Generais brasileiros trocam cargo de comando na MONUSCO

Generais brasileiros trocam cargo de comando na MONUSCO

Por Andréa Barretto/Diálogo
abril 30, 2021

A Missão das Nações Unidas para a Estabilização na República Democrática (RD) do Congo (MONUSCO, em francês) terá em breve um novo comandante. Mas a chefia continuará entre os brasileiros. Em 8 de abril de 2021, o General de Divisão do Exército Brasileiro (EB) Marcos de Sá Affonso da Costa foi nomeado no lugar do General de Brigada do EB Ricardo Augusto Ferreira Costa Neves, que venceu seu mandato em 2 de abril.

“A nomeação de mais um oficial militar brasileiro para o comando militar da MONUSCO representa um reconhecimento da histórica contribuição do país para as operações de manutenção da paz das Nações Unidas”, afirmou em nota o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

O General de Divisão Marcos de Sá Affonso da Costa, que assumirá o comando da MONUSCO, no dia de sua promoção para o posto de General de Divisão do Exército Brasileiro, em março de 2020. (Foto: Exército Brasileiro)

A gestão do Gen Bda Costa Neves foi marcada pela manutenção de ações anteriores, como os treinamentos de guerra na selva, bem como por inovações como a ampliação da participação de mulheres como agentes da MONUSCO.

Desde 2019, a missão na RD do Congo conta com 13 soldados formados no Centro de Instrução de Guerra na Selva, unidade do EB que é uma referência internacional nesse tipo de capacitação. Essa equipe é responsável por liderar as formações para atuação na selva congolesa das tropas da ONU, das Forças Armadas locais e das tropas da Brigada da Força de Intervenção, grupo especial empregado em ações ofensivas.

O patrulhamento de tropas da MONUSCO na região leste da República Democrática do Congo foi intensificado, no final de 2020, após a retomada de ataques a civis por parte de grupos paramilitares. (Foto: MONUSCO)

“Nossa equipe de guerra na selva treinou, por exemplo, um batalhão das Forças Armadas que foi empregado na operação ofensiva contra a ADF [sigla em inglês para designar o grupo paramilitar Forças Aliadas Democráticas]. E o sucesso da operação foi amplamente reconhecido pelo povo do Congo, pela Missão da ONU e também por Nova Iorque [sede da ONU]”, lembrou o agora ex-comandante da MONUSCO, Gen Bda Costa Neves.

Em relação à presença feminina, ele disse ter convicção de que as mulheres fazem a diferença. Para o Gen Bda Costa Neves, elas facilitam a integração com a população civil, em especial com outras mulheres e crianças. “Essa capacidade é insuperável, não se compara à maneira como nossos oficiais e sargentos conduzem esse trabalho. O laço de confiança com as mulheres é muito maior.” Atualmente, cerca de 15 por cento do contingente da força de paz na RD do Congo é feminino, sendo a missão da ONU com maior número de mulheres, juntamente com a missão no Sudão do Sul.

O Gen Div Affonso da Costa, que assumirá o comando sobre os 13.000 boinas-azuis da MONUSCO, deverá seguir na mesma linha. Até a sua nomeação em 8 de abril para o cargo na ONU, o oficial atuava como chefe do preparo da Força Terrestre brasileira, encabeçando o planejamento dos treinamentos das tropas do Exército.

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