‘No Panamá, acreditamos em alianças estratégicas’

Juan Manuel Pino assumiu o cargo de ministro da Segurança Pública do Panamá, em 5 de fevereiro de 2020. Desde então, ele tem se comprometido a focar as agências de segurança de seu país no trabalho em equipe como um dos eixos fundamentais para combater as organizações criminosas, fornecer segurança nas fronteiras terrestres, marítimas e aéreas, enfrentar o problema da migração ilegal, erradicar a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (INN) e proteger os cidadãos, entre outros objetivos.

Para discutir sua abordagem, o ministro Pino recebeu Diálogo nos escritórios do Ministério na Cidade do Panamá.

Diálogo: Em que consiste a estratégia de segurança do Panamá?

Juan Manuel Pino, ministro da Segurança Pública do Panamá: A estratégia é baseada no plano de ação do Governo Unindo Forças. A estratégia inclui ações antidrogas que funcionaram muito bem e demonstraram resultados positivos na contabilização de apreensões em 2021 e 2022. A estratégia inclui o plano abrangente de segurança do cidadão, que é a parte de prevenção de como chegamos às comunidades, e inclui o controle de armas, não apenas apreendendo-as, mas também com programas preventivos nas comunidades, para que as pessoas entreguem voluntariamente as armas em troca de vales-alimentação.

Da mesma forma, estão previstas ações contra o crime organizado, coordenadas diretamente com o Ministério Público, onde realizamos operações em grande escala e desferimos golpes decisivos contra organizações criminosas desde 2020. O Panamá e os Estados Unidos assinaram um memorando de entendimento para estabelecer uma força-tarefa contra a lavagem de dinheiro e a corrupção, que incluiu promotores, agentes dos órgãos de segurança e reguladores do Panamá, e recebemos assessoria do Bureau Federal de Investigações (FBI).

Temos a estratégia de controle de migração, criada para enfrentar a crise migratória, que já está causando impacto no Panamá em termos econômicos, de segurança e humanitários; e a estratégia de segurança de fronteira, para enfrentar os atos ilegais de organizações criminosas, porque o Panamá não produz drogas, mas há contrabando que vem do exterior, tráfico de pessoas, roubos e outros delitos.

O ministro da Segurança Pública do Panamá, Juan Manuel Pino, na destruição de 1.062 armas de fogo na sede da Polícia Nacional, em 27 de julho de 2023. Dessas, 687 são armas recuperadas como resultado de crimes e 375 correspondem a armas de fogo recuperadas por meio do programa de entrega voluntária “Pacificando meu bairro e construindo um futuro”. (Foto: Ministério da Segurança Pública do Panamá)

Diálogo: Nos últimos dois anos, o Panamá apreendeu quantidades recordes de drogas, ultrapassando 100 toneladas métricas por ano. Qual é a razão desse sucesso?

Ministro Pino: Esse sucesso foi alcançado pela união dos esforços das agências de segurança da Polícia Nacional, do Serviço Nacional de Fronteiras (SENAFRONT) e do Serviço Nacional Aeronaval (SENAN) com um objetivo comum. O Panamá assinou um memorando de entendimento com a Embaixada dos EUA, no qual foi consolidado o Centro Regional de Operações Aeronavais (CROAN), onde chegam todas as informações de inteligência na luta contra o tráfico de drogas, e criamos a Força Marítima Conjunta do Panamá. A unificação da inteligência produziu resultados históricos em 2021 e 2022, e o trabalho continua, pois as interdições marítimas são as operações mais difíceis e arriscadas no mar, especialmente quando são realizadas à noite.

Diálogo: No dia 2 de junho [de 2023], o Panamá lançou a campanha Escudo e a Operação Chocó. Em que consistem?

Ministro Pino: A campanha Escudo nasceu através da estratégia de segurança de fronteiras, onde vimos que o trânsito de migrantes ilegais continuaria a ter consequências e transformou a crise migratória em um problema de segurança nacional. Escudo busca fortalecer nosso setor de fronteira para combater o crime organizado, que está lucrando com a migração. Escudo também busca ajudar as comunidades panamenhas de difícil acesso do Panamá, que estão no setor de Darién, por meio de operações de assuntos civis e de ação integrada.

Diálogo: O Panamá e a Colômbia têm fortes laços de cooperação em matéria de segurança por meio da Comissão Binacional de Fronteiras, um mecanismo que materializou a criação de um modelo único de segurança de fronteiras na região. O que as nações parceiras podem aprender com esse modelo?

Ministro Pino: No Panamá, acreditamos muito em alianças estratégicas. A relação histórica quanto à segurança com a Colômbia levou às melhores operações coordenadas de alto impacto contra o crime organizado, alcançadas com a construção e implementação de três postos de fronteira binacionais nas montanhas, para controlar os flagelos do crime organizado, onde soldados e policiais da Colômbia e do SENAFRONT interagem. Com a Costa Rica, temos planos de estabelecer postos binacionais. É uma questão de trabalhar de forma coordenada e confiante, pois é a confiança que temos com a Colômbia e a Costa Rica, com as forças de segurança, que nos permite operar contra o crime organizado. Somos um exemplo de trabalho conjunto com a Costa Rica e a Colômbia, porque essa é a única maneira de combater o flagelo dessas organizações criminosas transnacionais que não têm fronteiras.

Diálogo: Que tipo de apoio está sendo prestado entre o Panamá e a Força-Tarefa Conjunta Bravo (JTF-Bravo) do Comando Sul dos EUA?

Ministro Pino: Tenho que agradecer a relação que temos com a JTF-Bravo, que nos apoiou em momentos de emergência, como o furacão ETA e outros, em ações civis de transporte de salas de aula modulares para áreas de difícil acesso e em visitas médicas. Em 2022, fizemos duas operações humanitárias com a JTF-Bravo, este ano fizemos uma e temos projeções para janeiro do próximo ano.

Diálogo: A participação dos cidadãos desempenhou um papel importante na entrega voluntária de mais de 1.400 armas de diferentes calibres, por meio do programa “Pacificando meu bairro e construindo um futuro”. Como conseguiram envolver os cidadãos?

O ministro da Segurança Pública do Panamá, Juan Manuel Pino, visitou a comunidade de Alto Del Terrón, no distrito de Bledeshia, Comarca Ngäbe Buglé, para discutir questões de segurança e compartilhar com a população e as crianças. (Foto: Ministério da Segurança Pública do Panamá)

Ministro Pino: Conseguir a aceitação do público não é fácil, se não houver confiança. Levamos esse programa a várias províncias do Panamá e as pessoas entregaram armas longas e curtas, explosivos, munições, equipamentos de combate etc. Esse programa tem sido mais eficaz do que nunca na história do Panamá, onde uma pessoa entrega uma arma e recebe um vale para alimentação. Acreditamos que ainda existem muitas armas armazenadas, mas informamos ao público que, por exemplo, as armas de calibre automático no Panamá são proibidas e têm penas de 6 a 8 anos. Outros países vieram para ver como funciona, mas o mais importante é que haja uma conexão com a comunidade. As armas que são entregues são destruídas publicamente, para que todos possam ver qual é o destino final da arma.

Diálogo: O Panamá assinou uma aliança com a ONG Marine Protection Alliance (MPA), para realizar ações que permitam enfrentar as ameaças representadas pela pesca INN. Em que consiste essa aliança?

Ministro Pino: A aliança consiste em uma plataforma de monitoramento para vigiar a área protegida do Pacífico Sul do Panamá, com a participação do Ministério do Meio Ambiente, da Autoridade Marítima do Panamá e da Autoridade de Recursos Aquáticos do Panamá. O navio Shark Water e dois barcos de bandeira panamenha com tripulação do SENAN, do Ministério do Meio Ambiente e uma tripulação da MPA serão usados para ajudar a monitorar e prevenir atividades de pesca INN.

Diálogo: O Ministério da Segurança Pública recebeu uma doação de 63 veículos todo-terreno do tipo jipe, modelo J8, dos EUA. Qual é a importância dessa doação?

Ministro Pino: Gostaria de agradecer ao Escritório de Cooperação em Defesa da Embaixada, que providenciou a doação desses veículos, a maioria dos quais será usada pelo SENAFRONT, para ter um impacto direto na área de fronteira da província de Darién, para combater o crime organizado, já que serão usados em operações de controle territorial, operações de infiltração antidrogas, verificações em postos de guarda e de controle, em patrulhas preventivas e ações de busca e resgate.

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