O Exército da Guatemala mobilizou 2.000 soldados para proteger sua fronteira com o México, devido à violência causada por grupos criminosos do narcotráfico, confirmou a agência de notícias EFE. O Ministério do Interior confirmou, em 20 de outubro, que as tropas estão destacadas nos municípios de Tacaná, Ixchiguán e Tajumulco, uma área conhecida como Triângulo da Papoula, que é fundamental para a produção de papoula, da qual é feita a heroína, explicou a revista centro-americana Estrategia y Negocios.
“Estamos realizando operações para reforçar e fortalecer a governança e a segurança em diferentes vilarejos no município de Tacaná, departamento de San Marcos, onde foram relatadas ameaças de possíveis grupos de narcotráfico vindas do território mexicano”, disse à Diálogo, em 27 de outubro, o Coronel de Infantaria DEM Rubén Tellez, diretor-geral do escritório de Imprensa do Ministério da Defesa da Guatemala. “Até o momento, são ações preventivas e contamos com unidades de Infantaria, Forças Especiais e Reconhecimento do Exército da Guatemala em veículos blindados. Além disso, a Força Aérea Guatemalteca está nos apoiando com o uso de drones, para fazer o reconhecimento da fronteira política internacional entre a Guatemala e o México.”
O destacamento dos militares guatemaltecos, que começou em 25 de setembro, é uma resposta imediata a um pedido de ajuda das autoridades do município de Tacaná, para reforçar a segurança diante dos confrontos armados entre os cartéis mexicanos de Sinaloa (CDS) e Jalisco Nueva Generación (CJNG), que estão causando mortes, obstrução de rotas e deslocamento dos habitantes do município vizinho de Mozintla, no estado de Chiapas, México, de acordo com o jornal guatemalteco Prensa Libre.
“Até o momento [em nosso território], não temos registro de confrontos nem de violência relacionados à luta entre o Cartel de Jalisco Nova Geração e o Cartel de Sinaloa”, disse o então ministro do Interior da Guatemala, David Napoleón Barrientos, ao jornal El Sol de México. “Mas, o risco para os vilarejos guatemaltecos é latente, porque em San Marcos há cultivo de papoula. É uma região importante e muito atraente para os cartéis mexicanos.”

Algumas cidades de Chiapas que fazem fronteira com a Guatemala são lugares estratégicos para o tráfico de drogas, pessoas e mercadorias. Esses territórios têm sido disputados pelo CDS e pelo CJNG há décadas. Mas, depois de anos de controle da área pelo grupo de Sinaloa, o CJNG conseguiu se firmar, informou a cadeia France 24. A rivalidade ainda está presente e o CDS continua a lutar para impor seu domínio.
“A intenção é oferecer a segurança que nossa população precisa, dadas as ameaças recebidas dos cartéis mexicanos que estão operando na área de Motozintla, Chiapas. A qualquer momento, eles podem entrar no território guatemalteco, para continuar ameaçando e intimidando nossa população”, explicou à Diálogo o Coronel de Infantaria DEM Alex Tuyuc, comandante da Primeira Brigada de Infantaria do Exército da Guatemala. “A intenção da Brigada é oferecer segurança e impedir qualquer ataque dos cartéis mexicanos em território guatemalteco.”
A operação militar é acompanhada por 1.000 agentes da Polícia Nacional Civil (PNC), informou a agência Europa Press. “Eles também estão em áreas estratégicas para a Guatemala, porque têm pontos cegos onde o tráfico de drogas, o contrabando e o tráfico de migrantes coincidem.”
“O Exército da Guatemala fornece segurança para que as unidades da PNC possam realizar suas ações sem qualquer inconveniente”, acrescentou o Cel Tellez.
“Denunciamos os assassinatos, sequestros, desaparecimentos, ameaças, assédio, extração de nossos bens naturais, perseguição e desapropriação de bens”, publicou a diocese de San Cristóbal de las Casas, do estado mexicano de Chiapas. “Os grupos criminosos se apoderaram de nosso território e nos encontramos em estado de sítio, sob psicose social com narco-bloqueios que usam a sociedade civil como barreira humana, obrigando-os a ficar e colocar em risco suas vidas e as de suas famílias.”
“Nas últimas 48 horas, mais de 700 operações individuais foram realizadas pelo Exército da Guatemala na fronteira”, afirmou o Cel Téllez. “O monitoramento por unidades militares e policiais de qualquer ameaça que possa passar de outros territórios para o território guatemalteco é contínuo.”
A Confederação Patronal da República Mexicana (COPARMEX) confirmou em uma declaração, em 10 de outubro, que todo o estado de Chiapas está enfrentando a violência e que as empresas estão sendo extorquidas. Eles acrescentaram que a economia local está sofrendo, o tráfego rodoviário é inseguro e, em algumas áreas, impossível. O resultado já está sendo sentido com danos econômicos em todos os setores, como fechamento de empresas e cortes de empregos.
A Secretaria da Defesa Nacional do México destacou 792 membros do Exército Mexicano, da Guarda Nacional, da Procuradoria Geral e da Polícia Estadual de Chiapas para a fronteira sul, informou o jornal El Universal, em 28 de setembro, para lidar com a situação “provocada por membros do crime organizado”.