Militares do Equador e da Colômbia combatem tráfico de espécies em risco de extinção

Militares do Equador e da Colômbia combatem tráfico de espécies em risco de extinção

Por Julieta Pelcastre / Diálogo
setembro 03, 2019

O Equador e a Colômbia, que pertencem ao grupo de países com a maior biodiversidade do mundo, enfrentam diariamente uma dura luta contra o tráfico ilegal de animais destinados aos mercados internacionais, uma atividade lucrativa para o crime organizado.

“O comércio de animais protegidos é a terceira maior indústria ilegal da Colômbia depois do narcotráfico e do tráfico de pessoas. Aves exóticas, macacos, rãs, tartarugas e jiboias são procurados como animais de estimação, por sua carne, por seus atributos supostamente afrodisíacos, ou por sua pele”, informou The New York Times no dia 3 de maio de 2019. “Os crimes contra a flora e a fauna silvestres não apenas degradam nossos recursos naturais, mas também geram consequências através de fenômenos relacionados, como a violência, a lavagem de dinheiro e as fraudes”, declarou Jürgen Stock, secretário geral da Organização Internacional de Polícia Criminal (INTERPOL).

Somente em 2017, os funcionários colombianos e os grupos de preservação da vida selvagem resgataram mais de 23.000 animais das mãos dos traficantes, acrescentou o New York Times. “Em apenas seis meses de 2019, oficiais colombianos evitaram o tráfico, a comercialização e a exploração de mais de 3.000 exemplares da fauna e espécies em vias de extinção, disse à Diálogo o General de Exército Luis Fernando Navarro Jiménez, comandante geral das Forças Militares da Colômbia.

No Equador, o controle e a ação efetiva das Forças Armadas contra o tráfico ilegal da fauna ajudaram a golpear os grupos criminosos do território. No primeiro trimestre de 2019, as autoridades confiscaram mais de 6.730 exemplares da fauna silvestre, relatou o jornal El Tiempo.

Existem 1.252 espécies de vertebrados em alguma categoria sob ameaça no Equador, segundo o Ministério do Meio-Ambiente equatoriano (MAE, em espanhol). “Apesar das rigorosas leis internacionais, o Equador é utilizado como centro de recolhimento de animais silvestres”, disse à imprensa Pedro Gualoto, técnico da vida silvestre do MAE. Como parte de seu plano estratégico ambiental, o Equador e a Colômbia assinaram o Convênio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestre, que regula o gerenciamento dos animais selvagens.

O tráfico ilegal da fauna é um “negócio sanguinário” que movimenta US$ 20 bilhões por ano, uma cifra equiparável à que movimenta o tráfico de drogas e armas, informa o Fundo Mundial para a Natureza em sua página na internet. O comércio internacional de drogas movimenta cerca de US$ 340 bilhões anuais, garante o jornal digital argentino Infobae. A base de dados da União Internacional para a Conservação da Natureza, uma ONG sediada na França, coloca a Colômbia e o Equador entre os 10 países com mais espécies animais em risco de extinção no mundo.

A avaliação da segurança de fronteira das forças armadas do Equador e da Colômbia vem de longa data. Há muitos anos, as duas instituições trabalham juntas para enfrentar os crimes contra a biodiversidade, como o tráfico ilegal da flora e da fauna; a mineração ilegal que contamina os rios com mercúrio; o narcotráfico que gera o desmatamento; e a pesca ilegal no litoral do Pacífico; atividades que geram enormes lucros ao crime organizado.

Cientos de tortugas Taricaya fueron recuperadas por la Armada de Colombia, en su lucha contra los predadores de la fauna silvestre de la región. (Foto: ARC Armada Nacional de Colombia)

 

 

 

“Os traficantes utilizam as zonas de fronteira para evitar a perseguição das autoridades do Equador e da Colômbia, de acordo com sua conveniência. A diferença entre as jurisdições, o marco legal e as capacidades permitem que os grupos ilegais contem com zonas de fuga para evitar sua captura, a apreensão da sua mercadoria ilegal ou do dinheiro recolhido”, comentou o Gen Ex Navarro. “Dentro do modus operandi, as espécies são transportadas por portos fluviais à Colômbia ou ao exterior. Os criminosos utilizam documentos alterados ou falsificados, fazem registros subdimensionados de carregamentos de grandes dimensões para dar-lhes uma aparência de legalidade, ou se evadem ao controle aduaneiro.”

“É primordial que a informação de inteligência recolhida pelo setor de defesa sirva como um guia para as operações contra o tráfico ilegal de animais, para que as autoridades possam utilizar ferramentas de cooperação internacional, como a assistência legal mútua e investigações combinadas”, declarou à imprensa Jessica Graham, presidente da ONG JG Global Advisory, com sede em Washington, D.C.

Um exemplo dessa cooperação é a aliança entre os governos mundiais com a INTERPOL e a Organização Mundial de Aduanas, que realizaram a Operação Thunderball entre os dias 4 e 30 de junho. O exercício permitiu a realização de mais de 1.828 operações em 109 países e resultou no confisco de mais de 25.000 espécies em risco de extinção. As autoridades prenderam 582 suspeitos na operação combinada, garante a INTERPOL.

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