veículo blindado para patrulhar uma das principais ruas do bairro Cota 905, após três dias de confrontos com supostos integrantes de uma quadrilha criminosa em Caracas, Venezuela, no dia 9 de julho de 2021. (Foto: Yuri Cortez/AFP)

“Um estudo está sendo realizado, não apenas pelas instituições de segurança […], para que esse grupo de pessoas abandonem sua atitude hostil que vêm mantendo na cidade de Caracas”, disse o comissário geral Douglas Rico, diretor do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminais, ao canal estatal de televisão VTV, da Venezuela, no dia 26 de abril.

No mesmo cenário do bairro Cota 905, existe a comunidade de Petare, em Caracas, considerado o bairro mais extenso e populoso da capital venezuelana, que está sob o domínio do grupo criminoso de Wuileisys Alexander Acevedo, conhecido como Wilexis. O bairro é controlado por pelo menos 200 criminosos fortemente armados, de acordo com o portal venezuelano telocuentotodo.com.

“Sem dúvida, os grupos criminosos que operam no Cota 905, ou a quadrilha que atua em Petare, são o resultado do fracasso do regime de Maduro em termos de segurança”, afirmou à Diálogo o 1º Tenente (R) venezuelano José Colina, exilado em Miami, que preside a organização Venezuelanos Perseguidos Políticos no Exílio. “Nem as instituições de segurança, as forças armadas e muito menos as autoridades civis podem entrar nesse território para tomar qualquer tipo de decisão sem o consentimento dos criminosos que dominam a região.”

A Comissão Delegada da Legítima Assembleia Nacional denunciou em um comunicado, no dia 13 de julho, a presença em território venezuelano de grupos criminosos colombianos dedicados ao narcotráfico, como o Clã do Golfo, Los Pelusos, Bloco Meta e Bloco Libertadores del Vichada, e afirmou que a ditadura perdeu o controle do território nacional, cedendo espaços a grupos criminosos para cometer impunemente atos ilícitos e delitivos no país.

“A oposição venezuelana liderada por Juan Guaidó denunciou [no dia 29 de junho] a presença de cerca de 1.500 membros da guerrilha colombiana Exército de Libertação Nacional em territórios indígenas do país”, declarou a El Nacional o deputado venezuelano Romel Guzamana. Além disso, foi reportada a presença de integrantes do Exército Popular de Libertação da Colômbia. “Esses grupos se concentram principalmente em economias ilegais, como o plantio de coca, o tráfico de combustíveis e cobranças de vacinas nos territórios fronteiriços”, acrescentou Guzamana.

Entre abril e maio, houve confrontos no estado de Apure entre dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e as forças armadas venezuelanas. “Oito militares da Venezuela morreram em confrontos com grupos irregulares na fronteira com a Colômbia, elevando para 16 o número de baixas desde que começaram esses combates em março”, informou no dia 28 de abril o portal alemão DW. No dia 4 de maio, cerca de 200 dissidentes das FARC assassinaram 15 militares venezuelanos, informa o jornal digital da Venezuela El Estímulo.

“Por fim, o regime publicou um obituário na página da internet do Ministério da Defesa, onde aparecem os nomes dos militares falecidos”, de acordo com um artigo de El Nacional.

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