O Colégio Interamericano de Defesa (CID) completa 60 anos em 2022. Para celebrar a data, Diálogo visitou a instituição educacional, localizada em Fort Lesley J. McNair, Washington, D.C., para conversar com seu diretor, o General de Brigada James Taylor, da Guarda Nacional do Exército dos EUA.
Diálogo: Qual é a relevância do CID hoje?
General de Brigada James Taylor, da Guarda Nacional do Exército dos EUA, diretor do CID: Este ano, o CID celebra seu 60º aniversário. Em nossa fundação, nossa diretriz era a defesa continental. No ano passado, a Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) nos reconheceu formalmente, por votação unânime em uma resolução, como padrão para a educação conjunta, interagências, intergovernamental, e multinacional de segurança e defesa.
O hemisfério envia seus futuros líderes para estudar aqui. A taxa de promoção de nossos graduados a oficial comandante ou embaixador é de 30 por cento. Nenhuma outra faculdade de serviço sênior no hemisfério tem essa taxa de promoção. Atualmente, 11 dos ministros de Defesa/Segurança ou chefes de Defesa que servem no hemisfério são nossos ex-alunos. Oito dos embaixadores que servem na OEA ou aqui no CID também são nossos ex-alunos.
Somos a única universidade verdadeiramente internacional credenciada neste planeta. Duas coisas fazem de nós uma universidade internacional. Em primeiro lugar, nossos alunos e pessoal são internacionais e superam amplamente o pessoal da nossa nação anfitriã. Em segundo lugar, nosso órgão dirigente é uma organização internacional. Existem duas outras universidades verdadeiramente internacionais: o Colégio de Defesa da OTAN e a Universidade da ONU. No entanto, nenhuma dessas duas é credenciada para conceder um diploma. Elas o fazem através de organizações parceiras. Nós somos os únicos.
Finalmente, somos extremamente relevantes por causa de nossa diversidade intrínseca. Somos diversificados em gênero, cultura e idioma. Fazemos tudo nos quatro idiomas oficiais do hemisfério. Em qualquer momento, entre 14 e 17 países do hemisfério estão representados aqui. Somos formados por militares, oficiais de imposição da lei, civis do governo e diplomatas; e 25 por cento do nosso pessoal é feminino.

Diálogo: Que desafios a América Latina enfrenta atualmente que, consequentemente, são o foco principal do CID?
Gen Bda Taylor: Os desafios que nosso hemisfério enfrenta podem ser caracterizados como problemas complexos, multidimensionais e transnacionais que são multi-domínios. Como sabemos pela matemática, um problema complexo é aquele que requer mais de uma solução. Uma única solução não resolve um problema complexo. Portanto, nenhum país por si só vai resolver um problema complexo, multidimensional e transnacional. Dentro de um país, uma única agência não resolverá o problema e um único país agindo por si só não resolverá o problema.
Portanto, se o problema for o crime organizado transnacional, refugiados ou a pesca ilegal e não regulamentada, uma única agência dentro de um país, ou um único país por si só, não resolverá o problema. A solução de problemas multidimensionais transnacionais complexos requer a colaboração entre agências dentro de um país, bem como a colaboração multinacional fora de um país, ou não são resolvidos.
O CID, a universidade deste hemisfério, educa os estudantes para que se tornem pensadores críticos, que sejam especialistas em segurança e defesa interamericana, para que possam funcionar em um ambiente interagências dentro do seu país e em um ambiente multilateral fora do seu país, para resolver problemas complexos e tornarem-se líderes estratégicos.
Diálogo: As chamadas novas ameaças que afetam a América Latina – ainda que consideradas questões extremamente importantes – podem ser consideradas mais relacionadas à segurança do que à defesa?
Gen Bda Taylor: A OEA se refere a elas como ameaças multidimensionais e o mecanismo para enfrentá-las é chamado de segurança multidimensional. Não é uma questão de se elas estão relacionadas à segurança ou à defesa; elas estão realmente relacionadas à segurança e à defesa. Ambas devem trabalhar em conjunto para enfrentar a ameaça usando os recursos e as autoridades legais à sua disposição.
Diálogo: A maioria dos analistas estratégicos diria, há apenas algumas semanas, que a guerra tradicional está morta. Entretanto, a invasão da Ucrânia pela Rússia provou que eles estavam errados. Este fato afetará o CID de alguma forma, especialmente no que se refere aos seus currículos?
Gen Bda Taylor: Eu diria que os analistas estratégicos que publicaram que a guerra tradicional está morta não só se esqueceram de sua história, como também poderiam se beneficiar de uma revisão de teóricos clássicos como Clausewitz. Parte de nosso currículo educacional se concentra na análise e resolução de conflitos, na política de segurança e defesa, em relações internacionais e no pensamento estratégico.
Fazemos um esforço conjunto para garantir a inclusão dos eventos atuais no mundo, bem como o que está sendo discutido no Comitê de Segurança Hemisférica, em nossos cursos, nas discussões em pequenos grupos e em nossos grupos de trabalho. Nossa educação prepara futuros líderes estratégicos, ensinando-lhes como analisar e avaliar os problemas. E nosso uso do material atual nas discussões e grupos de trabalho lhes permite um mecanismo para aplicá-lo.
Diálogo: O senhor é o diretor do CID desde julho de 2018. Qual foi seu maior desafio e qual foi a lição mais importante que aprendeu?
Gen Bda Taylor: Deixe-me responder a essa pergunta dizendo primeiro que estou convencido de que o CID é o melhor lugar para se servir neste planeta. Não acredito que exista uma organização que tenha seu alcance ou nível de aceitação e suas recompensas. O maior desafio e a lição mais importante aprendida são os mesmos. Orquestrar os esforços e a comunicação entre culturas requer um esforço ativo e produz um enorme valor.
O CID é uma mistura de culturas. Nós temos uma cultura acadêmica com nossos doutores civis. Temos uma cultura civil, militar, de oficiais, graduados, intérpretes e de diversidade de gênero. Temos de 14 a 17 países com suas tradições, valores e cultura únicos. E temos quatro idiomas falados em qualquer momento.
Além disso, cerca de 50 por cento de nosso pessoal que se alterna em cada verão. Portanto, em cada mês de julho há uma nova equipe. Como resultado, devemos trabalhar ativamente para garantir que essa mistura de culturas seja harmoniosa e que aprendamos a comunicar-nos efetivamente. Tudo isso está ligado ao nosso valor institucional de respeito mútuo que nos permite reunir com sucesso muitas culturas.
Diálogo: Que legado o senhor quer deixar para seu sucessor?
Gen Bda Taylor: Uma organização cujo padrão é a excelência, cujos diplomas são relevantes e atuais, e cuja extensão e pesquisa agregam valor ao hemisfério.
Para ver a entrevista completa com o General de Brigada James Taylor, da Guarda Nacional do Exército dos EUA, diretor do CID, clique no seguinte link: https://dialogo-americas.com/pt-br/articles/general-de-brigada-james-taylor-da-guarda-nacional-do-exercito-dos-eua-diretor-do-cid/#.YqC8gcXMLZ4


