Mineração: relatório da ONU cita atrocidades cometidas contra venezuelanos

Mineração: relatório da ONU cita atrocidades cometidas contra venezuelanos

Por Noleani Kirschner/Share America
setembro 01, 2020

De acordo com um relatório das Nações Unidas, o Arco de Mineração do Orinoco na Venezuela está repleto de histórias de violações dos direitos humanos, incluindo exploração e tráfico sexual, além de assassinatos.

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, divulgou um relatório em 15 de julho contendo relatos de vítimas e testemunhas que detalham os abusos cometidos contra mineiros e povos indígenas na região do Arco de Mineração. O relatório também aborda assassinatos extrajudiciais que continuam ocorrendo em todo o país sob o regime ilegítimo de Nicolás Maduro e seus comparsas.

“As autoridades devem tomar medidas imediatas para acabar com a exploração laboral e sexual, o trabalho infantil e o tráfico de pessoas, e devem desmantelar os grupos criminosos que controlam as atividades de mineração”, disse Bachelet em uma declaração. “Elas também devem investigar, processar e punir os responsáveis ​​por violações dos direitos humanos, abusos e crimes.”

O Arco de Mineração do Orinoco ocupa uma extensão de 112.000 quilômetros quadrados na parte central do país, que contém metais valiosos, como o ouro e o cobalto. As operações de mineração são supervisionadas por grupos criminosos armados, que controlam os mineiros com coerção violenta.

O relatório destaca como os mineiros são submetidos a jornadas diárias de 12 horas de trabalho em poços de grande profundidade. Eles são forçados a pagar até metade de seus salários a grupos armados e a proprietários das operações de mineração.

Alguns dos mineiros começam a trabalhar na tenra idade de 9 anos.

Os mineiros enfrentam ataques brutais se houver a percepção de qualquer descumprimento de regras. Sofrem desde a amputação de membros até a morte. Os corpos das vítimas são frequentemente despejados em minas abandonadas nas proximidades, sem um enterro adequado.

“Apesar da presença considerável de forças militares e de segurança na região e dos esforços empreendidos para combater a atividade criminosa”, disse Bachelet, “as autoridades têm falhado em investigar e processar as violações dos direitos humanos, os abusos e crimes relacionados à mineração”.

O relatório também informa que mineradores e tribos indígenas que vivem perto de locais de mineração estão expostos a níveis perigosos de mercúrio, que é usado para purificar o ouro. As mulheres, em particular, são as mais afetadas pelo envenenamento por mercúrio, afirma o relatório.

Testemunhas relataram um crescimento drástico da prostituição desde que as operações de mineração aumentaram em 2016. Meninas adolescentes e mulheres são vítimas de comércio, muitas vezes de tráfico e exploração sexual.

“A ONU encontrou provas ainda mais devastadoras de violações gravíssimas dos direitos humanos cometidas pelo regime ilegítimo de Maduro”, disse o secretário de Estado dos EUA, Michael R. Pompeo, “citando mais de 1.300 execuções extrajudiciais por razões políticas apenas em 2020”.

“A pressão internacional sobre Maduro deve continuar até que o povo venezuelano possa recuperar sua democracia”, declarou Pompeu.

Share