Uma força multinacional requer coordenação nos níveis humano, técnico e processual, para conduzir suas operações de forma eficaz. Além disso, os comandantes dessa força devem estar cientes e atentos aos seus parceiros de missão na tomada de decisões, em um ambiente de confiança mútua. Isso é exatamente o que foi alcançado mais uma vez no PANAMAX, que reuniu 20 nações parceiras para trabalhar em prol de um objetivo comum: defender o Canal do Panamá e manter a estabilidade regional.
Em sua 21ª edição, o PANAMAX, um exercício multinacional bienal patrocinado pelo Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM), foi realizado de 5 a 14 de agosto em vários estados dos EUA, incluindo Arizona, Flórida, Texas e Virgínia, que serviram de cenário para os vários componentes da Força Multinacional Sul (MNFS), criada para esse exercício.
“Seus países dependem de vocês. Eles dependem de vocês […] para sua segurança e sua democracia. E é por isso que temos que exercitar-nos juntos, para superar os desafios, porque […] temos inimigos, criminosos e terroristas que acordam todos os dias tentando assassinar-nos”, disse a General de Exército Laura J. Richardson, do Exército dos EUA, comandante do SOUTHCOM, na cerimônia de encerramento do exercício. “Então, como vamos redobrar nossos esforços e trabalhar melhor juntos, além das fronteiras, para encurralar o inimigo? Exatamente como vocês fizeram aqui, no PANAMAX.”
Preparando o cenário

Mais de 1.500 membros das Forças Armadas dos EUA, incluindo o pessoal do SOUTHCOM; Exército Sul; Forças Aéreas Sul; Forças do Corpo de Fuzileiros Navais, Sul; Forças Navais do Comando Sul; e Comando de Operações Especiais, participaram do exercício.
Além disso, cerca de 500 participantes da Argentina, Belize, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Honduras, Jamaica, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai se uniram para treinar e responder juntos a ameaças transnacionais simuladas em um país e região fictícios.
“Em pouco tempo, conseguimos encontrar, com paciência, trabalho árduo e muita vontade, pontos em comum entre nossas doutrinas e costumes militares. Compartilhamos, em um ótimo ambiente de trabalho, experiências, conhecimentos e novas visões que nos servirão em um futuro próximo, para enfrentar situações da vida real”, disse o General de Brigada Eduardo Valdivia Méndez, do Exército do Chile, comandante do Comando do Componente Terrestre das Forças Combinadas do PANAMAX 24, durante a cerimônia de encerramento.
Durante o exercício, os participantes enfrentaram uma organização extremista violenta fictícia, que buscava derrubar o governo de um país fictício da América Central e interromper o livre fluxo de tráfego no Canal do Panamá, realizando vários ataques mortais. Os participantes, comprometidos com a segurança regional, reuniram-se em uma coalizão liderada pelos EUA, com Argentina, Brasil, Chile e Peru, compartilhando o comando dos principais componentes da força para esta edição do exercício. Juntos, eles responderam a uma ampla variedade de missões nos domínios aéreo, terrestre, marítimo, espacial, cibernético e de informações, demonstrando que os desafios regionais exigem soluções cooperativas.
“A importância do Canal do Panamá deve ser destacada; seu funcionamento tem um impacto em todo o mundo”, disse à Diálogo o Subcomissário Félix Kirven, do Serviço Nacional Aeronaval do Panamá. “Vinte e um anos depois, evoluímos para os domínios que temos hoje, terrestre, aéreo e marítimo, e agora com a tecnologia e seus desafios. Contamos com 20 países [participantes] e tivemos até mesmo observadores da Espanha, para mostrar o conhecimento, a fraternidade e os procedimentos que tornam a interoperabilidade um fato. Não é fácil reunir tantas pessoas, cada uma com seus próprios pensamentos e, em um curto período de tempo, seguir em uma única direção. Acho que essa é uma das conquistas mais importantes”, acrescentou.
O exercício, que começou em 2003 com apenas três países (Chile, Estados Unidos e Panamá), evoluiu até tornar-se um evento crucial para as forças de segurança do Hemisfério Ocidental, com participação em todos os continentes. Hoje, o PANAMAX é um exercício fundamental para fortalecer a interoperabilidade e promover a cooperação para a estabilidade regional.
“O que eu vejo aqui na audiência é a Equipe Democracia”, disse a Gen Ex Richardson. “Vejo a Equipe Democracia […] e o trabalho em equipe é o que resiste a tudo […]. Enquanto continuarem lutando contra criminosos e terroristas em seus próprios países, estaremos sempre aqui como companheiros de equipe com vocês. Sempre! A Equipe Democracia vence no final do dia, com base na confiança e nos relacionamentos que mantemos”, concluiu.


