Primeira mulher piloto é marco na Marinha do Chile

Primeira mulher piloto é marco na Marinha do Chile

Por Geraldine Cook/Diálogo
dezembro 23, 2021

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Pela primeira vez, a Marinha do Chile, criada em 1817, tem uma mulher piloto em suas fileiras. A 1º Tenente Daniela Figueroa Scholz se formou no curso de Aviação Naval no dia 14 de outubro de 2021, com as melhores qualificações, apta para voar a aeronave PC 7 Pilatus. A 1º Ten Figueroa conversou com Diálogo sobre suas conquistas e metas para o futuro.

Diálogo: A senhora é a primeira mulher piloto da Marinha do Chile. O que significa sua conquista para as mulheres na Marinha do Chile?

1º Tenente Daniela Figueroa Scholz, da Marinha do Chile: Ser a primeira mulher piloto da Marinha é uma conquista, um orgulho e uma responsabilidade muito grandes para mim, já que o curso teve muitas exigências e a grande maioria dos aspirantes que o fazem não conseguem ser aprovados. Minha intenção é convidar as mulheres para que se atrevam a tentar fazer aquilo de que realmente gostam e não reprimam seus próprios desejos.

A 1º Tenente Daniela Figueroa Scholz, da Marinha do Chile, em sua cabine de voo, pronta para decolar. (Foto: Marinha do Chile)

Diálogo: Quando e por que a senhora decidiu se alistar?

1º Ten Figueroa: Em 2011, surgiu a possibilidade de entrar para a Escola Naval. Meu pai foi marinheiro e, quando conheceu minha mãe, se reformou da Marinha por diversas razões; no entanto, ele sempre nos incutiu respeito, valores e amor pela Marinha. Minha casa era uma espécie de pequena escola de formação naval. Nós gostávamos de ouvir os hinos, assistir às marchas militares e comemorar as festas e glórias navais, e hasteávamos o pavilhão nacional. Meu pai também foi piloto particular e me levava para voar com meus irmãos. Por isso, creio que a navegação e a aviação se tornaram minha paixão desde pequena.

Diálogo: Quais as capacidades necessárias para pilotar a aeronave de instrução PC 7 Pilatus e quais são as diferenças de sua atual aeronave P68 Observer II?

1º Ten Figueroa: Eu aprendi a voar na PC 7 Pilatus e desenvolvi várias capacidades, como a de multitarefa e interpretar a informação em três dimensões, para ter uma consciência situacional que permita operar a aeronave de forma segura, entre outras habilidades. Atualmente, pertenço ao Esquadrão de Propósitos Gerais VC-1 e estou na fase de qualificação para voar o P68 Observer II, que realiza várias missões, como busca e resgate de pessoas e controle da fiscalização da pesca, entre outras.

Diálogo: Como a senhora combina o fato de ser navegante e aviadora para o sucesso de suas missões? O que mais a atrai em sua profissão?

1º Ten Figueroa: Ser marinheiro não é apenas um trabalho, mas sim um estilo de vida. O atrativo dessa profissão é que é uma função de serviço e de entrega à pátria; porém, creio que, no fundo, uma das coisas que mais atraem é a diversidade que essa carreira militar naval nos oferece. No meu caso, atuo na aviação naval como piloto, mas poderei, em cerca de dois anos, por exemplo, navegar e treinar nos navios auxiliares no sul, para apoiar a conexão dos territórios isolados.

Diálogo: A senhora se lembra de algum desafio em particular que tenha enfrentado durante sua carreira militar?

1º Ten Figueroa: Estou há aproximadamente 10 anos na carreira militar e esse é meu segundo ano como 1º tenente. Creio que um de meus maiores desafios foi o de ser uma grande líder. Eu me lembro que, ao concluir a Escola Naval, eu tinha 21 anos e, quando me enviaram para o navio patrulheiro PSG-73 Isaza, havia sob minha responsabilidade pessoas mais velhas e com muita experiência de navegação. Naquele momento, entendi que um líder deve ter capacidade de comando frente aos subordinados, para que suas ordens sejam cumpridas, não apenas porque se tem superioridade militar sobre eles, mas também porque efetivamente os subordinados confiam que a ordem recebida seja a melhor. Foi uma experiência muito gratificante para mim.

Diálogo: O que ainda falta para que haja uma maior equidade de gênero na Marinha do Chile?

1º Ten Figueroa: A Marinha fez um esforço muito grande para integrar a mulher em suas fileiras. A única forma de poder criar maior equidade não é com respeito às possibilidades no interior da Marinha, mas que as mulheres se postulem a ela, já que há uma grande diferença entre o número de homens e mulheres que se alistam para ingressar na instituição. Eu me lembro que na minha época éramos 98 pessoas matriculadas e entre elas apenas nove éramos mulheres, uma diferença abismal em relação à porcentagem de alistamentos.

Talvez seja preciso que as mulheres vejam que, ao pertencerem às Forças Armadas, isso não é uma questão de oportunidades, porque, pelo menos aqui na aviação naval, não interessa o fato de ser homem ou mulher; o que interessa é que a pessoa tenha capacidade e cumpra as exigências para poder concluir e levar o curso adiante; isso não é uma questão de gênero.

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