Poucas semanas depois de bloquear uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que buscava proibir as armas nucleares no espaço sideral, a Rússia provavelmente lançou uma arma na órbita baixa da Terra capaz de inspecionar e atacar outros satélites, mantendo assim seu comportamento perigoso no espaço.
De acordo com o Comando Espacial dos EUA, o lançamento de 16 de maio incluiu o COSMO 2576, um tipo de espaçonave militar russa “inspetora” que, segundo as autoridades norte-americanas, demonstra um comportamento temerário no espaço, informou Reuters.
Dias depois, em 20 de maio, o Conselho de Segurança da ONU rejeitou uma resolução apoiada pela Rússia para proibir as armas no espaço, que pretendia rivalizar com a resolução apoiada pelos Estados Unidos e pelo Japão, que o Kremlin vetou. Alguns membros do Conselho argumentaram que a linguagem apresentada “tinha simplesmente o objetivo de distrair o mundo da verdadeira intenção da Rússia: armar o espaço”, informou AP.
“Eles não demonstram nenhuma intenção de chegar a um acordo com o Ocidente para o bem da humanidade”, disse à Diálogo Jorge Serrano, membro da equipe consultiva da Comissão de Inteligência do Congresso do Peru. “É uma posição lamentável e perigosa, que poderia desencadear outro foco de conflito com todas as implicações que isso acarreta.”
“A Rússia demonstrou uma retórica nuclear perigosa, deixando de cumprir suas obrigações de controle de armas”, declarou a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield. “Ela evita discutir seriamente sobre o controle de armas ou a redução de riscos e tem apoiado proliferadores perigosos em várias ocasiões.”
Arma nuclear espacial
Em 20 de fevereiro, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que Moscou não tem intenção de destacar armas nucleares no espaço, uma declaração que se seguiu à confirmação da Casa Branca de que a Rússia havia desenvolvido uma capacidade de arma antissatélite preocupante, embora ainda não operacional, informou AP.
De acordo com fontes familiarizadas com a avaliação dos serviços de inteligência dos EUA, citadas pela plataforma CNN, em 17 de fevereiro, a Rússia está tentando desenvolver uma arma espacial nuclear capaz de gerar uma onda de energia maciça quando detonada, o que poderia paralisar satélites vitais para as comunicações no planeta.
Esse tipo de arma, denominada por especialistas militares espaciais como Pulso Eletromagnético (PEM) nuclear, geraria uma descarga de energia eletromagnética e partículas altamente carregadas que perturbariam outros satélites no espaço, informou a CNN.
“Embora não haja confirmação sólida, a lógica simples sugere que a Rússia, dada sua capacidade nuclear avançada, poderia desenvolver armamento antissatélite, com o potencial de destruir a infraestrutura no espaço, como satélites estratégicos, representando assim uma ameaça real”, alertou Serrano.
Enquanto os militares são altamente dependentes dos satélites para vigilância, navegação marítima, comunicações e lançamento de armas, entre muitos outros usos, os civis também dependem excessivamente dos satélites, que são usados para uma ampla variedade de funções cotidianas. Do GPS para serviços de transporte e entrega de alimentos à previsão meteorológica, agricultura de precisão e transações financeiras, os satélites são parte integrante da vida cotidiana, informou a BBC.
A Rússia e a China têm colocado rapidamente satélites em órbita com capacidades novas e, às vezes, desconhecidas, que podem desativar, degradar ou interromper as naves espaciais de outras nações, informou a revista norte-americana Space, acrescentando que os satélites chineses foram observados arrastando outras naves espaciais para “órbitas de cemitério”.
Ao abordar o veto da Rússia à resolução da ONU para proibir armas nucleares no espaço sideral, Serrano enfatizou que, embora o foco se concentrasse na Rússia, a decisão da China de se abster de votar destacou a aliança entre os dois países. “Essa aliança se estende a outros países, como Irã, Coreia do Norte, Bolívia, Cuba, Venezuela e Nicarágua, formando um eixo geopolítico significativo”, disse Serrano, acrescentando que “a Rússia não está sozinha”.