A censura da China é um problema global

A censura da China é um problema global

Por ShareAmerica
dezembro 18, 2019

O governo chinês continua a ser o pior violador da liberdade na internet, de acordo com o relatório da Freedom on the Net (Liberdade na Internet) de 2019, divulgado em novembro. A censura opressiva que exerce está afetando cada vez mais pessoas fora da China.

Pelo quarto ano consecutivo, a Freedom House, uma organização independente de vigilância dedicada à expansão da liberdade e da democracia em todo o mundo, classificou Pequim como o portador da internet mais controlada, mais opressiva e menos livre do mundo.

“O nível de liberdade na internet da China também alcançou seu ponto mais baixo desde a criação do relatório Freedom on the Net”, diz o relatório. “A censura e a vigilância foram levadas a extremos sem precedentes, à medida que o governo aprimorava seus controles de informação.”

O governo chinês censura a internet com o intuito de impedir a dissidência e manter o controle que tem sobre sua população. O Departamento de Estado dos EUA avaliou em um relatório de 2018 que Pequim emprega diretamente dezenas de milhares de pessoas para monitorar comunicações eletrônicas e conteúdo on-line. Empresas privadas de internet, agindo sob as ordens do governo, empregam milhares de pessoas mais para fiscalizar usuários.

“As violações do Partido Comunista Chinês à liberdade na internet são provas claras de que as autoridades desse partido se preocupam mais em manter o seu controle do poder do que com o bem-estar de seus próprios cidadãos”, disse Annie Boyajian, diretora de defesa da Freedom House, em uma entrevista.

Os Estados Unidos estão em quinto lugar entre os 65 países pesquisados no relatório, empatados com o Reino Unido e a Austrália. A China ocupa o último lugar na 65ª posição.

Censura no exterior
A censura de Pequim está afetando cada vez mais pessoas fora da China, devido à influência do Partido Comunista Chinês sobre empresas de tecnologia chinesas que desenvolveram aplicativos utilizados em todo o mundo.

“O governo chinês não apenas restringe o acesso à internet, vigia os usuários da internet e dissemina propaganda nas próprias fronteiras da China, mas também está intensificando os seus esforços para expandir esse autoritarismo digital para além da China”, disse Boyajian.

O WeChat é o aplicativo de rede social mais popular da China e é usado por comunidades da diáspora chinesa em todo o mundo. Muitos que vivem fora da China ficam chocados com o fato de o governo chinês aparentemente monitorar e censurar o que eles podem ou não dizer. Por exemplo:

– Um americano no Texas teve sua conta encerrada por discutir a respeito da recente eleição em Hong Kong, onde a maioria dos candidatos que apoiavam Pequim perdeu.

– Uma mensagem de uma parlamentar canadense para seus eleitores canadenses foi apagada por censores chineses em 2017, por falar sobre protestos em favor da democracia.

– A capacidade de publicar artigos em grupos de bate-papo de um médico nos Estados Unidos foi suspensa por publicar muitos artigos de cunho político. Quando ele voltou a postar artigos sobre música, suas permissões foram restituídas.

Se um usuário fora da China estiver “se comunicando com alguém que também está fora da China e que possui o WeChat, [então] ambos ainda estão, na maior parte das vezes, operando sob as regras que vigoram dentro da China”, disse Sarah Cook, uma pesquisadora da Freedom House, à Rádio Pública Nacional (dos EUA).

Outro aplicativo chinês popular é o TikTok. Uma adolescente de Nova Jersey recentemente teve sua conta suspensa após fazer o upload de um vídeo no TikTok sobre a perseguição do governo chinês aos uigures. O TikTok negou que a suspensão estivesse relacionada ao vídeo. No entanto, documentos revelados pelo jornal The Guardian mostram que o TikTok tem um histórico de censura a tópicos contra os quais o governo chinês se opõe.

A questão da censura na internet e da repressão on-line é especialmente relevante no momento em que a China está tentando vender o futuro da internet móvel para o mundo através de redes 5G. “O Partido Comunista Chinês pode forçar qualquer fornecedor de 5G com sede na China a entregar dados e adotar outras ações em segredo”, disse o secretário de Estado dos EUA Michael R. Pompeo, em 2 de dezembro de 2019.

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