O ataque de Pequim a uigures não é antiterrorismo

O ataque de Pequim a uigures não é antiterrorismo

Por Leigh Hartman/ShareAmerica, editado por Diálogo
janeiro 02, 2020

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O governo chinês insiste que sua prática de deter e reeducar os uigures e outras minorias étnicas muçulmanas faz parte de operações legítimas de combate ao terrorismo.

As autoridades chinesas internaram mais de 1 milhão de uigures, cazaques étnicos e outros muçulmanos em acampamentos onde os prisioneiros são forçados a renunciar suas identidades religiosas e étnicas e jurar lealdade ao Partido Comunista. Os prisioneiros são frequentemente torturados e obrigados a fazer trabalhos forçados. Os principais alvos da repressão são os intelectuais uigures, cujos textos e ensinamentos promovem a cultura uigur.

Além disso, o governo chinês demoliu cemitérios uigures, para impedir que as famílias observem a tradição uigur e os ritos funerários islâmicos, proibiu os pais de darem nomes islâmicos aos seus filhos e forçou os muçulmanos a comerem carne de porco ou beber álcool – ambas práticas proibidas no Islã –, impedindo assim que as famílias muçulmanas pratiquem sua fé.

“A campanha repressiva da China em Xinjiang não é sobre terrorismo”, disse o secretário de Estado do EUA, Mike Pompeo, em uma reunião dos Estados da Ásia Central durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2019. Trata-se “de uma tentativa da China de extinguir a religião e a cultura muçulmanas de seus próprios cidadãos”.

Naquela mesma semana, o embaixador chinês alegou que os acampamentos são experimentos úteis no combate preventivo ao terrorismo.

O subsecretário de Estado do EUA John Sullivan rejeitou categoricamente as alegações da China, afirmando que a ideia de que o governo chinês está realizando um combate ao terrorismo é uma “narrativa falsa”. Os muçulmanos uigures “podem ser detidos simplesmente por possuírem livros sobre a religião e a cultura uigur, recitarem o Alcorão em um funeral, ou até mesmo trajarem vestimentas que exibem a meia-lua muçulmana”, disse.

“O que a China está fazendo não é antiterrorismo”, afirmaram Sam Brownback, embaixador-geral para Assuntos de Defesa da Liberdade Religiosa Internacional, do Departamento de Estado do EUA, e Nathan Sales, coordenador do Combate ao Terrorismo, do Departamento de Estado dos EUA, em um artigo publicado em maio. “É uma repressão hedionda, em grande escala.”

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