Peru, NASA e USAID criam plataforma de satélite para proteger o Amazonas

Peru, NASA e USAID criam plataforma de satélite para proteger o Amazonas

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
julho 13, 2021

Graças a um acordo de cooperação entre o governo do Peru, a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA, em inglês) e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, em inglês), agora é possível monitorar as atividades de mineração ilegal e desmatamento na Amazônia peruana, com a Ferramenta de Monitoramento de Mineração por Radar (RAMI, em inglês), lançada oficialmente no dia 16 de junho de 2021, revelou o Ministério do Ambiente (MINAM) do Peru em um comunicado.

O acordo faz parte do programa SERVIR-Amazônia, uma iniciativa conjunta de desenvolvimento entre a NASA e a USAID, que estimula a resiliência e as políticas ambientais no mundo. O SERVIR trabalha com as autoridades locais para solucionar problemas com o uso de imagens de satélite, dados geoespaciais e ferramentas de análises disponíveis para o público.

Os alertas de mineração da RAMI contribuirão para minimizar o impacto da mineração ilegal de ouro que afeta o meio-ambiente, a saúde das pessoas, a economia e a segurança da Amazônia peruana. (Foto: Marinha de Guerra do Peru)

Por esse motivo, uma equipe de pesquisadores peruanos do grupo de Conservação Amazônica (ACCA), o Estado peruano e a NASA desenvolveram a ferramenta de uso de satélites RAMI, para identificar pontos críticos de mineração de ouro e examinar sua proximidade a zonas protegidas, terras indígenas e áreas degradadas na selva amazônica, explicou a NASA em um comunicado.

A plataforma usa imagens de satélite, dados planetários e ferramentas de análise. A RAMI tem capacidade de penetrar as nuvens, inclusive em tempos de chuva, gerando informações em tempo real durante todo o ano, explicou o MINAM em nota.

O Observatório da Terra da NASA explicou que os alertas de mineração da RAMI são atualizados a cada 15 dias. Além disso, acrescentou que a nova plataforma para monitorar está na internet e aberta ao público.

“Essa é uma grande contribuição para melhorar o acesso à informação, a justiça ambiental e a atuação oportuna para erradicar o desmatamento causado pela mineração de ouro na Amazônia”, disse o vice-ministro de Gestão Ambiental do MINAM Mariano Castro, durante o lançamento da RAMI. “Nosso principal objetivo é empoderar as autoridades e dar-lhes recursos suficientes para priorizar e enfocar seus esforços”, acrescentou Sidney Novoa, gerente de projeto do SERVIR-Amazônia e pesquisador do ACCA.

Efeitos devastadores

Nos últimos 30 anos, a mineração de ouro em pequena escala causou a perda de mais de 100.000 hectares de bosques na Amazônia peruana, informa o site do Observatório da Terra da NASA. “Embora as autoridades tenham tido sucesso em deter essa atividade nos últimos anos, ainda aparecem novos pontos críticos de mineração em zonas não autorizadas”, ressalta.

O impacto da exploração ilegal de ouro “prejudica a saúde das pessoas, a economia, e atenta contra a segurança, gerando máfias e assassinatos de aluguel”, disse na internet o Centro de Estudos Estratégicos do Exército do Peru. “Além disso, faz com que milhares de meninos, meninas, adolescentes e mulheres sejam vítimas de exploração de trabalho, exploração sexual e tráfico de pessoas.”

“Esse é um claro exemplo do SERVIR em ação, combinando métodos de tecnologia de ponta com as necessidades reais no terreno”, comentou, em comunicado da NASA, África Flores, responsável pela coordenação científica da NASA no SERVIR-Amazônia. “Esse foi um passo à frente na proteção do clima amazônico peruano, de suas águas limpas e sua rica herança ecológica”, acrescentou ao relatório Sandra Cauffman, diretora adjunta da Divisão de Ciências da Terra da NASA.

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