Primeira mulher no comando de uma estação de guarda-costas na Colômbia

Primeira mulher no comando de uma estação de guarda-costas na Colômbia

Por Myriam Ortega / Diálogo
março 16, 2020

A Marinha Nacional da Colômbia tem 15 estações de guarda-costas encarregadas de deter o crime no mar, controlar a preservação do meio-ambiente e contribuir para as operações de busca e resgate, para garantir a segurança marítima em todo o território. Pela primeira vez na história da instituição naval colombiana, uma mulher lidera uma destas estações: a Capitão de Corveta Raquel Elena Romero Quintero.

Com 66 homens e 11 mulheres sob seu comando, a CC Romero lidera as operações da Estação de Guarda-Costas de Urabá, que abrange a região ao noroeste da Colômbia, na fronteira com o Panamá, conhecida como um corredor para o tráfico de drogas, migrantes, espécies da fauna e da flora e mercadorias.

A CC Romero é a primeira mulher a assumir a função de comandante de uma estação de guarda-costas da Marinha Nacional da Colômbia. (Foto: Estação de Guarda-Costas de Urabá)

“Esse fato [Urabá como corredor da criminalidade] faz com que a Estação de Guarda-Costas de Urabá seja muito operacional”, disse a oficial de 39 anos, que assumiu a função de comandante em janeiro de 2019. “São 9.600 quilômetros de mar e 430 km de costa, onde eu tenho o dever e a função de defender a constituição e a soberania, defender a vida no mar, exercer o controle em toda a jurisdição, bem como combater todos os atos ilícitos no mar.”

Em seu primeiro ano liderando a Estação de Guarda-Costas de Urabá, a CC Romero comandou a apreensão de mais de seis toneladas de cocaína, a captura de 17 criminosos e a detenção de sete embarcações envolvidas no narcotráfico, entre outras ações. Além disso, sua unidade resgatou 37 pessoas em perigo e 99 migrantes irregulares.

“É uma mulher que atinge seus objetivos, sem se importar com as dificuldades que possam surgir no desenvolvimento do seu trabalho e de suas operações”, disse o Capitão de Mar e Guerra Jorge Enrique Herrera, comandante de Guarda-Costas da Marinha Nacional da Colômbia. “Não é fácil para os homens obedecer às ordens de uma mulher em uma função operacional, mas ela conseguiu romper esses paradigmas e eles a tratam com muito respeito.”

Quando criança, a oficial queria ser professora e teve a oportunidade de realizar seu sonho, trabalhando como decana da Faculdade de Ciências Navais da Escola Naval de Cadetes Almirante Padilla e instrutora da Escola Militar de Aviação Marco Fidel Suárez, da Força Aérea Colombiana. Outras de suas funções de destaque foram a de chefe do Departamento de Logística do navio ARC Cartagena de Indias e chefe de operações do navio ARC Providencia.

A função atual da oficial também não é seu primeiro marco: a CC Romero fez parte da primeira promoção de mulheres do Corpo Executivo, formado por aqueles que foram treinados para exercer o comando e a condução de operações navais, funções anteriormente reservadas aos homens.

“[No ano 2000], quando nós entramos, soubemos que poderíamos ser comandantes, navegar e comandar navios”, disse a CC Romero. “Naquele momento, começamos a ver as coisas de uma perspectiva diferente e muitas de nós decidimos que queríamos chegar a ser comandantes. Eu me lembro disso como se fosse ontem. Eu pensei, quero ser comandante, quero colaborar com meu país.”

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