América Central se une contra grupos criminosos

América Central se une contra grupos criminosos

Por Julieta Pelcastre / Diálogo
setembro 27, 2019

Belize, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, México, Panamá e República Dominicana fazem pacto para sincronizar seus serviços de inteligência e cooperar nas operações de segurança contra os desafios comuns, como o narcotráfico e o crime organizado.

O compromisso foi assinado na XII Conferência Regional de Inteligência Centro-Americana (CRIC), patrocinada pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) e organizada pelas Forças Armadas de Honduras, entre os dias 16 e 18 de julho de 2019, em Tegucigalpa. A CRIC é um fórum para desenvolver estratégias de segurança.

“O acordo nos permite criar um sistema ágil de informação classificada que servirá como base para o planejamento das operações estratégicas e táticas na região”, disse à Diálogo o General de Brigada do Exército Germán Antonio Alfaro Escalante, chefe de Informação Estratégica C-2 das Forças Armadas de Honduras. “Essa determinação fortalecerá a comunicação eficaz, para antever as operações do crime organizado transnacional na região.”

Para otimizar o trabalho das forças militares e dos mecanismos de segurança e justiça, os especialistas decidiram desenvolver plataformas de comunicações para identificar grupos, líderes criminosos e compartilhar informações essenciais em tempo real durante o ano inteiro. Eles também traçaram as principais linhas de ação para a segurança: a luta contra as organizações criminosas transnacionais (OCT); a unificação de doutrinas e esforços; as operações combinadas; a capacitação e o treinamento.

Dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostram que as organizações criminosas ameaçam a segurança e a prosperidade dos países do hemisfério ocidental a um custo estimado de 3,5 por cento do Produto Interno Bruto da região. O relatório América Central 2030, da Universidade Internacional da Flórida e Global Americans, destaca que as OCT são uma ameaça que ultrapassa as fronteiras da região centro-americana. Cerca de 90 por cento da cocaína que entra no mercado dos Estados Unidos flui agora através da Guatemala e de Honduras.

“Enquanto nos países do Triângulo Norte [Guatemala, Honduras e El Salvador] operam diversas quadrilhas vinculadas ao crime organizado em geral, no Panamá existem empresas que se transformaram em uma base de lavagem de dinheiro e tráfico de mercadorias”, segundo um relatório do jornal mexicano El Financiero. Da mesma forma, a agência de notícias BBC Mundo informa que a deterioração da segurança e da estabilidade na Costa Rica vem aumentando nos últimos anos. Por outro lado, a fundação InSight Crime, com sede em Washington, assegura em sua revista digital que em Belize as quadrilhas centro-americanas e os grupos de narcotraficantes vêm ganhando terreno.

Western Hemisphere intelligence officers joined efforts at CRIC to counter transnational organized criminal organizations operating in Central America. (Photo: Honduran National Defense Secretary)

 

“O narcotráfico aumenta em 80 por cento a criminalidade, a prática de extorsão e as gangues e quadrilhas”, disse na CRIC o General de Exército (R) Fredy Santiago Díaz Zelaya, ministro da Defesa de Honduras. “Só unidos poderemos desenvolver as estratégias para combater os grupos associados que tantos danos causam ao país e à região.”

“Diante dessas organizações poderosas e violentas, os governos devem reavaliar e reorganizar suas forças de segurança para enfrentar melhor os criminosos”, diz o Real Instituto Elcano e o Centro de Estudos Estratégicos do Exército do Peru no relatório A transformação das Forças Armadas da América Latina diante do crime organizado. “Há muito tempo, os EUA vêm desenvolvendo estratégias apropriadas para responder às OCT, e os grupos terroristas dependem cada vez mais dos grupos criminosos para obter financiamento e apoio logístico”, garante o relatório.

“O esforço realizado pelo SOUTHCOM tem um grande valor, pois é uma entidade coordenadora de alto nível que faz com que a doutrina conjunta seja operacional”, disse o Gen Bda Alfaro. “O cenário não é fácil. O trabalho combinado pode fazer frente ao monstro de mil cabeças que dissemina suas redes criminosas nas diferentes instituições”, garantiu o General de Brigada do Exército Rene Orlando Ponce Fonseca, chefe do Estado-Maior Conjunto de Honduras, durante a CRIC.

Os esforços de Honduras para reduzir a atuação dos grupos criminosos são importantes; os resultados são palpáveis ao serem analisadas as operações nos últimos anos contra pessoas envolvidas em atividades ilegais. Mas estas “ações ainda não são suficientes [em nível regional], porque as OCT ameaçam os setores políticos, econômicos, sociais e diplomáticos”, finalizou o Gen Bda Alfaro.

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