Guatemala enfrenta incêndios florestais provocados pelo narcotráfico

Guatemala enfrenta incêndios florestais provocados pelo narcotráfico

Por Gustavo Arias Retana/Diálogo
julho 17, 2020

Milhares de hectares de bosques são consumidos na Guatemala por incêndios florestais causados por grupos do crime organizado. Os incêndios se concentram no estado de Petén, na fronteira com Belize e México.

No dia 6 de julho, José Cal, historiador e pesquisador da Universidade de San Carlos, na Guatemala, explicou à Diálogo que o problema dos incêndios não é novo; ele aumentou porque existem na região várias rotas-chave do narcotráfico e os incêndios tentam abrir espaços para a construção de pistas de pouso clandestinas.

“Petén é um corredor transnacional comercial, é um corredor transnacional migratório e, por fim, se tornou um corredor transnacional de drogas (…); a Guatemala está conectada com o Caribe, com o Pacífico, com o norte, sendo então um país de passagem (…), necessário para esse trânsito da droga a partir da América do Sul, em direção a uma estação no México ou às estações do sul dos Estados Unidos”, disse Cal.

O Gabinete Coordenador Nacional para a Redução de Desastres da Guatemala informou na internet que até o dia 28 de maio foram registrados 1.257 incêndios que consumiram 8.942 hectares de florestas no estado de Petén. Durante a temporada 2018-2019, os incêndios florestais consumiram mais de 47.000 hectares de florestas do país, informou no dia 25 de abril o jornal digital guatemalteco Prensa Libre.

“As organizações de narcotraficantes colombianos e venezuelanos muitas vezes se associam aos cartéis mexicanos para efetuar importantes envios de cocaína”, disse ao Washington Post Michael Miller, porta-voz da Administração para o Controle de Drogas dos EUA, no dia 5 de julho. “Os grupos contrabandistas guatemaltecos controlam uma vasta gama de pistas de pouso clandestinas e podem ajustar ou redirecionar as aterrissagens de acordo com a necessidade.”

Para Cal é evidente que, além de queimar florestas para construir pistas, os narcotraficantes buscam com os incêndios expandir atividades como a pecuária, porque isso delimita territórios e, muitas vezes, disfarça as atividades criminosas.

“A pecuária permite o controle do território (…). Com a desculpa de que estão realizando essa atividade econômica, eles localizam os territórios-chave para estabelecer pistas provisórias, as quais podem ser utilizadas durante algum tempo, e isso tem relação com as queimadas das florestas. A princípio, diziam que eram somente as comunidades que estavam efetuando as queimadas, mas não; há um nítido interesse em abrir essas pistas porque se trata de uma rota rápida para passar a droga pelo Petén e daí fazê-la atravessar por via fluvial até a parte de Belize e até o sul do México”, concluiu Cal.

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