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Primeira mulher a comandar uma unidade de Infantaria do Exército do Uruguai

Primeira mulher a comandar uma unidade de Infantaria do Exército do Uruguai

Por Juan Delgado/Diálogo
março 19, 2021

A Tenente-Coronel do Exército do Uruguai Ana Lucas assumiu no início de fevereiro de 2021 o cargo de chefe do Batalhão Florida, sendo a primeira mulher a comandar uma unidade de infantaria na história do Exército do Uruguai. Ela se destaca na sua carreira profissional como paraquedista e também por sua participação em missões de paz, como a Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO, em francês). A Ten Cel Lucas comandará 249 soldados de diferentes hierarquias, liderando a unidade sob o poder legislativo. Diálogo conversou com a Ten Cel Lucas para saber mais sobre sua carreira profissional e os desafios de seu novo cargo.

Diálogo: O que significa sua designação como primeira mulher a comandar uma unidade de infantaria?

Tenente-Coronel do Exército do Uruguai Ana Lucas, chefe do Batalhão Florida: Foi um grande orgulho e uma enorme responsabilidade ser designada chefe do 1º Batalhão Florida de Infantaria, chefe de uma unidade histórica e a mais antiga na arma de Infantaria. [A unidade foi criada em 1829].

Diálogo: Como começou sua história no Exército do Uruguai?

Ten Cel Lucas: Começou em 1999, quando entrei para a Escola Militar, e me formei com a patente de 2º tenente de Infantaria em dezembro de 2002.

Diálogo: Quais os principais desafios que a senhora enfrentou em sua carreira profissional?

Ten Cel Lucas: Os grandes desafios foram as especializações e as missões de paz: sou paraquedista militar; quando fiz esse curso foi um desafio, pois não havia mulheres oficiais combatentes paraquedistas e, quando tive autorização e consegui a especialização, as portas foram abertas para as demais. Então, foi em parte uma pressão e uma grande responsabilidade, e desde 2008 sou paraquedista. O mesmo ocorreu com o Curso Comando (Forças Especiais), onde consegui entrar, mas não obtive a especialização porque o curso foi cancelado pelo falecimento de um companheiro. E depois, as duas missões de paz [dois períodos no Congo, em 2006 e 2010].

Diálogo: Qual foi sua função na MONUSCO?

Ten Cel Lucas: Em 2006, eu era 2º tenente e fui chefe de seção da Equipe de Combate Delta. Comandava 43 homens; com eles eu fazia ginástica militar, patrulhas mecanizadas e transportadas em helicópteros, e todas as missões que o Batalhão Uruguai IV nos delegava. Foi nesse ano que houve eleições no Congo, e por isso trabalhamos muito duro, o que muito me agradou e fortaleceu minha liderança entre eles. Em 2010, eu era 1º tenente e fui oficial executivo da Equipe de Combate Delta. Era encarregada da logística de minha equipe e fui destacada para a selva Busurungi com 43 homens sob meu comando. Tínhamos a missão de DDR (Desarme, Desmobilização e Repatriação) de um grupo rebelde que havia incendiado as aldeias do lugar e violentado várias mulheres e meninas. Nossa missão durou 21 dias e estivemos sob fogo por duas noites. Graças a Deus, voltei com a totalidade de meus homens, sãos e salvos.

Diálogo: A senhora acredita que seu novo posto pode estimular outras mulheres a entrarem para o Exército?

Ten Cel Lucas: Talvez sim; creio que os exemplos que mostrem resultados positivos depois de tanto sacrifício, estudos, capacitação, dedicação e perseverança são encorajadores para segui-los.

Diálogo: Qual a mensagem que a senhora gostaria de deixar às mulheres militares das forças armadas em serviço ativo?

Ten Cel Lucas: Que acreditem nelas mesmas, que nunca digam que “não pode ser feito” e que se capacitem, se especializem e se profissionalizem… E que sejam perseverantes.

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