Estratégia multinacional Orión: Pedra angular da luta contra o narcotráfico

A campanha naval Orión, liderada pela Colômbia, amplamente considerada uma das estratégias multinacionais mais eficazes do mundo para combater o tráfico de drogas, entrou em uma nova fase em 2025, com um alcance ampliado. Seus centros de investigação e operações agora trabalham continuamente durante todo o ano, para melhor apoiar os destacamentos periódicos.

 

Desde seu início em 2018, a campanha Orión se consolidou como uma estratégia fundamental na luta contra o narcotráfico e crimes relacionados. Embora suas operações e resultados tenham recebido ampla cobertura da mídia, esses sucessos dependem em grande parte do trabalho, muitas vezes invisível, dos seus centros de apoio. Esses centros investigam crimes, coordenam operações com os diversos órgãos nacionais, regionais e internacionais, que participam da campanha e coletam informações sobre organizações criminosas transnacionais, entre outras tarefas cruciais.

 

Para o Vice-Almirante Orlando Enrique Grisales Franceschi, chefe do Estado-Maior Naval de Operações da Marinha Nacional da Colômbia, o sucesso da estratégia Orión se deve ao intercâmbio de informações entre os países da região sobre atividades ilícitas no mar. “Cada país age com seus próprios meios, capacidades e, uma vez obtido o resultado, judicializa de acordo com suas normas”, disse à Diálogo o V Alte Grisales. “Isso nos permitiu reunir capacidades para combater um crime comum.”

 

Construção passo a passo

 

A Orión não surgiu da noite para o dia. Ao longo de seus sete anos de operações, a estratégia multinacional incorporou componentes acadêmicos, operacionais e de inteligência, com os quais busca enfrentar o narcotráfico e outros crimes conexos, com uma abordagem holística.

 

Esses componentes são o Centro Internacional de Investigação e Análise contra o Narcotráfico Marítimo (CMCON), o Centro de Coordenação Operacional Internacional (CCOPI), o Centro de Fusão de Inteligência (CENFU) e a Rede Judiciária Internacional (REJIO), todos atuando na Colômbia.

 

“Com base na inteligência dominante, no conhecimento acadêmico do impacto das economias criminosas, na coordenação das medidas de interdição e nos esforços para avançar nos processos judiciais contra as organizações criminosas, [a estratégia multinacional Orión] teve um impacto bem-sucedido no sistema criminal”, afirmou o V Alte Grisales.

 

Conhecer o inimigo

 

O CENFU, o mais antigo dos centros, anterior à Orión, foi criado em 2008 e é dirigido pelo quartel-general de Inteligência Naval da Marinha da Colômbia, que integra todos os órgãos com capacidade para contribuir para a criação de alertas de inteligência contra crimes transnacionais, que afetam a segurança das nações. Atualmente, começou a aplicar novas tecnologias de inteligência artificial para o processamento de informações.

 

“Quando evoluímos para funcionar os 365 dias do ano no CENFU, significa que ele habilita os canais de comunicação com suas instituições amigas, com seus parceiros estratégicos. Estamos compartilhando informações, sem importar que estejamos fora da janela operacional e, nesse período, compartilhamos informações de inteligência e meios em cenários mundiais”, disse o V Alte Grisales. “Qualquer evento do qual tenhamos conhecimento, que esteja em desenvolvimento, que passe pela nossa produção de inteligência, ou seja produto de análise, é entregue ao país que tem a capacidade de exercer a operação […]; não estamos apenas entregando informações todos os dias à JIATF [Força-Tarefa Conjunta Interagencial Sul], mas a todos os parceiros que fazem parte da estratégia multinacional.”

 

Em 2015, a Marinha da Colômbia estabeleceu o CMCON na Escola Naval de Cadetes Almirante Padilla, em Cartagena. Esse centro foi criado para estudar o fenômeno do narcotráfico por meio da investigação em áreas como a dinâmica do narcotráfico internacional, o impacto socioeconômico da criminalidade organizada marítima e os avanços tecnológicos para combatê-la. Esse esforço, que faz parte da estratégia Orión desde o início, contribuiu para compreender essas dinâmicas, informar melhor as estratégias judiciais e de aplicação da lei contra o narcotráfico e fornecer informações para o desenvolvimento de políticas públicas e estratégias de combate às drogas, cada vez mais com a colaboração dos aliados.

 

“[Para o CMCON], no cenário internacional, temos contatos com think tanks e centros de investigação e análise do Reino Unido, Portugal, Espanha, Suíça, França, Estados Unidos, Cingapura e Peru, para ampliar a capacidade regional e começar a olhar para o fenômeno de uma forma holística internacional”, comentou o V Alte Grisales. “Como resultado do crescimento da Estratégia Multinacional Orión, desde setembro de 2024, ampliou seu relacionamento internacional com a Universidade Católica do Peru e o Real Instituto de Serviços Unidos, RUSI, do Reino Unido.”

 

Juntamente com os oficiais colombianos, parceiros internacionais do Brasil, Equador, Guatemala, Honduras, México, Países Baixos, Panamá, Peru e República Dominicana estão destacados permanentemente em Cartagena, para ajudar a gerar esses produtos acadêmicos. “Com eles, estamos produzindo relatórios semanais”, explicou o V Alte Grisales. “Basicamente, compilamos resultados no mundo e os colocamos em um documento que sirva a todos nós, para entender qual é a dinâmica ou o modo de operar [das estruturas criminosas], seja no Índico, no Pacífico, no Atlântico, no Caribe, em todos os cenários.”

 

 

O CMCON também elabora documentos mensais e outros semestrais com o apoio de universidades e outros centros de investigação associados. Por exemplo, na Colômbia, trabalha com as universidades de Cartagena, Los Andes e Rosário; com a Academia Militar Nueva Granada, a Escola Superior de Guerra e o Observatório de Drogas do Ministério da Defesa.

 

Novos centros

 

A Marinha da Colômbia criou o CCOPI em 2023, na Escola Naval de Cadetes Almirante Padilla, para melhorar a cooperação interinstitucional e a resposta operacional ao crime transnacional. Integrado por pessoal colombiano e membros de 132 entidades de 65 países que participam da estratégia Orión, o CCOPI começou, em 2025, a funcionar durante todo o ano, ampliando seus canais de comunicação com as instituições associadas.

 

Isso representa uma mudança em relação ao seu funcionamento anterior, durante os períodos contínuos de 45 dias da Orión, passando para uma comunicação ininterrupta, por meio de plataformas cibernéticas seguras e coordenação presencial em Cartagena.

 

Todos esses esforços são complementados pela REJIO, também lançada em 2023. A iniciativa é uma plataforma informática disponível as 24 horas do dia, os 7 dias da semana, que permite aos promotores de 10 países (aos quais se juntarão em breve Espanha, Portugal e Reino Unido) aceder aos resultados operacionais registrados. Essa infraestrutura permite o intercâmbio de informações, como nomes, identificações e provas gráficas, o que permite aos promotores perseguir melhor os seus casos nacionais contra as estruturas criminosas transnacionais.

 

“Com REJIO, já começamos a identificar não apenas a estrutura que transporta a lancha, mas também a estrutura que recebe o contrabando e automaticamente monetiza esses recursos, além da estrutura que está acima dessas estruturas, em um nível tático, que está promovendo o negócio”, disse o V Alte Grisales.

 

Sem descanso

 

Por meio do estabelecimento e da melhoria contínua de seus centros especializados – o CMCON para investigação, o CCOPI para coordenação operacional, o CENFU para a fusão de inteligência e o REJIO para a criação de redes judiciais –, a campanha Orión demonstra ser uma estratégia abrangente e em constante evolução, para enfrentar os complexos desafios da criminalidade transnacional. Essa abordagem multifacetada, que agora funciona intensamente durante todo o ano, ressalta o compromisso dos países participantes de desarticular as atividades ilícitas e reforçar a segurança regional.

 

“Continuaremos navegando juntos, sem descanso, até derrotar as ameaças, conscientes de que, para alcançar esse objetivo, devemos manter a iniciativa, enfrentando com coragem os mares agitados e os ventos de furacões que, na forma de obstáculos, procuram diminuir nosso ímpeto”, declarou à imprensa o Almirante Juan Ricardo Rozo Obregón, comandante da Marinha da Colômbia.

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