Chefes de Forças Aéreas e altos líderes militares de toda a América do Sul se reuniram em Tucson, Arizona, de 25 a 28 de agosto para a Conferência de Chefes de Forças Aéreas Sul-Americanas (SOUTHAM) 2026, um encontro de quatro dias voltado ao fortalecimento da cooperação regional e ao desenvolvimento de abordagens coordenadas para enfrentar desafios de segurança compartilhados no Hemisfério Ocidental.
Organizada pelas Forças Aéreas do Sul dos Estados Unidos (AFSOUTH), componente aéreo do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), a conferência criou um fórum para que altos líderes discutissem desafios que ultrapassam as fronteiras nacionais e identificassem oportunidades práticas para melhorar a comunicação, a interoperabilidade e a cooperação entre as Forças Aéreas da região.
“Os desafios que enfrentamos hoje não respeitam as fronteiras nacionais”, afirmou o Brigadeiro David Mineau, da Força Aérea dos EUA, comandante da AFSOUTH. “As organizações criminosas transnacionais exploram nossa geografia para traficar bens ilícitos e minar a estabilidade regional. As ameaças cibernéticas têm como alvo nossa infraestrutura crítica nacional e nossas redes de comunicações, exigindo que avancemos juntos.”
Ele também enfatizou: “Nenhum país pode enfrentar esses desafios sozinho. Devemos abordá-los com uma postura unificada, aproveitando nossas capacidades coletivas.”
Durante a conferência, os líderes discutiram comunicações seguras e compartilhamento de informações, consciência do domínio aéreo e alerta antecipado, operações antinarcóticos, corredores aéreos ilícitos, organizações criminosas transnacionais, tecnologias emergentes, vulnerabilidades cibernéticas e capacidades de aeronaves.
O Almirante de Esquadra, Francis L. Donovan, do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, comandante do SOUTHCOM, reforçou a importância dessas discussões durante suas declarações aos chefes das Forças Aéreas, destacando que a cooperação entre os países não exige abrir mão da soberania ou da autonomia nacional.
“A capacidade de nos reunirmos e contribuirmos com capacidades únicas, respeitando a soberania uns dos outros e encontrando maneiras de trabalharmos juntos; essa é realmente a força desta conferência”, afirmou o Alte Esq Donovan.
Ele destacou as relações entre os altos líderes como uma vantagem operacional, especialmente à medida que ameaças e desafios ultrapassam cada vez mais as fronteiras nacionais.
“Relações próximas e contínuas entre altos líderes criam a confiança necessária para o rápido compartilhamento de informações, a integração fluida, a interoperabilidade e uma ação coletiva decisiva”, afirmou o Alte Esq Donovan. “Em uma época de ameaças sem fronteiras, as relações construídas aqui são ativos estratégicos para todos nós.”
A SOUTHAM reúne delegações da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai, além de líderes militares dos Estados Unidos e representantes do Programa de Parcerias Estaduais (SPP).
Para o Marechal do Ar Hugo Rodríguez González, comandante em chefe da Força Aérea do Chile, o encontro também proporcionou aos países parceiros a oportunidade de contribuir com suas próprias experiências e prioridades para o diálogo regional mais amplo.
“Como Forças Aéreas da região, a coisa mais importante que temos de fazer é determinar como nos integramos e colaboramos para alcançar objetivos comuns”, afirmou o Mar Ar Rodríguez.
Ele disse que as Forças Aéreas da região precisam de uma doutrina comum, uma linguagem comum e procedimentos compartilhados para trabalhar juntas de maneira eficaz, particularmente na resposta a ameaças como o narcotráfico.
“Se vamos formar uma coalizão, por exemplo, para combater o narcotráfico, temos de pensar da mesma maneira [e] ter uma doutrina semelhante”, afirmou.
O Mar Ar Rodríguez também apresentou a perspectiva do Chile durante uma exposição sobre o programa espacial do país e as oportunidades de cooperação regional em pesquisa, desenvolvimento sustentável e segurança. A discussão destacou o papel cada vez maior do domínio espacial e as oportunidades para que as Forças Aéreas da região compartilhem conhecimentos especializados e fortaleçam a cooperação para além das operações aéreas tradicionais.
Ele afirmou que o foco agora é transformar as discussões da conferência em ações, por meio do desenvolvimento de doutrinas e procedimentos compartilhados e da melhoria da forma como os parceiros regionais emitem alertas e compartilham informações entre si.
A conferência combinou essas discussões com atividades práticas destinadas a promover as parcerias regionais. Os chefes das Forças Aéreas interagiram com representantes da indústria para analisar tecnologias emergentes e possíveis soluções em termos de capacidades, e visitaram o 309.º Grupo de Manutenção e Regeneração Aeroespacial na Base da Força Aérea Davis-Monthan para discutir a sustentação e a regeneração de aeronaves.
Representantes do SPP estiveram presentes durante toda a conferência, reforçando as relações entre as Forças Aéreas sul-americanas, seus estados parceiros e a AFSOUTH. Os líderes também realizaram reuniões bilaterais para tratar das prioridades específicas de cada parceria e identificar oportunidades de cooperação futura.
Altos líderes militares também participaram da SOUTHAM, refletindo seu papel na transformação das prioridades dos altos líderes em capacidade operacional.
“Sua presença aqui não é secundária. É vital”, disse o Brig Mineau aos graduados. “Reconhecemos que uma força de graduados profissionalizada e capacitada é a espinha dorsal de qualquer Força Aérea moderna e o verdadeiro catalisador de nosso sucesso operacional.”
O Brig Mineau disse aos participantes que a confiança desenvolvida por meio de encontros como a SOUTHAM se torna particularmente importante quando os países são chamados a operar em conjunto.
“Vamos usar esta semana para questionar pressupostos, trocar melhores práticas e aprofundar nossos vínculos bilaterais e multilaterais”, afirmou. “A confiança que construímos nestas salas de conferência é a mesma na qual confiamos quando executamos missões reais, lado a lado.”
A SOUTHAM 2026 prosseguiu com discussões entre altos líderes, reuniões bilaterais e sessões voltadas ao fortalecimento das relações e capacidades necessárias para enfrentar desafios compartilhados em todo o Hemisfério Ocidental.