Argentina organiza exercício PSI 2019 contra carregamentos perigosos

Argentina organiza exercício PSI 2019 contra carregamentos perigosos

Por Julieta Pelcastre / Diálogo
agosto 15, 2019

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Há uma informação de inteligência que garante que uma embarcação transportará uma grande quantidade de cianeto de hidrogênio para a Isla Roja e que a substância venenosa e inflamável está em frascos com etiquetas falsas. Existe o risco de que o composto possa ser utilizado em atividades terroristas. Depois de uma operação conjunta, especialistas militares e civis da Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Panamá e Paraguai conseguiram deter a embarcação com a matéria-prima, que poderia constituir um grande desafio para a segurança da América do Sul.

Esse exercício simulado baseado em um mapa imaginário foi o cenário do Exercício Teórico Multilateral de Contraproliferação 2019, no âmbito da Iniciativa de Segurança contra a Proliferação (PSI, em inglês). A operação regional localizava seis países identificados por nomes de cores na Isla Roja e foi projetada e organizada através de um trabalho combinado do Ministério da Defesa da Argentina com o Departamento de Defesa dos EUA, em Buenos Aires, de 11 a 13 de junho. O Brasil participou como observador.

A PSI inclui mais de 100 países para evitar o tráfico de armas de destruição em massa (WMD, em inglês), seus componentes e materiais relacionados. Com essa iniciativa, os Estados membros estabelecem a cooperação e desenvolvem ferramentas legais, diplomáticas, econômicas, terrestres e marítimas para combater os fluxos de WMD que ameaçam a segurança da comunidade internacional. A Argentina entrou na organização em 2005.

Durante o exercício, os representantes dos países convidados trabalharam na mesa de interdição marítima, exportação ilícita e de trânsito de matéria-prima para armas químicas, para combater sua proliferação, disse à Diálogo Hugo Armellino, diretor nacional do Gabinete da Controladoria de Materiais Sensíveis do Ministério da Defesa da Argentina.

“Os casos apresentados pelos Estados Unidos foram motivo de análise e uma oportunidade para compartilhar com outros países da região as experiências para se realizar uma interdição, desde a análise da origem da informação até a legislação e as autorizações que a ação requer”, disse à Diálogo o General de Brigada (R) do Exército Argentino Guilermo Sevilla, coordenador do exercício PSI 2019.

A comitiva dos Estados Unidos ofereceu também capacitação para juízes e agentes que combatem a lavagem de dinheiro, além de agentes de defesa, inteligência e forças de segurança, para enfrentarem em conjunto as ameaças e os riscos em comum. Qualquer país pode ser vulnerável a um carregamento de WMD. As armas de destruição em massa – nucleares, químicas e bacteriológicas – são projetadas para causar a maior destruição possível tanto a civis como a militares, informa a Organização das Nações Unidas (ONU).

“Existem materiais de uso duplo que, ao ficarem sob o controle de agentes não oficiais, grupos terroristas ou do crime organizado, constituem um sério risco para a sobrevivência da humanidade”, comentou o Gen Bda Sevilla. “As organizações terroristas utilizam as WMD em pequena escala para alcançar seus objetivos. Podem existir grupos criminosos que pratiquem extorsão contra um Estado, organização ou indivíduo com a ameaça da sua utilização, caso não aceitem suas condições”, acrescentou.

Military service members and civilians from Argentina, Chile, the United States, Colombia, Panama, Paraguay, and Brazil took part in multilateral Exercise PSI 2019, at the Argentine Ministry of Defense in Buenos Aires. (Photo: Argentine Ministry of Foreign Affairs and Worship)

O Conselho de Segurança da ONU diz que o terrorismo, que demonstra um interesse cada vez maior por esse tipo de armas, tenta praticar um dos pontos fundamentais de sua atividade: a disseminação do pânico. Diante desse cenário, a cooperação internacional é a base para se enfrentar o fenômeno e garantir a estabilidade internacional.

A capacidade para interceptar carregamentos abrange um amplo leque de convênios, tratados e acordos multilaterais e bilaterais, bem como resoluções da ONU. “Essa é uma tarefa para cada país membro da PSI com controles produtivos, comerciais e financeiros, para impedir, ou pelo menos dificultar, a atuação dessas organizações”, disse o Gen Bda Sevilla.

Além de conhecer a magnitude da ameaça das WMD, a inovação dos grupos terroristas, a proliferação financeira, o funcionamento das forças armadas diante de um caso de carregamentos perigosos e de trabalhar com ferramentas concretas, os especialistas militares e civis decidiram otimizar os exercícios. Cada país permitiu que suas embarcações ou aeronaves fossem vistoriadas se houvesse a presunção de transporte de armas de destruição em massa.

Além disso, existe o compromisso para fortalecer o intercâmbio de dados sensíveis e o controle de suas exportações. “Em todos os casos é necessário que haja uma legislação para amparar as forças armadas e as de segurança, que devem atuar de acordo com o direito para cumprir sua função de interceptação, seja ela em um cenário terrestre, marítimo, fluvial ou aéreo”, concluiu o Gen Bda Sevilla.

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