Nicarágua estabelece laços diplomáticos com talibã

A Nicarágua estabeleceu relações diplomáticas com o Emirado Islâmico do Afeganistão e nomeou um embaixador para fortalecer os laços com o regime talibã.

Michael René Campbell Hooker, atual embaixador da Nicarágua na China, assumirá a função adicional em seu escritório em Pequim, informou o regime no jornal oficial La Gaceta, em 27 de junho. O regime de Ortega-Murillo faz com que o país fique atrás apenas da China, em termos de laços com a oligarquia talibã, que assumiu o poder em agosto de 2021, destacou a mídia nicaraguense 100% Noticias.

“Essa decisão não é um caso isolado. A ditadura sandinista estabeleceu recentemente relações diplomáticas com outros regimes autoritários, como os de Uganda, Eritreia, Síria e Zimbábue”, disse à Diálogo, em 13 de agosto, Félix Maradiaga, presidente da Fundação para a Liberdade da Nicarágua e ex-candidato presidencial. “Todos esses países têm um denominador comum: controle centralizado do poder, limitação das liberdades individuais e políticas e críticas constantes por suas violações dos direitos humanos, incluindo a liberdade de expressão, de imprensa e de reunião.”

O que Maradiaga descreve é o cenário hostil vivido atualmente pela população afegã sob o autoritarismo do Talibã. “O Talibã tem demonstrado constantemente que não está disposto a fazer com que seus membros, que são suspeitos de serem responsáveis por crimes de direito internacional e outras violações graves dos direitos humanos, rendam conta de suas ações”, disse Anistia Internacional, em 10 de julho.

Outra nuance relevante é que o regime de Ortega-Murillo está isolado, tanto das nações democráticas ocidentais, quanto da comunidade internacional. Por isso, sua estratégia diplomática é estabelecer relações com nações asiáticas ou africanas governadas por regimes totalitários, explicou o veículo de mídia nicaraguense, Artículo 66.

“Devemos ser claros: essa aliança com o Talibã e outros regimes autoritários não apenas prejudica ainda mais a imagem internacional da Nicarágua em termos de direitos humanos e democracia, mas também representa um abandono total dos valores e do bem-estar da Nicarágua”, acrescentou Maradiaga. “Os Ortega-Murillo estão dispostos a sacrificar os interesses dos nicaraguenses para se perpetuar no poder e desafiar o Ocidente.”

Ao contrário da Nicarágua, a maioria das missões diplomáticas se retirou do Afeganistão em 2021, com a saída das tropas internacionais. Por sua vez, os talibãs invalidaram e desautorizaram as sedes consulares ainda administradas pela equipe que o governo anterior havia contratado. Isso é um sinal do seu esforço para assumir o controle, informou, em 30 de julho, a Voz da América.

O subsecretário de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA, Brian A. Nichols, considerou que “o estabelecimento de relações diplomáticas entre a Nicarágua e o Afeganistão é típico, mas lamentável”, quando consultado após deixar o 14º Fórum do Setor Privado das Américas, realizado no âmbito da 54ª Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), de acordo com o think tank centro-americano Expediente Abierto.

Alguns especialistas em política externa consideram que essa relação diplomática levanta alertas de segurança na região, já que a Nicarágua está abrindo suas portas para um regime classificado internacionalmente como terrorista, de acordo com a mídia nicaraguense Despacho 505.

“A Nicarágua é agora um candidato em potencial a sanções vinculadas ao terrorismo. O Afeganistão é governado por uma tirania terrorista”, disse Arturo McFields Yescas, ex-embaixador da Nicarágua na OEA, ao jornal mexicano El Economista. “Os Estados Unidos determinaram que os talibãs são Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT), de acordo com a Ordem Executiva 13224. Toda a América Central deveria estar alarmada e não permanecer em silêncio.”

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