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Crise energética na China ameaça economias latino-americanas

Crise energética na China ameaça economias latino-americanas

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
novembro 08, 2021

A crescente crise de geração de energia elétrica na China, causada pela falta de carvão e uma alta demanda pós-pandemia de energia, forçou um racionamento de eletricidade em todo o país asiático, provocando o fechamento de indústrias e ameaçando inviabilizar o crescimento econômico chinês, um cenário adverso para a América Latina.

“Essa é a pior crise de eletricidade que a China já enfrentou em uma década”, informou a revista norte-americana Foreign Policy, no dia 7 de outubro de 2021. “A causa principal é que a China ainda depende em grande parte do carvão, responsável por 70 por cento da geração de energia do país.”

A crise se deve ao fato de que a China se concentrou, principalmente, na construção e na indústria pesada após a pandemia, o que provocou o aumento da demanda de carvão em 11 por cento na primeira metade de 2021, prossegue a Foreign Policy.

Mineradores trabalham na mina de cobre Kiara, em Antofagasta, Chile, no dia 22 de junho de 2021. O aumento do preço do cobre, alavancado pela demanda da China e seu plano “verde” de reativação pós-pandemia, revigorou a pequena mineração chilena, enquanto as grandes empresas operam a toda velocidade. (Foto: Gleen Arcos/AFP)

Como consequência, o colapso da bolha financeira “de uma das maiores construtoras da China [Evergrande] é visto como um sinal de advertência para alguns países da América Latina com economias ligadas à asiática”, informou o jornal espanhol El País, no dia 21 de setembro.

“A China se tornou um dos principais parceiros comerciais das economias latino-americanas e, se a economia chinesa estancar, seu ritmo de crescimento baixar ou o país enfrentar uma crise, isso impactará a América Latina”, disse a El País Luciano Rossano, estrategista de mercados do Banco Muzho do Brasil.

No Brasil, os impactos da crise chinesa foram sentidos pela agroindústria, devido aos altos preços dos fertilizantes e do glifosato, que são a base da agricultura brasileira e são comprados da China, explicou o portal BloombergLínea. O Brasil “é o principal exportador mundial de soja, açúcar e café e o segundo fornecedor de milho, e precisa comprar cerca de 80 por cento dos fertilizantes que são necessários”, informou.

No dia 7 de outubro, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro declarou que seu país enfrentará “problemas de abastecimento de alimentos em 2022, devido à crise energética que atravessa a China”, relatou o jornal brasileiro Folha.

O Chile exporta cobre para a China, o Brasil exporta minério de ferro e a Colômbia petróleo; as exportações de minerais peruanos para o país asiático, cobre entre outros, aumentaram 62 por cento nos primeiros meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2020, informou El País. “Isso torna as nações dependentes de uma economia que enfrenta problemas”, afirmou.

No dia 13 de outubro, o site World Energy Trade informou que o governo da China autorizou que as centrais de carvão cobrassem a eletricidade a preços de mercado a alguns de seus clientes, para alavancar a produção de carvão e administrar a eletricidade nas plantas industriais.

Além disso, ordenou que os mineradores de carvão aumentassem a produção, o que gera dúvidas quanto às promessas da China de fazer sua transição para a energia “verde” e reduzir suas emissões máximas de carvão para 2030, informou o jornal britânico Financial Times, no dia 10 de outubro.

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