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Venezuela depende do Irã e de companhias aéreas sancionadas para a produção de combustíveis

Venezuela depende do Irã e de companhias aéreas sancionadas para a produção de combustíveis

Por Diálogo
outubro 04, 2021

No dia 14 de agosto de 2021, aterrissou no Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía (Caracas), um jato pertencente à Qeshnm Fars Air, uma companhia aérea iraniana sancionada pelos Estados Unidos. A aeronave decolou de Teerã com uma carga valiosa para o regime de Nicolás Maduro: 47,9 toneladas de catalizadores para a produção de combustíveis.

Um documento da Guarda Nacional Bolivariana, em poder do atual presidente da Junta Administradora Ad Hoc de Petróleos da Venezuela (PDVSA), Horacio Medina, indica que toda essa carga foi transportada do Centro de Refinação de Paraguaná (CRP), no estado de Falcón.

Segundo Medina, os catalizadores são insumos necessários para acelerar o processo de fabricação dos hidrocarbonetos. Graças a isso, a refinaria de Cardón, parte do CRP, pode produzir entre 25.000 e 40.000 barris diários de gasolina.

No entanto, os voos da companhia aérea iraniana não são suficientes para preservar a operacionalidade das refinarias. Outro registro em poder de Medina indica que o regime venezuelano também está utilizando a companhia aérea venezuelana Conviasa para complementar o transporte dos insumos.

O veículo inglês de informação sobre matérias primas Argus Media relatou que os voos da Conviasa carregados com os catalizadores começaram em fevereiro. No dia 20 de agosto, segundo o documento de Medina, um avião com as siglas YV3507 proveniente da capital iraniana chegou com outras 23 toneladas de catalizadores.

Em fevereiro de 2020, o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou a Conviasa e toda sua frota de aviões, porque eram utilizados para o “transporte de oficiais corruptos pelo mundo inteiro para angariar apoio aos esforços antidemocráticos” do regime venezuelano, disse o então-secretário do Tesouro Steven Mnuchin, em um comunicado do dia 7 de fevereiro de 2020.

Segundo Medina, nesse momento, o único fornecedor desses insumos essenciais para a indústria petrolífera venezuelana é o Irã, devido a um acordo entre a república islâmica e o regime de Maduro.

Ele explicou que se a PDVSA tentasse adquirir esses materiais de outros fornecedores teria que fazer os pagamentos em espécie, pois essa seria a única forma de escapar às sanções dos EUA.

Pagamentos em espécie

A importação dos catalizadores em voos de companhias aéreas sancionadas que partem de Teerã não é uma operação gratuita.

“Os negócios com o Irã são muito obscuros. O Irã cobra um preço alto pelos catalizadores. O negócio é feito entre máfias, com permutas. O petróleo bruto é levado e revendido off shore. Estamos falando, então, de catalizadores trocados por petróleo bruto”, explicou Iván Freites, secretário de Profissionais e Técnicos da Federação Unitária dos Trabalhadores Petrolíferos da Venezuela.

Ele acrescentou que outra forma de pagamento desses insumos tem sido com combustível para aeronaves. A agência de notícias Reuters informou que em 2020 a PDVSA e a Companhia Nacional de Petróleo Iraniana concordaram em intercambiar combustível para aeronaves, já que o produto é abundante na Venezuela, devido à paralisação da maioria das viagens aéreas devido às restrições da COVID-19. De acordo com a Argus Media, o Irã também receberia pagamentos com ouro venezuelano.

Freites disse que o petróleo bruto para pagar os catalizadores é carregado em cais de Cardón (estado de Falcón). Os navios “operam com localizadores e luzes apagados”, para dificultar a detecção e possíveis sanções por parte de autoridades norte-americanas.

Na sua opinião, uma parte dos carregamentos de catalizadores poderia ir para a Refinaria El Palito (no estado de Carabobo), cujas operações foram paralisadas em novembro de 2020. Em junho, o representante do Estado Maior de Refinação da PDVSA, José Joaquín Vargas, afirmou que essa instalação estava recuperada em 80 por cento. Entretanto, até o momento não foi reativada.

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