Sem trégua diante de inimigos da Colômbia

A luta contra as cadeias do narcotráfico e seus líderes, bem como o desmantelamento das redes criminosas, têm sido a prioridade do ministro da Defesa da Colômbia, Diego Andrés Molano Aponte, desde que assumiu a pasta ministerial em fevereiro de 2021.

O ministro Molano conversou com Diálogo sobre diversas questões importantes para o setor de segurança e defesa, como a luta frontal contra o narcotráfico, a defesa da biodiversidade e as capacidades das Forças Militares e da Polícia Nacional em benefício dos cidadãos.

Diálogo: O Plano Esmeralda é a nova estratégia antinarcóticos da Colômbia. O que há de novo nessa estratégia para enfrentar o narcotráfico?

O ministro da Defesa da Colômbia, Diego Molano, chega ao aeroporto El Caraño, na cidade de Quibdó, departamento de Chocó, para definir os últimos detalhes do evento Ruta de la Legalidad, em novembro de 2021. (Foto: Ministério da Defesa da Colômbia)

Ministro da Defesa da Colômbia, Diego Molano: A administração do presidente Iván Duque tem uma estratégia de luta contra o narcotráfico e contra os inimigos da Colômbia, como os dissidentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o ELN (Exército de Libertação Nacional) e o Clã do Golfo, que com seus negócios de narcotráfico alimentam as estruturas criminosas e seus rendimentos, que afetam a estabilidade nacional. Não lhes daremos trégua e, para combater esses inimigos, temos ações muito importantes, como a campanha Militar e Policial Zeus, a campanha Naval Orion e agora o Plano Esmeralda, que são apoiados pelo Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM). O Plano Esmeralda é uma estratégia que busca com a Polícia Nacional desenvolver ações especiais para atacar vários elos da cadeia do narcotráfico: narcotráfico cibernético, controle de insumos químicos, segurança e confiança para o comércio exterior, rendimentos criminais e controle judicial por via aérea. Isso com a criação de uma escola antidrogas que nos permita trazer as melhores experiências de trabalho para lutar contra o tráfico de drogas.

Diálogo: O senhor declarou que “os grupos armados organizados (GAOs) têm disputas sobre rendimentos criminais na Venezuela, com a conivência e o apoio das Forças Armadas Bolivarianas para tirá-los de lá e retirar os negócios criminosos e do narcotráfico que têm do outro lado”. Que ações realiza a Força Pública para deter os GAOs?

Ministro Molano: Todos os líderes do ELN estão na Venezuela e em Cuba, assim como importantes grupos de dissidentes das FARC, pois o regime de Nicolás Maduro protege esses grupos terroristas. Lá, eles disputam as linhas criminosas e essa disputa origina ações terroristas e violentas na Colômbia. Vimos isso em Arauca, no ataque ao presidente Duque no Norte de Santander, quando atacaram seu helicóptero, incluindo uma instalação militar como a Trigésima Brigada, onde estavam presentes consultores dos EUA. Desmantelamos algumas organizações e seus líderes, como Los Caparros, Los Pelusos e Los Puntilleros, e temos os casos do indivíduo conhecido como Otoniel, que foi capturado e estamos em processo de sua extradição para os Estados Unidos, e o do indivíduo conhecido como Fabián. Trabalhamos nas duas áreas de fronteira com o plano de Comando Conjunto Específico do Norte de Santander e o plano de intervenção em Arauca, que procuram impedir que esses grupos entrem na Colômbia para cometer atos criminosos, proteger a população civil e uma ofensiva para desmantelar as estruturas da dissidência das FARC e do ELN.

O ministro da Defesa da Colômbia, Diego Molano, percorre o rio Arauca com membros das Forças Militares da Colômbia. (Foto: Ministério da Defesa da Colômbia)

Diálogo: O Ministério da Defesa apresentou o relatório Contribuição para a verdade: contexto da Força Pública para a memória histórica. Qual é a importância dessa publicação e que resultados esperam obter?

Ministro Molano: Após o acordo de paz assinado em Havana [23 de junho de 2016], a Colômbia iniciou um processo de justiça transicional que tem umas instâncias, como a Jurisdição Especial para a Paz e a Comissão da Verdade, com o objetivo de esclarecer a verdade, garantir que haja um processo judicial e que não haja impunidade para aqueles que cometeram crimes contra a humanidade e violações dos direitos humanos. Esse relatório é histórico porque é a primeira vez que a Força Pública apresenta sua contribuição à verdade, mostrando que sempre agiu em estrita adesão à lei e aos direitos humanos e que foi vítima de um ataque sistemático com o objetivo de destruí-los, especialmente por aqueles que foram os líderes das FARC, que deixaram 403.532 vítimas, que foram submetidas a torturas, sequestros e minas antipessoais, entre outros. Por essa razão, o presidente Duque solicitou à Jurisdição Especial pela Paz que abrisse um macroprocesso contra os ex-membros das FARC, que cometeram crimes de guerra contra a Força Pública.

Diálogo: Quais são os resultados da Campanha Artemisa sobre a questão dos crimes ambientais e do desmatamento?

Ministro Molano: Pela primeira vez, o presidente Duque, em seu plano de desenvolvimento, estipulou que a água e as florestas são bens estratégicos da nação, que devem ser protegidos pela Força Pública. Na Colômbia, aproximadamente 200.000 hectares são desmatados por ano, devido à pecuária ilegal, ao tráfico de drogas ou ao uso extensivo e ilegal de madeira. Nosso objetivo é reduzir o desmatamento em 50 por cento até 2030. A campanha foi apresentada à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para mostrar que a Força Pública colombiana é pioneira nessa tarefa e busca proteger a Amazônia colombiana. A campanha conseguiu capturar e destruir infraestruturas que geram desmatamento. Por exemplo, conseguimos reduzir o desmatamento em 30 por cento nos departamentos de Meta, Caquetá e Guaviare no primeiro trimestre de 2021. De fato, dois dos membros mais perigosos dos dissidentes das FARC, conhecidos como Iván Mordisco e Gentil Duarte, foram acusados dos crimes de ecocídio, e inclusive elaboramos uma lista das 17 pessoas mais procuradas por este crime, 11 das quais já se entregaram à justiça.

Diálogo: Que inovações tecnológicas a indústria militar colombiana tem a oferecer?

Ministro Molano: A Marinha tem a Cotecmar, cuja principal inovação tecnológica em 2021 foi o desenvolvimento de 12 embarcações rasas, e está desenvolvendo a primeira embarcação oceanográfica. Temos a Corporação da Indústria Aeronáutica Colombiana, que apoia as capacidades da Força Aérea com inovações muito importantes, como as aeronaves remotas não tripuladas Coelum e Quimbaya, e temos o Indumil, que é nossa indústria militar que apóia as capacidades de armamento do Exército e que recentemente projetou a pistola Córdoba e o fuzil Santander.

Diálogo: Como o Ministério da Defesa está fortalecendo suas capacidades em operações de informação para combater a desinformação e as mensagens falsas que deslegitimam as ações da Força Pública?

Ministro Molano: Temos o Plano Democracia 2022 para garantir que as eleições do Congresso em março e as presidenciais em maio sejam livres e seguras para os colombianos. Um componente é o da cibersegurança e ciberdefesa, que é tratado internamente no Ministério da Defesa; temos um comando especial de cibersegurança e outro comando cibernético da Polícia. Com base nisso, procuramos fortalecer as capacidades tecnológicas, as competências do pessoal militar nesse campo e as capacidades para proteger-nos contra os ataques que possam ser feitos contra nós tanto por vírus ou por negação de serviço, quanto por campanhas de informação ou desinformação e, diante dessas ações, recebemos o apoio do SOUTHCOM.

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