O exercício multinacional CENTAM Guardian 2026, coorganizado pelo Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) e pelo Ministério da Defesa de El Salvador, reunirá as forças armadas da América Central em meados de abril. O exercício ressalta que a interoperabilidade é muito mais do que um conceito militar: é um imperativo estratégico para integrar segurança nacional, assistência humanitária e resposta a desastres, em um quadro regional unificado.
A edição de 2026 se baseia nas lições aprendidas em edições anteriores e aprofunda a coordenação entre os parceiros regionais. O exercício demonstra que a parceria continua sendo o elemento dissuasório mais eficaz da região contra as ameaças emergentes. Através dessa convergência de forças em grande escala, os participantes demonstram um compromisso duradouro com a segurança regional, garantindo que as Américas continuem sendo resilientes diante dos desafios em constante mudança.
“O CENTAM Guardian sinaliza um marco na evolução da doutrina de segurança na região. A partir da criminologia e dos estudos estratégicos, isso é definido como a passagem da segurança nacional, focada em fronteiras e inimigos armados, para a segurança multidimensional”, explicou à Diálogo o Dr. Ricardo Sosa, criminologista salvadorenho e especialista em segurança nacional. “A segurança integral entende que um desastre mal gerenciado cria a matéria-prima para as gangues. A partir da inteligência estratégica, presume-se que os inimigos do Estado aproveitarão o caos do desastre para operar.”
O CENTAM Guardian serve como plataforma anual para que as nações participantes avaliem a capacidade de suas instituições para lidar com crises complexas, através da integração das forças armadas com a proteção civil e atores humanitários. Essa abordagem interinstitucional alinha decisões, melhora as capacidades operacionais e fortalece as alianças para combater ameaças transnacionais de maneira mais eficaz.

Planejamento estratégico e cooperação regional
O planejamento do CENTAM Guardian 2026 começou há quase um ano, o que permitiu que líderes militares e de segurança, bem como equipes de assistência humanitária, sincronizassem esforços, padronizassem protocolos de resgate, otimizassem capacidades operacionais e aperfeiçoassem a logística para a entrega rápida de ajuda. O exercício deste ano contará com a participação de Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, República Dominicana e Estados Unidos, e espera-se que se reúnam cerca de 1.100 civis e militares. Esses esforços de colaboração também fortalecem as unidades militares para dissuadir e combater ameaças regionais e internacionais, fechando as brechas que costumam ser exploradas por atores hostis.
A Força Armada de El Salvador (FAES) tornou-se líder regional, destacando sua experiência tática adquirida em operações de controle territorial, assistência em emergências, logística humanitária e décadas de treinamento militar com os EUA. Essa abordagem estrutural, de acordo com um comunicado da instituição, é consolidada desde a formação inicial e validada no terreno, permitindo que seu pessoal se integre progressivamente em missões de segurança pública e proteção cidadã.
“A versatilidade da FAES funciona como um mecanismo de segurança integral que transforma a resposta a desastres em uma operação de estabilização, evitando o vácuo de poder”, disse Sosa. “Isso mantém a presença do Estado, impedindo que estruturas criminosas aproveitem o caos, para retomar o controle territorial, ou ganhar legitimidade social, garantindo que os insumos cheguem aos afetados sem serem saqueados, desviados ou extorquidos no caminho.”
Um exemplo recente dessa capacidade ficou evidente em 13 de fevereiro, quando ocorreu um incêndio no centro histórico de San Salvador. A FAES prestou apoio imediato às equipes de resgate, destacando binômios caninos, estabelecendo perímetros de segurança e ajudando na remoção de escombros.
Resiliência em uma região propensa a desastres
As nações da América Central enfrentam anualmente desastres ambientais de grande escala, como furacões, terremotos, inundações e deslizamentos de terra. Nesse ambiente, o CENTAM Guardian reforça os laços entre as nações parceiras e consolida os mecanismos necessários para enfrentar os desafios comuns.
“Os soldados de todas as forças armadas devem estar preparados para adaptarem-se a qualquer ambiente, bem como a operações em todo o mundo”, afirmou o 1º Tenente Darcey Starling, do Exército dos EUA, que atuou como líder do pelotão norte-americano em um evento durante a edição de 2025 na Guatemala. “Seja para a preparação ou para um conflito real, devemos estar prontos para colaborar com qualquer pessoa para cumprir qualquer missão.”
Em 2025, o exercício mobilizou mais de 900 membros das forças militares e agências civis de seis países. Os participantes realizaram patrulhas na selva, ataques de esquadrão, descidas com cordas rápidas e incursões aéreas com supervisão de drones. Essas atividades melhoraram a capacidade dos participantes para responder a uma ampla gama de ameaças, como o narcotráfico, a migração irregular e os desastres naturais.
Um modelo de segurança integral
“As crises humanitárias ou desastres naturais provocam uma ruptura temporária do controle social formal por parte de instituições como a polícia, o Ministério Público e a alfândega, entre outras”, indicou Sosa. “Exercícios como o CENTAM Guardian treinam os exércitos para chegar rapidamente, não apenas por humanismo, mas por soberania. A assistência humanitária se torna uma ferramenta para negar espaço político e social ao crime organizado.”
O CENTAM Guardian se posiciona como um modelo inovador focado no desenvolvimento de forças ágeis e com capacidade de resposta para enfrentar desafios dinâmicos de segurança. De acordo com participantes anteriores, esse tipo de treinamento não apenas eleva as capacidades operacionais, mas também reforça a resiliência e a segurança regional a longo prazo.
Em uma região onde a próxima emergência pode ser um furacão, um terremoto, ou uma situação complexa de segurança, a capacidade de integrar diversas missões garante uma resposta eficaz e coordenada. Ao dominar a interseção entre segurança e ação humanitária, as nações parceiras garantem que poderão enfrentar os desafios do futuro com maior determinação, demonstrando que a unidade é o escudo mais confiável para proteger a estabilidade e a soberania em toda a região.


