Conferência de segurança melhora cooperação regional

Países centro-americanos definem estratégias para combater o crime transnacional
Kay Valle/Diálogo | 21 maio 2019

Relações Internacionais

Da esq. para a dir.: Fredy Díaz, ministro de Defesa de Honduras; Juan Orlando Hernández, presidente de Honduras; Almirante de Esquadra da Marinha dos EUA Craig S. Faller, comandante do SOUTHCOM; e o General de Brigada do Exército René Orlando Ponce, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas de Honduras, deram as boas-vindas aos participantes da CENTSEC-19. (Foto: Ministério de Defesa Nacional de Honduras)

“Juntos podemos fazer muito mais para a segurança dos nossos países”, declarou o Almirante de Esquadra da Marinha dos EUA Craig S. Faller, comandante do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), em seu discurso na abertura da Conferência de Segurança Centro-Americana (CENTSEC) 2019, realizada em Tegucigalpa, Honduras, nos dias 7 e 8 de maio. Oficiais de Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Panamá participaram da conferência regional. Colômbia, República Dominicana e México foram na qualidade de observadores.

Líderes de defesa da região se reuniram para a Conferência de Segurança Centro-Americana 2019, realizada nos dias 7 e 8 de maio em Honduras. (Foto: Ministério de Defesa Nacional de Honduras)

“Tenho a esperança, mas, ao mesmo tempo, a satisfação por estarmos no caminho certo, porque todos nós devemos nos manter juntos”, disse o presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, dando as boas-vindas aos ministros de Defesa e líderes militares da região. Sob o tema “explorar o papel das forças militares e de segurança em apoio às autoridades civis, na luta contra os sistemas para sustentar o crime organizado transnacional e as quadrilhas”, os participantes analisaram as opções para melhorar os processos de tomada de decisões no campo estratégico-militar e a cooperação entre nações parceiras.

“As maras, gangues e outros grupos criminosos representam ameaças reais e sérias para cada nação vizinha neste hemisfério”, disse o Alte Esq Faller. “Eles agridem o Estado de Direito e os direitos humanos com suas táticas brutais e uma total indiferença pela vida humana [...]. Essas organizações têm regras diferentes: não respeitam as leis, nosso povo ou nossa constituição, mas nós sim. Nossa legitimidade é nossa maior vantagem.”

O SOUTHCOM patrocina o fórum anual de segurança da América Central e busca fomentar o diálogo entre os líderes de defesa da região para intercambiar experiências e encontrar soluções para os desafios comuns. A conferência, na sua 14ª edição, também organizou pela segunda vez o Seminário Concorrente de Suboficiais Superiores.

Otimização das instituições de defesa

“As quadrilhas são um tema muito complexo que já atingiu severamente muitos países, especialmente os do Triângulo Norte, sobretudo na questão da violência, mas também nos atingiu, ainda que nossos problemas sejam muito distintos dos problemas do Triângulo Norte”, disse à Diálogo Michael Soto Rojas, ministro de Segurança Pública da Costa Rica. “Sob essa premissa, a problemática deve ser abordada em conjunto, para que se faça uma inteligência prospectiva, já que essas estruturas poderão nos afetar no futuro.”

Suboficiais das forças armadas centro-americanas se reuniram para a segunda edição do Seminário Concorrente de Suboficiais Superiores, realizado em Honduras no início de maio. (Foto: Ministério de Defesa Nacional de Honduras)

A conferência geral foi dividida em duas sessões que abordaram os sistemas que sustentam as quadrilhas e o crime organizado transnacional e seus efeitos sobre a segurança, como também a otimização das instituições de defesa e segurança para combater as ameaças em apoio às autoridades civis. A CENTSEC mostrou o interesse dos países da região em unir seus esforços, intercambiar inteligência e estreitar os laços de amizade.

“Precisamos entender que essas estruturas operam de forma transnacional, especialmente nos países do Triângulo Norte, com influência dos membros dessas estruturas a partir dos Estados Unidos”, disse a Diálogo o Coronel do Exército de Honduras Amílcar Hernández, diretor da Força Nacional Antimaras e Quadrilhas. “Essa conferência melhora os laços, a coordenação de operações e o intercâmbio de informações. É importante que se enfraqueçam essas estruturas [...], para evitar que continuem crescendo em sua capacidade operacional criminosa.”

O papel do suboficial

Os suboficiais da região tiveram a oportunidade de participar de eventos conjuntos durante a CENTSEC e também compartilharam experiências com seus homólogos no Seminário Concorrente de Suboficiais Superiores. Juntos, os suboficiais abordaram o tema da construção das quadrilhas, analisaram o programa hondurenho Guardiões da Pátria (que desde 2010 busca afastar os menores de idade da droga, das quadrilhas e do crime organizado) e ressaltaram o papel dos suboficiais.

“Nosso papel não muda entre um conflito e outro; nosso papel permanece sempre, não importa se é combate, treinamento em campo... nossa liderança é liderança e disciplina é disciplina”, disse à Diálogo o Suboficial do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA Bryan Zickefoose, suboficial superior do SOUTHCOM. “As responsabilidades dos suboficiais superiores incluem assessorar e ajudar nossos comandantes em todos os assuntos, desde o nível tático até o estratégico... entender as intenções do comandante é uma das coisas mais importantes, bem como ser capaz de transmiti-las aos níveis inferiores, inclusive aos nossos oficiais subalternos.”

O papel do suboficial, continuou o S Ten Zickefoose, também consiste em estabelecer um modelo a seguir na comunidade, o que “ajuda a combater o crime transnacional, porque permite que nossos compatriotas vejam quem nós somos e se transformem em alguém diferente de um membro de quadrilha”.

A CENTSEC foi encerrada com a compreensão de que as ameaças são muitas e árduas e que a cooperação estreita na região é chave para deter e desmantelar as atividades dos grupos criminosos transnacionais. “O adversário é forte, o adversário se adapta, o adversário não segue regras, não segue leis”, disse o Alte Esq Faller no seu discurso de encerramento. “Nossa legitimidade exige o trabalho árduo, o trabalho em equipe e o compromisso e a integridade que o acompanham [...]. Obrigado por essa oportunidade de gerar confiança e construir nossa equipe.”

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