Em meados de julho, o governo da Argentina declarou Hamas como uma organização terrorista e ordenou o congelamento dos ativos financeiros do grupo palestino. “O gabinete do presidente informa que o grupo Hamas foi declarado pelo Estado Argentino como uma organização terrorista internacional”, informou a Casa Rosada em um comunicado, em 12 de julho.
No Registro Público de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo e seu Financiamento da Argentina, aparece registrado como: Hamas – também conhecido como: Movimento de Resistência Islâmico (Harakat al-Muqawama al-Islamiya).
“O Hamas reivindicou a responsabilidade pelas atrocidades cometidas durante o ataque perpetrado a Israel em 7 de outubro [de 2023]. Elas se somam a um extenso registro de ataques terroristas em seu nome”, diz o comunicado do governo argentino. “O presidente Javier Milei tem o compromisso inabalável de reconhecer os terroristas pelo que eles são”, afirma o comunicado.
Especialistas em segurança internacional enfatizaram a importância da iniciativa. “A iniciativa da Argentina deveria ser um exemplo para outros países que ainda não o fizeram, já que grupos terroristas como o Hezbollah aumentam sua presença na América Latina”, disse à Diálogo Luis Fleischman, professor de sociologia e ciências políticas da Universidade Estatal de Palm Beach, na Flórida. “Os países com governos de esquerda não veem o terrorismo do Oriente Médio como uma ameaça. Em vez disso, eles veem Israel e os Estados Unidos como uma ameaça. Sua visão anti-imperialista distorce e inverte os conceitos de certo e errado, moral e imoral”, disse Fleischman.
Tríplice fronteira
A Argentina agora se junta à lista de países que já designaram o Hamas como uma organização terrorista, incluindo Canadá, Estados Unidos, Paraguai e a União Europeia. “Este governo reiterou em muitas ocasiões sua convicção de que a Argentina deve alinhar-se à civilização ocidental, respeitando os direitos individuais e suas instituições. Por essa razão, é inadmissível que aqueles que atentam contra ela não sejam declarados como o que são: terroristas”, diz o comunicado do governo argentino.
“O presidente Milei fez a coisa certa. Agora, ele também deveria dedicar seus esforços e recursos para reduzir as atividades que ocorrem em seu país e que beneficiam o terrorismo, como a presença do Hezbollah na Tríplice Fronteira, e para combater o narcotráfico, que está crescendo na Argentina e com o qual as organizações terroristas frequentemente se associam. A ação deve dar significado prático às palavras”, disse Fleischman.
Ameaça do Irã
O rebranding do Hamas pela Argentina ocorreu poucos dias antes do 30º aniversário do ataque terrorista à sede da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em Buenos Aires. O comunicado ressalta o vínculo do Hamas com o Irã e que a justiça argentina apontou o Hamas como responsável pelos ataques à AMIA (1994) e à Embaixada de Israel em Buenos Aires (1992). “Esses ataques custaram a vida de mais de 100 cidadãos argentinos”, diz o comunicado.
Em abril passado, a Câmara Federal de Cassação Penal da Argentina determinou que o Irã e o Hezbollah estavam por trás de ambos os atentados. Também em abril, a Argentina emitiu um mandado de prisão internacional para o ministro do Interior do Irã, Ahmad Vahidi, que foi apontado como um dos responsáveis pelo ataque à AMIA, informou o site de notícias France 24.
Além dos dois atentados, o promotor que investigou o atentado à AMIA, Alberto Nisman, foi encontrado morto em 18 de janeiro de 2015, “poucos dias antes de ir denunciar a então presidente Cristina Fernández (2007-2015) por supostamente acobertar suspeitos iranianos do atentado”, informou o site de notícias alemão DW.
Brasil deporta agente do Hamas
Em junho, o Brasil deportou um palestino e sua família depois que os Estados Unidos alertaram a Polícia Federal brasileira de que um “agente do Hamas” estava viajando para o país sul-americano, informou a agência Reuters. Muslim Abuumar, bem como sua esposa grávida, seu filho e sua sogra, foram impedidos de entrar no país no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
“O nome do palestino está registrado no Terrorism Screening Center, um banco de dados do FBI [Agência Federal de Investigação dos EUA], que contém informações sobre pessoas com envolvimento comprovado em terrorismo e sobre pessoas sobre as quais há suspeitas bem fundamentadas”, informou o site de notícias G1.
De acordo com a decisão judicial, a família alegou que o motivo da viagem era turismo. “No entanto, para as autoridades brasileiras, o verdadeiro objetivo era fixar residência no país, pelo fato de a mulher estar no último estágio da sua gravidez e pela quantidade de bagagem que carregava”, disse G1.
“Há indícios de que a viagem ao Brasil foi feita com o objetivo de possibilitar o nascimento do filho do casal em solo brasileiro, tornando-o brasileiro nato e facilitando a naturalização dos demais”, informou G1. Abuumar e sua família embarcaram em um voo da Qatar Airways de volta a Doha dois dias depois, disseram fontes policiais à Reuters.