Marinha de Guerra do Peru, guardiã de áreas naturais protegidas

Marinha de Guerra do Peru, guardiã de áreas naturais protegidas

Por Por Gonzalo Silva Infante
março 06, 2018

A Marinha de Guerra do Peru (MGP) começou o ano de 2018 combatendo a mineração ilegal na região de selva de Madre de Dios, no sudeste do país. Por meio da Diretoria Geral de Capitanias e Guarda Costeira, a MGP realizou várias operações, entre 8 e 10 de janeiro, no rio Malinowski, perto da reserva nacional de Tambopata. Durante o patrulhamento do rio e de seus afluentes, unidades de guarda costeira detectaram atividades de mineração ilegal.

“Realizamos um plano de operações”, explicou à Diálogo o 1º Tenente da MGP Jonathan Novoa Cabrera, baseado na capitania de guarda costeira de Puerto Maldonado, capital da região de Madre de Dios. “Localizamos os pontos e entramos a pé pelas margens do rio Malinowski, tanto a Marinha como a Procuradoria.”

As operações foram bem-sucedidas. As unidades conseguiram destruir um acampamento clandestino de mineração, 15 bombas de sucção, 17 motores, seis balsas e uma motosserra.

Reforços da MGP

A mineração ilegal ao redor da reserva Tambopata remonta há muitos anos. O Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (SERNANP) – um órgão do Ministério do Ambiente do Peru – detectou a aproximação de atividades ilícitas na reserva no início da década de 2000. Em 2015, os delinquentes estavam invadindo a própria reserva, motivo pelo qual o SERNANP pediu reforços à MGP.

“Nesse cenário e diante da solicitação do Ministério do Ambiente, por meio do SERNANP, a Marinha entrou de forma permanente na reserva nacional de Tambopata”, disse à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra da MGP Eduardo Silva Marzuka, chefe do Comando de Operações de Guarda Costeira. “A estratégia foi visualizada em dois pontos: atacar a mineração ilegal em si ao redor do rio Malinowski e cortar o tráfico ilegal de insumos, combustíveis e produtos químicos que eram traficados pelos rios.”

Para colocar o plano em ação, a MGP preparou uma unidade dedicada à erradicação da mineração ilegal na área da reserva de Tambopata. O grupo, cujo pessoal se reveza de forma quinzenal, estabeleceu-se na base Las Palmeras no povoado de Mazuko, nos arredores da reserva. A unidade também conta com o apoio da capitania de guarda costeira de Puerto Maldonado.

“A área de operações é formada pelo rio Inambari e pelo rio Malinowski”, disse o CMG Silva. “Além disso [abrange] os outros rios Madre de Dios e Tambopata, onde também são realizadas operações contra a mineração ilegal.”

Uma vez confiscado o equipamento usado para a mineração ilegal, um MGP realiza sua destruição. (Foto: Marinha do Peru)

Atividade devastadora

A mineração ilegal tem um grande impacto no meio ambiente peruano. O desmatamento empregado na atividade devasta a selva amazônica e o uso de mercúrio no processo de extração contamina os rios e a saúde da população.

Segundo o Projeto de Monitoramento dos Andes Amazônicos (MAAP, em inglês), uma organização não governamental dos EUA, do Peru, da Colômbia e do Equador, estimou-se a perda florestal no Peru em 2017 de quase 143.500 hectares. A região de Madre de Dios, indicou o MAAP, é uma zona principal de desmatamento.

Com o aumento do valor do ouro no mercado internacional, a mineração ilegal se tornou mais mecanizada e industrializada. Além disso, as tarefas da MGP evoluíram para detectar os acampamentos e destruir os equipamentos utilizados, mas também controlar o transporte de insumos químicos e combustível que abastecem essa atividade.

“No [rio] Inambari, o transporte ilegal de combustível é algo cotidiano, que vai desde Puno [cidade no sudeste do Peru] até a localidade de Mazuko”, disse o Suboficial da MGP Ronald Sierra, destacado na base de Las Palmeras. As operações não só são exigentes na zona de selva, como também perigosas. “Em uma ocasião, houve disparos com armas de retrocarga”, detalhou o SO Sierra sobre as operações de janeiro.

Esforços bem-sucedidos

Com a presença da MGP, a redução das áreas invadidas tem sido notável. Embora o desmatamento continue em Madre de Dios, o MAAP indicou que a perda florestal em 2017 é a mais baixa dos últimos cinco anos. Além disso, segundo informações da reserva de Tambopata, foram recuperados 721 hectares, que representam 95 por cento das áreas invadidas.

Durante 2017, a MGP conseguiu destruir 11 acampamentos, 431 balsas, 26 dragas e mais de 1.000 equipamentos diversos como motores, bombas de sucção e grupos geradores, entre outros, na região de Madre de Dios. A Marinha também apreendeu mais de 23.000 galões de combustível e deteve 35 pessoas.

“É um esforço bastante considerável porque dedicamos um grupo de pessoas que está de forma permanente combatendo na reserva nacional de Tambopata”, concluiu o CMG Silva. “Isto representa gastos de locomoção e equipamentos que durante o ano inteiro estamos implementando […], porque tomamos como desafio liberar [a área] completamente da mineração ilegal.”

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