A Subcomissária Maritza Censión, do Serviço Nacional de Fronteiras (SENAFRONT) do Panamá, é uma pioneira em sua área. Como a mulher com mais tempo de serviço no SENAFRONT e oficial executiva da Terceira Brigada Leste do Panamá, ela traz décadas de experiência ao seu cargo. Este ano, a Subcomissária Censión alcança outro marco histórico, ao se tornar a primeira mulher a ocupar o cargo de chefe do exercício PANAMAX Alfa.
Diálogo teve a oportunidade de conversar com ela sobre essa importante realização, a natureza evolutiva do exercício PANAMAX Alfa e o papel crucial da cooperação internacional na proteção do Canal do Panamá.
Diálogo: O que significa ser a primeira mulher a dirigir um exercício como o PANAMAX Alfa?
Subcomissária Maritza Censión, do Serviço Nacional de Fronteiras do Panamá, chefe do PANAMAX Alfa 2025: Ser a primeira mulher a dirigir um exercício tão importante em nosso país como o PANAMAX Alfa é uma honra que assumo com muito orgulho. É uma responsabilidade que assumo com o compromisso, o conhecimento e as capacidades que adquiri ao longo da minha carreira, para a qual o SENAFRONT nos preparou.
É importante ressaltar que se trata de um avanço da integração feminina nos órgãos de segurança, dentro da força pública do nosso país, onde nós, mulheres, temos essa capacidade de poder estar em lugares e ocupar funções estratégicas. Esse exercício não é uma exceção, por isso é um orgulho estar aqui.
Diálogo: Quais são algumas das novidades desta iteração do exercício PANAMAX Alfa?
Subcomissária Censión: O exercício PANAMAX Alfa está focado na cooperação e na interoperabilidade entre as forças. O treinamento que nossas unidades realizam com as unidades dos Estados Unidos e as diferentes forças com as quais interagimos é importante, pois demonstra suas capacidades e habilidades. Essa interação nos permite praticar projetos e prepararmo-nos para uma possível ameaça às nossas infraestruturas do Canal do Panamá.
Diálogo: O primeiro exercício PANAMAX Alfa foi realizado em 2007. Como esse exercício evoluiu ao longo dos anos e por que continua sendo fundamental para as instituições de segurança do Panamá?
Subcomissária Censión: Este ano, o PANAMAX Alfa 2025 tem um enfoque mais integral, no qual, além das simulações realizadas com as diferentes equipes de trabalho e a Força-Tarefa Conjunta do Panamá e dos EUA, realizamos várias ações de capacitação, que incluem a ciberdefesa, que é importante para a segurança do Canal, bem como outros treinamentos no combate às ameaças comuns, como o narcotráfico, a criminalidade comum e outras aprendizagens que incluímos. É muito importante manter essa interação, baseada principalmente na colaboração e na coordenação, que nos leva a entendermo-nos e pôr em prática nossos procedimentos e processos para sermos mais eficazes diante de uma ameaça que afete a segurança do nosso Canal.
Diálogo: Como sua experiência com o SENAFRONT a ajudou a preparar-se para essa função?
Subcomissária Censión: Esse exercício representa uma série de qualidades e características que devemos reunir. No entanto, em meus 24 anos de serviço, o SENAFRONT me preparou em diferentes cenários para assumir essa responsabilidade.
Desde o início, trabalhei na parte operacional nas zonas fronteiriças do Panamá com Colômbia e Panamá com Costa Rica, onde nossa liderança é posta à prova, ao comandar unidades, trabalhar com elas, conviver com elas, o que me deu essa habilidade, essa confiança para conhecê-las e cooperar entre nós, para realizar diferentes tarefas em diferentes lugares.
Eu me capacitei em diferentes áreas, como logística e outros tipos de programas de mestrado, que nos ajudam a fortalecer esses conhecimentos, respaldados pela experiência que adquirimos na parte administrativa, onde nosso caráter é posto à prova, sob a pressão da tomada de decisões, para enfrentar problemas e resolvê-los em tempo hábil.
Todas essas experiências me serviram para preparar-me ao longo dos anos e aguardar a designação do nosso comandante, para poder desenvolver essa responsabilidade no PANAMAX Alfa 2025.
Esperamos que esse exercício seja um dos melhores e que abra muitas portas para nossas damas. Este é mais um exemplo para que vejam a possibilidade de realizar e comandar este tipo de exercício no momento certo.
Diálogo: Como, na sua opinião, um exercício como o PANAMAX Alfa aporta uma sensação de segurança aos cidadãos panamenhos e uma compreensão da importância da cooperação com os Estados Unidos, para proteger o Canal do Panamá e responder às ameaças?
Subcomissária Censión: O Canal do Panamá é uma via vital para o comércio global e a economia do nosso país. Por isso, nas forças panamenhas, nos preparamos todos os dias para enfrentar todos os desafios e ameaças às nossas infraestruturas. Por isso, os panamenhos devemos estar cientes de que já existe um grupo de pessoas preparadas para a defesa do nosso Canal.
Diálogo: O PANAMAX Alfa é realizado anualmente com o apoio do Comando Sul dos EUA. Como esse exercício contribui para fortalecer a cooperação e os laços de amizade entre as forças de segurança do Panamá e seus pares norte-americanos?
Subcomissária Censión: A interação com as demais forças internacionais é muito importante. Ela nos permite manter essa camaradagem, o respeito e a confiança mútua, onde a comunicação é vital. Manter a coordenação com diferentes países é vital. Acima de tudo, é uma ferramenta que nos ajuda a defender nosso Canal e também nos prepara para enfrentar qualquer crise que possa afetar as infraestruturas do nosso Canal.
Diálogo: Há algo mais que gostaria de acrescentar?
Subcomissária Censión: É importante destacar que toda essa iniciativa está alinhada com a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre Mulheres, Paz e Segurança, que promove, acima de tudo, a participação das mulheres em cargos estratégicos para a tomada de decisões. Somos um pilar fundamental para as organizações e, neste caso, o fato de o exercício PANAMAX Alfa ser comandado por uma mulher pela primeira vez é de grande importância para as panamenhas.


