Com uma carreira de quase três décadas na Força Aérea da República Dominicana e ampla experiência em operações conjuntas, inteligência e cooperação internacional, o Brigadeiro Piloto Jonás Reynoso Barrera, diretor executivo da Direção Nacional Antiterrorista (DNA), desempenhou funções fundamentais no fortalecimento das capacidades de defesa e segurança do país. Entre elas, destacam-se seu trabalho como oficial de ligação junto à Força-Tarefa Conjunta Interagencial Sul (JIATF Sul), a direção do Centro de Comando, Controle, Comunicações, Cibersegurança e Inteligência (C5I) das Forças Armadas e sua formação no Colégio Interamericano de Defesa, no George C. Marshall Center e na Universidade da Força Aérea dos EUA.
Durante a Conferência Espacial das Américas, realizada em abril de 2026 em Miami, o Brig Reynoso conversou com Diálogo sobre o fortalecimento das capacidades espaciais e de cibersegurança, o intercâmbio de informações com parceiros regionais e o papel da cooperação internacional no combate ao terrorismo e ao crime organizado transnacional.
Diálogo: O que representa para a República Dominicana participar da Conferência Espacial das Américas e como essa cooperação pode fortalecer a segurança nacional?
Brigadeiro Jonás Reynoso Barrera, da Força Aérea da República Dominicana, diretor executivo da Direção Nacional Antiterrorista: É um importante fórum hemisférico e está sendo uma experiência extraordinária. Isso nos permite avançar em um processo de colaboração com os Estados Unidos para integrar a República Dominicana a futuras capacidades e recursos espaciais. Para nós, este é o início de um caminho que outros países do hemisfério já percorreram e é fundamental porque o presidente da República, o senhor Luis Abinader Corona, e o ministro da Defesa, o General de Divisão Fernando Onofre, estabeleceram o desenvolvimento de capacidades espaciais como uma prioridade para a defesa e a segurança nacional. Aspiramos colaborar com o Comando Sul dos EUA(SOUTHCOM) e com as nações aliadas para compartilhar informações espaciais e de outros domínios.
Diálogo: Como as capacidades baseadas no espaço — como dados de satélite e monitoramento — podem fortalecer a capacidade da República Dominicana de detectar, rastrear e responder a ameaças transnacionais?
Brig Reynoso: Posso afirmar que, a partir do Centro de Comando, Controle e Cibersegurança das Forças Armadas, já temos utilizado imagens espaciais para analisar o crescimento demográfico, as mudanças no território e os fenômenos meteorológicos. Uma das prioridades do Centro de Comando, Controle e Cibersegurança é a segurança da fronteira. Para isso, temos empregado recursos espaciais disponíveis por meio de fontes abertas e serviços contratados. Se, em um futuro próximo, conseguirmos ampliar esse nível de colaboração, ela será uma ferramenta fundamental no combate contra o crime organizado transnacional, o terrorismo e outras ameaças que afetam nosso país. É uma capacidade essencial.
Diálogo: As ameaças cibernéticas estão atacando cada vez mais infraestruturas críticas na região. Na sua opinião, quais são os principais desafios para proteger esses sistemas e como a República Dominicana está fortalecendo sua resiliência?
Brig Reynoso: O Centro de Comando, Controle e Cibersegurança, que tenho a honra de dirigir, é o Centro Nacional de Cibersegurança, Ciberdefesa e Ciberataque para todas as Forças Armadas e os órgãos especializados de segurança nacional. O ministro da Defesa publicou uma estratégia nacional de cibersegurança que estabelece um plano de ação para continuar fortalecendo nossas capacidades. A República Dominicana enfrenta ataques cibernéticos constantemente e, graças a Deus, contamos com as ferramentas necessárias para responder. No entanto, é essencial continuar fortalecendo nossas capacidades porque, à medida que nos tornamos um país mais integrado regionalmente, mais atraente e com maior desenvolvimento socioeconômico, também estaremos mais expostos a esse tipo de ameaça.
Diálogo: A luta contra o terrorismo depende de informações oportunas e acionáveis. Como a República Dominicana está aprimorando a integração de informações entre agências e com parceiros internacionais para fortalecer a tomada de decisões e a resposta operacional?
Brig Reynoso: Quando se fala em intercâmbio de informações, tive a oportunidade de trabalhar como oficial de ligação na Força-Tarefa Conjunta Interagencial Sul (JIATF Sul) entre 2010 e 2012. Essa experiência me permitiu constatar que compartilhar inteligência e informações acionáveis é essencial para combater o terrorismo e o narcoterrorismo. A República Dominicana continua sendo um aliado sólido dos Estados Unidos, e essa troca de informações continua se fortalecendo. Hoje, ela envolve não apenas a instituição responsável pelo combate ao narcoterrorismo, mas também outros órgãos de coordenação e troca de informações, o que nos torna muito mais eficazes.
Dentro do Centro de Comando e Controle, o C5I, contamos com um departamento que mantém coordenação direta com a JIATF Sul e com o Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM). Essas informações acionáveis nos permitem responder com rapidez e eficácia, sem a necessidade de esperar por uma ordem para agir. Contamos com sensores que facilitam uma resposta muito eficaz e oportuna diante dessas ameaças.
Como você sabe, nossa localização geográfica no centro do Caribe continua sendo atraente para as organizações narcoterroristas. Continuamos sendo um país de trânsito para cargas provenientes da América do Sul por diversos meios. Embora as modalidades operacionais tenham evoluído ao longo dos anos, continuamos sendo um aliado eficaz na luta contra o narcoterrorismo.
Diálogo: O que permitiu e qual foi o fator-chave para que esse tipo de cooperação se fortalecesse?
Brig Reynoso: Acredito que um dos elementos mais importantes tenha sido o desenvolvimento das Forças Armadas Dominicanas nos últimos anos. Tivemos um crescimento muito significativo no desenvolvimento do fator humano, das capacidades tecnológicas, da qualidade dos serviços, do equipamento, das peças de reposição e do abastecimento. Todos esses pontos fortes nos permitem responder de maneira mais eficaz.
Se você observar a evolução dos últimos quatro anos em termos de investimento em defesa, segurança, processos e sistemas, verá que somos um aliado mais confiável, mais respeitável e mais eficaz. Isso nos permite coordenar de maneira mais eficaz não apenas a resposta ao narcoterrorismo, mas também a outras ameaças. Esse desenvolvimento é visível e permitiu mudanças muito importantes nos últimos anos.
Diálogo: A República Dominicana e os Estados Unidos também fortaleceram sua cooperação por meio da implementação do Sistema de Cooperação em Situação Integrada (CSII), que inclui monitoramento por radar e troca de dados. Como essa capacidade melhorou a consciência situacional e a resposta operacional diante de ameaças transnacionais?
Brig Reynoso: O sistema de cooperação e integração é um processo que já existe há muitos anos. Quando trabalhei na JIAFT Sul, ele era conhecido como Virtual Domain Awareness, e esse processo nos permitiu compreender a importância da troca oportuna de informações.
Essas ferramentas continuaram se expandindo. Há alguns anos, eram utilizadas apenas por um departamento; hoje, são empregadas pelo C5I, pela Marinha, pelo Exército, pela Força Aérea e por muitas outras organizações. A cooperação e a transparência são muito maiores. Quando um grupo de operadores detecta uma ameaça, ela não pode mais passar despercebida, pois fica visível para várias instituições. A entidade responsável deve responder, e sua atuação também é observada. Esse nível de transparência tem sido essencial para fortalecer a troca de informações.
Diálogo: Qual é a importância para a República Dominicana de se tornar um país emergente na região e se consolidar como líder em inovação, aplicação de tecnologia e investimento? O que isso representa para a República Dominicana e para sua população?
Brig Reynoso: Eu poderia resumir de uma forma muito simples: desenvolvimento socioeconômico, desenvolvimento institucional e crescimento do meu país. Esse crescimento também se traduz em crescimento regional.
Podemos observar a estratégia de inovação e desenvolvimento tecnológico das Forças Armadas impulsionada pelo ministro da Defesa; a estratégia de segurança cibernética; o fortalecimento dos se outras ações específicas e tangíveis que estão nos transformando em uma nação com um crescimento visível do ponto de vista socioeconômico. Isso é positivo. É disso que se trata: o fortalecimento das Forças Armadas se traduz no fortalecimento do país. Acho que esse é o propósito de todo Estado: impulsionar o crescimento e o desenvolvimento socioeconômico.
Diálogo: De olho no futuro, quais capacidades ou áreas de cooperação serão mais críticas para fortalecer a segurança, a cibersegurança e o uso eficaz de ferramentas espaciais na região?
Brig Reynoso: Acho que o espaço é a nova fronteira. É o novo desafio para nossas Forças Armadas e para nosso país, e faz parte da visão do ministro da Defesa, Tenente-General Fernando Onofre. Considero que é o próximo passo para continuarmos avançando, fortalecer nossa integração e seguir crescendo junto com nossos aliados na região.



