Triângulo Norte realiza operação contra gangues

Northern Triangle Launches Operation against Gangs

Por Lorena Baires/Diálogo
janeiro 02, 2019

Os países do Triângulo Norte iniciaram a Operação Escudo Regional III para enfraquecer ainda mais as intrincadas redes de pirataria, extorsão e narcotráfico da Mara Salvatrucha e da Barrio 18. As promotorias e as polícias de El Salvador, Guatemala e Honduras organizaram as invasões, os confiscos e as capturas de líderes de ambas as gangues, simultaneamente, no dia 6 de novembro de 2018.

“Atingimos um alto nível de coordenação entre os três países para operar contra as gangues e dar uma solução às pessoas que aguardam a justiça”, explicou Álvaro Rodríguez, coordenador nacional antiextorsões da Promotoria Geral de El Salvador. “Sabemos que as decisões enviadas pelos porta-vozes transnacionais das gangues partem de um consenso de liderança existente nas prisões e nas ruas.”

A operação foi realizada em El Salvador em sete dos 14 estados que formam o território nacional: os estados ocidentais de San Salvador, La Libertad e Santa Ana, bem como no leste do país, em Usulután, San Miguel, La Unión e Morazán. A operação atingiu 18 estruturas de ambas as gangues e conseguiu deter 501 líderes que ordenavam homicídios, extorsões e tráfico de drogas.

“Com essa operação, foram solucionados 62 casos de homicídios, 25 privações de liberdade, onde não encontramos as vítimas, e 62 casos de extorsão, entre outros crimes”, informou Rodríguez à Diálogo. “Atingimos diversas estruturas terroristas em sete dos 14 estados do país onde havia ordens de prisão.”

Na capital, São Salvador, os esforços se concentraram em desarticular uma estrutura da Barrio 18 dedicada à prática de extorsão contra os comerciantes de um conhecido mercado atacadista, principal centro de abastecimento de frutas e verduras da cidade. O grupo era formado por 50 indivíduos que recolhiam mais de US$ 50.000 mensais.

O líder do grupo, Marlon Salvador, conhecido como o Saico, era proprietário de vários negócios no mercado, que utilizava como empresas de fachada para lavar o dinheiro proveniente da prática de extorsão. Estima-se que sua renda mensal pessoal girasse em torno de US$ 16.000.

A Guatemala realizou 88 invasões em 11 estados do país para golpear diversas estruturas da Barrio 18 e de um grupo criminoso conhecido como Los Imitadores. Os criminosos se faziam passar por membros de gangues para praticar extorsões contra donos de empresas de ônibus urbanos, taxis e mototaxis.

“Ambas as estruturas são responsáveis por cobranças ilegais desde o ano passado [2017]. Elas operavam através de ligações ou mensagens telefônicas, pelas quais ameaçavam suas vítimas”, garantiu à Diálogo Emma Flores, promotora contra o crime de extorsão da Promotoria Geral da Guatemala. “As vítimas faziam os pagamentos por meio de depósitos bancários ou pessoalmente, para evitar que as matassem.”

Segundo as investigações, ambos os grupos obtiveram pelo menos US$ 48.000 de centenas de vítimas distribuídas nos estados de Guatemala, Quetzaltenango, Retalhuleu, Jalapa, Jutiapa, Escuintla, Huehuetenango, San Marcos, Suchitepéquez, Izabal e Sacatepéquez.

Quanto a Honduras, a Promotoria Especial de Crimes contra a Vida golpeou diversas redes da Barrio 18 vinculadas a 14 assassinatos violentos cometidos na capital e contra menores de idade e mulheres. Os subgrupos também estão vinculados a roubos agravados, roubos de veículos, compra de veículos roubados, porte ilegal e comércio de armas e associação para o crime.

“Entendemos que o problema não está resolvido apenas com a captura e o envio à prisão. Devemos privá-los de todos os recursos ilícitos, para que não tenham capacidade operacional nem possam financiar operações ilegais a partir dos centros penitenciários”, disse à Diálogo José María Salgado, diretor das promotorias de Honduras.

Instrumento regional

Na mesma manhã das operações, os promotores de El Salvador, Guatemala e Honduras assinaram um acordo de entendimento para promover a perseguição penal estratégica regional e a coordenação de mais operações conjuntas para combater o crime organizado transnacional. Eles concordaram em criar uma força-tarefa transnacional para fortalecer o trabalho conjunto e o intercâmbio oportuno de informações para a perseguição dos criminosos no Triângulo Norte da América Central.

“A unificação dos nossos esforços permitirá um combate frontal e eficiente às estruturas do crime transnacional para desarticulá-las e entregar seus integrantes aos sistemas judiciais”, declarou à imprensa María Consuelo Porras, promotora geral da Guatemala. “Compartilhar informações e as boas práticas será determinante, pois nossa localização geográfica é estratégica para deter essas quadrilhas criminosas.”

Depois da assinatura do acordo, os promotores devem definir os mecanismos de intercâmbio de informação rápida e segura, de acordo com as diretrizes vigentes em cada Estado. Os principais crimes a serem combatidos são o narcotráfico, o tráfico de pessoas, a corrupção, o roubo de veículos, a lavagem de dinheiro e o fenômeno das gangues e maras, entre outros.

“Passamos por situações complicadas em relação às facetas da criminalidade e esse acordo nos permitirá unificar os esforços para combater as estruturas transnacionais”, disse à imprensa Douglas Meléndez, promotor geral de El Salvador. “Entendemos que não podemos lutar contra eles isoladamente, porque eles não têm fronteiras; por isso, devemos trabalhar juntos. Vamos tirar deles as vantagens e evitar que transformem nossos territórios em seus paraísos”, finalizou Salgado.
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