Uruguai apreende o maior carregamento de cocaína de sua história

Uruguai apreende o maior carregamento de cocaína de sua história

Por Juan Delgado / Diálogo
fevereiro 04, 2020

No final de dezembro de 2019, a Marinha Nacional do Uruguai conseguiu apreender cerca de 6 toneladas de cocaína, considerado o “maior golpe contra o narcotráfico na história do país”. Quatro pessoas foram detidas após uma operação que levou membros da Marinha do porto de Montevidéu, na costa sul, até a cidade de Dolores, no oeste do país.

No dia 26 de dezembro, oficiais da Divisão de Investigação da Prefeitura Naval da Marinha, em cooperação com agentes da Direção Nacional de Aduanas, encontraram 4.418 quilos de cocaína em quatro contêineres depois de uma inspeção no porto. A droga estava escondida em pacotes dentro de carregamentos de farinha de soja, pertencentes à empresa Camelia Sociedad Agraria. Seu destino: o porto de Lomé, capital do Togo, na África.

No dia seguinte, as autoridades se dirigiram a Dolores, onde se localiza a empresa. Em um campo, os oficiais encontraram mais de 1.400 quilos de cocaína em pacotes camuflados dentro de alguns sacos de farinha de soja. O proprietário da firma, Luis Gastón Murialdo Garrone, e seu filho de 19 anos foram detidos e acusados por armazenamento e exportação de entorpecentes. As autoridades também detiveram dois funcionários responsáveis pelo transporte da farinha de soja desde a empresa até o porto.

Ponto de trânsito
O Uruguai é cada vez mais utilizado como ponto de trânsito para transportar as drogas produzidas na América Latina até a África, tendo como destino final chegar aos mercados da Europa. Segundo a organização de investigação dos EUA InSight Crime, especializada em ameaças à segurança na América Latina e no Caribe, a quantidade de cocaína apreendida pelo Uruguai nos primeiros meses de 2019 foi o dobro do total confiscado em 2018. Os confiscos foram aumentando durante o ano.

Por exemplo, em maio de 2019, foram encontrados mais de 600 quilos de cocaína a bordo de uma pequena aeronave privada proveniente do Uruguai, depois de ter aterrissado em Basileia, Suíça. Em agosto, as autoridades alemãs confiscaram mais de 4 toneladas de cocaína procedente do Uruguai, no porto de Hamburgo. Em novembro, as autoridades uruguaias apreenderam cerca de 3 toneladas de cocaína em contêineres no porto de Montevidéu, que tinham como destino o país de Benin, na fronteira com Togo.

A demanda de cocaína aumentou na Europa, informa a InSight Crime. Além disso, os preços lá são mais altos do que nos Estados Unidos, o que atrai os grupos criminosos transnacionais.

“Um quilo de cocaína sai dos portos da América do Sul com um valor próximo a US$ 5.000, preço que alcança US$ 50.000 se essa carga chegar à Europa”, disse à Diálogo Martín Verrier, professor de relações internacionais da Universidade de Belgrano, em Buenos Aires, Argentina, e ex-subsecretário da Luta contra o Narcotráfico do Ministério da Segurança do governo do ex-presidente Mauricio Macri.

Segundo investigações de janeiro de 2020 do diário norte-americano The Wall Street Journal, as apreensões mundiais de cocaína a bordo de navios comerciais e embarcações privadas triplicaram nos últimos três anos, passando de umas 22 toneladas em 2017 a mais de 73 toneladas em 2019. A contaminação dos contêineres é uma técnica barata para transportar drogas da América Latina, informa o jornal. No Uruguai, o porto de Montevidéu é uma das principais rotas de transporte de cargas do Mercado Comum do Sul, conhecido como Mercosul, criado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Após as apreensões na Suíça e na Alemanha, o ex-diretor de Aduanas do Uruguai renunciou em agosto de 2019 e as medidas de controle se intensificaram. A apreensão de dezembro, explicou à Diálogo o Capitão de Mar e Guerra Diego Perona, chefe de Relações Públicas da Marinha Nacional do Uruguai, ocorreu após “uma mudança normativa e de controles nas exportações de cargas em contêineres, modificando falhas e vulnerabilidades”.

As autoridades informaram que a cocaína tinha sido produzida na Bolívia, pois as logomarcas dos pacotes encontrados em dezembro eram similares a outras vistas em operações, onde a origem da Bolívia foi confirmada.

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