Especialistas alertam sobre riscos da tecnologia 5G chinesa na Colômbia

A Colômbia iniciou a implantação de sua rede 5G e, com ela, surgiram temores sobre a falta de infraestrutura e legislação adequadas para enfrentar os desafios de segurança cibernética.

Especialistas na matéria alertam que o país precisa desenvolver capacidades que permitam uma adaptação adequada às complexidades dessas redes, mas principalmente para se proteger dos riscos associados à tecnologia fornecida por empresas chinesas.

“As leis chinesas criam uma estrutura em que as empresas, especialmente as de tecnologias críticas como as redes 5G, não podem se recusar a cooperar com o governo em atividades que potencialmente comprometem a privacidade e a segurança dos dados fora da China”, disse à Diálogo, em 25 de março, Carlos Augusto Chacón, diretor executivo do Instituto de Ciência Política Hernán Echavarría Olózaga (ICP), da Colômbia. “Isso representa um risco significativo para qualquer país que pretenda implementar a tecnologia 5G fornecida por empresas chinesas, pois essa tecnologia pode ser usada para facilitar atividades de espionagem ou interferência do governo chinês.”

Um relatório recente do ICP detalha algumas dessas regulamentações. Entre elas, estão a Lei de Inteligência do Estado (2017), que obriga as empresas chinesas a apoiar e cooperar com o trabalho de inteligência do Estado; a Lei de Segurança do Estado (2015), que impõe às organizações e aos cidadãos a responsabilidade de informar e cooperar com as autoridades do Estado em questões de segurança nacional; e a Lei das Empresas (2013), que estabelece a presença obrigatória de células do Partido Comunista Chinês (PCC) nas empresas, solidificando ainda mais o controle do PCC sobre as operações empresariais e reafirmando a falta de independência das empresas em relação ao governo e suas agendas.

“Um dos aspectos mais importantes a serem considerados no desenvolvimento da tecnologia 5G é que ela usa mais espectro de frequência, o que significa mais antenas e dispositivos conectados”, alertou a revista norte-americana Cyber War, em 1º de março. “Isso pode aumentar a exposição a interferências, espionagem e ataques cibernéticos, tanto de agentes mal-intencionados quanto de países rivais.”

A quinta geração de redes móveis, sem dúvida, também traz muitos benefícios, como mais rápidas velocidades de conexão e transmissão de dados, mas, ao mesmo tempo, levanta preocupações sérias e bem fundamentadas de que essas mesmas vantagens possam ser usadas por criminosos cibernéticos para roubar, fraudar ou espionar pessoas, informou a revista colombiana Semana, em 7 de março.

“O mais importante é que as pessoas tenham consciência e educação para poderem responder a esses riscos de segurança cibernética. A outra coisa é estar muito atentos ao manuseio dos dados. O principal objetivo da maioria dos ataques é conseguir fazer algum tipo de uso não autorizado ou roubo de dados privados ou, digamos, confidenciais”, disse Mauricio Arias Fernández, sócio de consultoria tecnológica da empresa de auditoria e consultoria jurídica PwC-Colômbia, ao veículo de mídia colombiano 360. “O importante é estar muito consciente de toda a segurança ao lidar com dados, desde meus diferentes dispositivos móveis e computadores, com cópias de backup de meus dados.”

O relatório X-Force Threat Intelligence Index 2024 da empresa IBM revelou que a Colômbia é o segundo país da América Latina com a maior incidência de ataques cibernéticos, chegando a 17 por cento. Esses ataques envolveram a substituição de identidades de usuários e a exploração de vulnerabilidades tecnológicas em computadores e programas públicos, informou o jornal colombiano El Universal, em 7 de março.

“No mundo em que a questão tem sido priorizada em diferentes jurisdições, é essencial [para a Colômbia] definir uma estrutura para a cooperação internacional com países terceiros e com a indústria, para participar ativamente de redes de especialistas internacionais em segurança em todas as questões relacionadas às tecnologias 5G, inteligência artificial e segurança cibernética”, acrescentou Chacón. “É necessário projetar e implementar programas de formação sobre segurança cibernética voltados para operadoras de telecomunicações, entidades governamentais e o público em geral, para gerar consciência situacional dos riscos das tecnologias provenientes de operadoras chinesas para redes 5G.”

A Colômbia é um mercado atraente para as empresas que fabricam telefones móveis. Um estudo da empresa global de análise de dados Canalys, citado pelo jornal colombiano La República, identificou que quatro empresas de origem chinesa estão entre as cinco marcas mais comercializadas no país e na América Latina.

“É necessário garantir a diversificação de fornecedores, a fim de evitar a dependência de um único fornecedor para componentes críticos da rede 5G, buscando diversificar as opções tecnológicas disponíveis”, enfatizou Chacón. “Deve-se dar prioridade a investimentos que contribuam para o desenvolvimento de tecnologias locais […], para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, especialmente aqueles que são questionados internacionalmente ou que geram problemas em relação à independência e confiabilidade para o gerenciamento de informações e dados, tanto de redes quanto de servidores e da nuvem.”

Embora o sinal 5G não esteja disponível em todo o país, um estudo da empresa francesa nPerf, que mede a velocidade da internet, citado em 20 de março pela revista mexicana El Economista, indica que 13 cidades já podem acessá-lo, graças a três grandes operadoras. Entre elas, estão Bogotá, Medellín, Cali, Bucaramanga, Barranquilla e Cartagena.

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