Ex-general venezuelano acusado de tráfico de drogas se entrega aos EUA

Ex-general venezuelano acusado de tráfico de drogas se entrega aos EUA

Por AFP
abril 15, 2020

Um general de divisão reformado venezuelano, que era acusado pelos Estados Unidos de “narcoterrorismo” junto com Nicolás Maduro e outros funcionários, se entregou às autoridades dos EUA na Colômbia, informaram os promotores no dia 28 de março.

“O procurador-geral do país [Colômbia] soube que o Sr. Clíver Alcalá se rendeu às autoridades dos EUA”, declarou o promotor colombiano em um comunicado, acrescentando que não havia mandado de prisão quando ele se entregou.

Alcalá se apresentou no dia 27 de março aos colombianos que, por sua vez, o entregaram às autoridades dos EUA, informou o jornal colombiano El Tiempo.

O militar está entre os diversos funcionários e ex-funcionários do mais alto escalão do governo da Venezuela, junto com Maduro, indiciados por Washington no dia 26 de março por “narcoterrorismo”. Os Estados Unidos ofereceram uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que permitam a captura de Maduro.

Como parte do indiciamento do Departamento de Justiça dos EUA, havia uma recompensa de até US$ 10 milhões pela captura de Alcalá, que estava morando durante os últimos dois anos na cidade de Barranquilla, no norte da Colômbia.

Ele foi enviado a Nova York em um voo que obteve permissão especial para quebrar o confinamento total imposto pelo presidente da Colômbia Iván Duque, como parte das medidas para restringir a disseminação da pandemia do coronavírus, informou El Tiempo.

O ex-chefe de segurança da Venezuela Iván Simonovis, que foi recebido pelas autoridades dos EUA no ano passado depois de haver fugido da Venezuela, após 15 anos de detenção sob o regime esquerdista, disse à AFP que teria informações de que Alcalá estaria a caminho de Nova York ou já estaria lá.

“Família, estou me despedindo por um tempo. Estou assumindo as responsabilidades pelos meus atos com a verdade”, disse Alcalá, de 58 anos, em uma mensagem de vídeo publicada em seu perfil no Instagram, no dia 27 de março.

Junto com Maduro, 14 altos funcionários e ex-funcionários venezuelanos foram acusados de narcotráfico pelos EUA, entre eles Alcalá, que foi um colaborador próximo ao antecessor de Maduro, o falecido agitador socialista Hugo Chávez.

Alcalá se reformou em 2013, depois que Chávez faleceu em virtude de um câncer e Maduro assumiu o poder.

O ex-general de divisão se tornou opositor de Maduro e fugiu para a Colômbia, juntando-se às forças do presidente interino da Venezuela Juan Guaidó em seu desafio contra a autoridade do líder socialista.

Guaidó é reconhecido como líder da Venezuela pelos EUA e por mais de 50 outros países.

A série de indiciamentos contra as mais altas autoridades venezuelanas é a mais recente tentativa da administração do presidente Donald Trump para derrubar Maduro do poder.

Como Guaidó, representante da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino, os Estados Unidos consideram o governo de Maduro ilegítimo, devido à sua controversa reeleição em 2018, em um pleito amplamente considerado fraudulento.

Maduro contra-atacou Trump pelo indiciamento, considerando-o um homem “deplorável”, que “entrará para a história como o mais nocivo e mais irracional dos presidentes dos EUA”.

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