A cooperação entre Honduras e os Estados Unidos no combate às organizações criminosas transnacionais concentra-se cada vez mais na coordenação operacional, no intercâmbio de informações de inteligência e na segurança marítima, enquanto as autoridades enfrentam redes de tráfico de drogas em constante evolução na América Central.
Reuniões recentes e iniciativas conjuntas refletem um esforço regional mais amplo para fortalecer a luta contra o crime organizado, especialmente à medida que as rotas de tráfico, as estruturas criminosas e as economias ilícitas continuam se adaptando em todo o hemisfério.
Ampliando a coordenação bilateral
Em 13 de abril de 2026, Colleen A. Hoey, encarregada de negócios dos Estados Unidos em Honduras, e o procurador-geral Pablo Reyes definiram ações conjuntas contra redes criminosas transnacionais, incluindo o tráfico de drogas e crimes correlatos, informou o veículo hondurenho Contexto. As conversas se concentraram no fortalecimento da coordenação entre instituições responsáveis por investigações e cooperação em segurança.
A reunião ocorreu após discussões bilaterais mais amplas entre autoridades hondurenhas e americanas voltadas ao combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas e às gangues.
Esse tipo de aproximação reflete a crescente importância de manter uma coordenação contínua entre países aliados diante de ameaças criminosas cada vez mais transnacionais, que operam por meio de fronteiras, rotas marítimas e redes financeiras.
Dinâmicas criminosas em evolução
Honduras continua enfrentando importantes desafios de segurança relacionados ao tráfico de drogas e ao crime organizado. O especialista hondurenho em segurança Leonardo Pineda afirmou ao Diálogo que desafios em áreas como a legislação sobre lavagem de dinheiro e a corrupção institucional continuam gerando vulnerabilidades que podem ser exploradas pelas organizações criminosas.
Segundo autoridades hondurenhas, as estruturas de tráfico continuam se adaptando sob a pressão constante das forças de segurança. Veículos hondurenhos como La Tribuna e Noticias 24/7 informaram em maio que grupos criminosos vêm reestruturando operações e ajustando mecanismos de controle territorial em resposta a operações militares e policiais.
As autoridades hondurenhas também relataram um aumento nas operações de erradicação de coca nos últimos meses. Em 1º de maio, as Forças Armadas de Honduras anunciaram a destruição de duas plantações de coca no departamento de Atlántida, elevando o total para 25 o total de plantações eliminadas e para mais de 400 mil o número de arbustos erradicados em todo o país em 2026.
Ao mesmo tempo, organizações regionais de monitoramento alertaram para sinais crescentes de cultivo e processamento doméstico de coca em Honduras. Um relatório da InSight Crime de 2025 apontou um aumento nas plantações de coca e nos laboratórios de processamento, enquanto as apreensões de cocaína diminuíram significativamente, gerando preocupação com a crescente presença operacional das redes criminosas dentro do país.
Para as forças de segurança da região, esses acontecimentos demonstram como as organizações criminosas transnacionais continuam adaptando suas capacidades de produção local, rotas de tráfico e sistemas logísticos em resposta aos esforços das autoridades.
Operações direcionadas e coordenação regional
Em resposta ao aumento da atividade criminosa, as autoridades hondurenhas intensificaram as operações em municípios com altos níveis de violência e presença do crime organizado. De acordo com a Televisão Nacional de Honduras, as operações policiais passaram a incorporar mapas de criminalidade e estratégias de concentração geográfica para priorizar áreas de alto risco.
As autoridades indicaram que essas operações buscam melhorar o emprego de recursos policiais e militares, ao mesmo tempo em que fortalecem as ações contra a extorsão, o tráfico de drogas e a violência relacionada às gangues.
A coordenação regional também se tornou um componente cada vez mais importante dos esforços antidrogas. Em março, Honduras participou da Conferência das Américas contra os Cartéis na sede do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM), onde representantes de vários países discutiram o intercâmbio de inteligência, a coordenação operacional e abordagens regionais para combater ameaças transnacionais.
A conferência teve como foco o fortalecimento da cooperação contra o tráfico de drogas, o tráfico de armas e outras atividades criminosas transnacionais que afetam o hemisfério.
Cooperação em segurança marítima
A cooperação entre Honduras e os Estados Unidos também se expandiu no âmbito marítimo, particularmente à medida que as organizações de tráfico continuam utilizando rotas caribenhas e costeiras para movimentar cargas ilícitas.
Em 28 de abril, a Embaixada dos Estados Unidos em Tegucigalpa, por meio do Escritório de Assuntos Internacionais sobre Narcóticos e Aplicação da Lei (INL) do Departamento de Estado, entregou equipamentos especializados de comunicação via satélite à Força Naval de Honduras para apoiar os esforços de interdição marítima.
As autoridades destacaram que os equipamentos têm como objetivo fortalecer a capacidade da Força Naval de Honduras de detectar, monitorar e responder a atividades de tráfico de drogas em águas regionais.
Para os países da América Central e do Caribe, a cooperação marítima, a interoperabilidade das comunicações e o intercâmbio de inteligência continuam sendo componentes fundamentais dos esforços regionais para combater organizações criminosas transnacionais cada vez mais adaptáveis.



