Capturado líder rebelde acusado de matar indígenas na Colômbia

Capturado líder rebelde acusado de matar indígenas na Colômbia

Por Agence France-Presse (AFP)
julho 27, 2020

O presidente da Colômbia, Iván Duque, anunciou, no dia 23 de junho, a captura do principal líder de uma dissidência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que se afastou do processo de paz e está implicado no assassinato de indígenas no sudoeste do país.

O presidente parabenizou no Twitter as Forças Militares e a polícia pela prisão de Fernando Israel Méndez, vulgo “o Índio”, chefe da denominada coluna Dagoberto Ramos, que opera e obtém seus rendimentos do narcotráfico no estado de Cauca.

“Continuamos desferindo golpes contra o crime organizado que se dedica ao narcotráfico e ao assassinato de líderes comunitários”, acrescentou o governante.

Junto com Méndez, foram detidos outros quatro homens de sua organização no município de Caloto, explicou o comando militar em um comunicado.

O gabinete de imprensa do Exército disse à AFP que o líder guerrilheiro é acusado de ser o “autor material” do massacre de cinco indígenas nasa em um ataque ocorrido em Cauca, em outubro de 2019.

A matança ocorreu durante uma ação das chamadas dissidências para libertar três rebeldes que haviam sido capturados pela guarda indígena.

Entre as vítimas, estava a dirigente Cristina Bautista, cujo assassinato foi condenado internacionalmente.

Cauca, com 24,8 por cento de população indígena, está no centro de uma disputa entre as quadrilhas ligadas aos cartéis mexicanos, guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional e dos grupos que abandonaram o acordo que dissolveu as FARC em 2016.

Os grupos disputam a renda derivada dos 17.355 hectares de cultivos de drogas registrados no ano passado pelas Nações Unidas no estado e de uma rota para transportar a droga até os Estados Unidos pelo Pacífico.

A violência na região afetou especialmente os líderes comunitários e os defensores indígenas dos direitos humanos.

De acordo com a ONG Somos Defensores, 77,7 por cento dos 32 líderes indígenas assassinados em 2019 no país – o mais alto índice da década – eram de Cauca.

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