Regime da Venezuela enche seus bolsos com dinheiro do narcotráfico

Regime da Venezuela enche seus bolsos com dinheiro do narcotráfico

Por Julieta Pelcastre / Diálogo
abril 20, 2020

Há muitos anos a Venezuela reforçou o avanço do narcotráfico. O líder da ilegítima Assembleia Nacional Constituinte Diosdado Cabello Rondón desempenha um papel decisivo no processo, não apenas por ser o segundo homem mais poderoso do regime, mas porque dá proteção política e militar aos crimes de narcoterrorismo, alegou o Departamento de Justiça dos EUA.

No dia 26 de março, o promotor geral dos EUA William P. Barr anunciou a acusação de Nicolás Maduro e Diosdado Cabello (além de 13 outros funcionários venezuelanos de alto escalão) por facilitarem o narcotráfico na região. Os Estados Unidos oferecem US$ 10 milhões pela captura de Cabello.

“As acusações farão com que o regime fique entrincheirado e os que foram formalmente acusados terão seu destino permanentemente vinculado ao de Maduro”, declarou à BBC Mundo Geoff Ramsey, investigador do Gabinete de Washington para a América Latina, ONG que promove os direitos humanos. “Cabello, bem como Maduro, não sai da Venezuela desde que os Estados Unidos começaram a impor-lhes sanções, o que dificulta a sua captura.”

Além de denunciar que o regime está inundado de corrupção e criminalidade, a promotoria dos EUA disse que os acusados traíram o povo venezuelano e corromperam as instituições do país, ao encher os bolsos com dinheiro do narcotráfico.

Um relatório do jornal espanhol ABC indica que Cabello comanda uma cadeia de contrabando de drogas, minerais e combustíveis, da qual ele é o principal beneficiário. Através dessa estrutura, “Cabello arrecada cerca de meio milhão de dólares por mês, quantia que recebe em mãos, em um envelope, de cada um dos comandantes dos 24 estados venezuelanos”, garante o ABC.

“Essa é uma quantia que deveria ser multiplicada por três, pelo menos”, disse à Diálogo Daniel Pou, investigador associado da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais da República Dominicana. “Cabello não é apenas o czar do narcotráfico, mas também do tráfico de pessoas, armas e lavagem de dinheiro.”

Pou disse que Cabello é o homem que comanda todos os aparatos de inteligência, tanto militares quanto do setor civil. “Ele é um homem que, apesar de não ter comando direto sobre as Forças Armadas da Venezuela, colocou nelas todas as suas marcas.”

Em seu relatório de 2019, a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), que trabalha muito próxima à ONU, revelou que os grupos criminosos se infiltraram nas forças de segurança venezuelanas e criaram uma rede conhecida como o Cartel dos Sóis, que facilita a entrada e saída de drogas ilegais. “As Forças Armadas Bolivarianas controlam a economia do país”, afirma a JIFE.

O Departamento de Justiça dos EUA acredita que há 20 anos existe um conluio entre o Cartel dos Sóis, liderado por Maduro e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), para enviar toneladas de cocaína para os Estados Unidos. Além disso, Cabello participou pessoalmente da entrega de metralhadoras, munições e lança-foguetes às FARC, em uma base militar venezuelana.

“A Venezuela se transformou em uma grande organização criminosa estatal”, disse à Diálogo Jorge Serrano, professor do Centro de Altos Estudos Nacionais do Peru. “Além do Cartel dos Sóis, comandado há cinco anos por Cabello, há outras três organizações que fazem parte dos negócios obscuros do regime e dos militares da Venezuela.”

“Primeiramente, está a chamada Cúpula, articulada em uma perfeita e macabra divisão de trabalho, dirigida por Maduro com a assessoria cubana; depois, a Corporação Síria, liderada por Tareck El Aissami, um dos políticos mais próximos de Maduro, considerado pelos EUA como um dos 10 mais procurados líderes do narcotráfico; e, por fim, a Corporação Familiar Diosdado Cabello, os cúmplices mais leais da estrutura criminosa, que conhecem o funcionamento desse sistema porque estão no comando desde o início”, acrescentou Serrano.

Cabello é o mais perigoso de toda a associação. Ele fica com a fortuna de outros altos líderes e depois manda extraditá-los ou assassinar, informa o jornal independente Venezuela Libre.

“Quando essa ditadura for desmanchada e os imputados começarem a confessar, conheceremos as grandes fortunas que eles conseguiram juntar ao longo de 20 anos de ‘revolução’. Enquanto isso, Cabello e Maduro continuarão entrincheirados em sua própria casa, controlando a economia do país com a ajuda das forças militares”, concluiu Pou.

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