Venezuela está entre os 20 países do mundo com maior risco de agravamento da fome entre sua população

Venezuela está entre os 20 países do mundo com maior risco de agravamento da fome entre sua população

Por Andréa Barretto/Diálogo
janeiro 06, 2021

Quase um terço da população venezuelana – cerca de 9,3 milhões de pessoas – enfrenta dificuldade de acesso a alimento, está malnutrida, ou passa fome. Essa situação de insegurança alimentar aguda corre sério risco de se tornar ainda pior. É o que alertam a Organização das Nações Unidas (ONU) para a Agricultura e a Alimentação (FAO, em inglês) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, no relatório Análise de Alerta Precoce de Focos de Insegurança Alimentar Aguda da FAO-PMA, divulgado em novembro de 2020.

“A crise macroeconômica, agravada pelos efeitos socioeconômicos das medidas relacionadas à pandemia de COVID-19, é particularmente preocupante para a Venezuela”, destaca o relatório, que prevê uma contração de 25 por cento no Produto Interno Bruto do país em 2020.

Um grupo de pessoas famintas recebe comida doada pela igreja do Pai Claret, na cidade de Maracaibo, Venezuela, no dia 14 de junho de 2019. (Foto: Humberto Matheus/NurPhoto/AFP)

Atualmente, 96 por cento da população venezuelana é pobre e 79 por cento desse total está em extrema pobreza. Esse cenário se compõe ainda por uma hiperinflação causada pela depreciação cambial, o que faz com que 1 dólar dos EUA custe mais de 1 milhão de bolívares. Tudo isso junto tem um drástico impacto na disponibilidade de alimentos e no poder de compra da população. Atualmente, um quilo de arroz custa o valor do salário mínimo inteiro de um cidadão venezuelano.

A preocupação é ainda mais alarmante em relação aos 5,5 milhões de venezuelanos que migraram do país nos últimos anos para nações vizinhas, principalmente Brasil, Colômbia, Equador e Peru. “Os migrantes venezuelanos estão entre os mais duramente atingidos, devido à sua dependência de empregos informais, à exclusão da vida social e à falta de redes de apoio”, afirma o estudo da ONU.

Perseguição a ações de caridade

Na contramão de uma postura de combate à fome, agentes do regime ilegítimo de Nicolás Maduro invadiram os escritórios e congelaram as contas bancárias da instituição de caridade Feed the Solidarity (Alimenta a Solidariedade). O ataque ocorreu no final de novembro, sob a acusação sem provas de que a organização atua com a finalidade de subverter politicamente os cidadãos.

A Feed the Solidarity faz parte do programa humanitário da ONU na Venezuela e tem sido apoiada financeiramente pela União Europeia. A instituição é responsável por gerir cozinhas solidárias e servir comida em várias regiões da Venezuela, alcançando 25.000 crianças, de acordo com o seu fundador, Roberto Patiño. Segundo entrevistas realizadas em uma reportagem do jornal New York Times, a refeição servida pela organização representa, frequentemente, a única oportunidade de alimentação do dia para as crianças.

A Embaixada dos EUA na Venezuela, agora conhecida como Unidade de Assuntos Venezuelanos, que opera fora da Embaixada dos EUA na Colômbia, chamou o ataque no Twitter de “um ato desprezível do regime”.

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