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Implantação de radar no espaço aéreo pretende frear rotas ilícitas

Implantação de radar no espaço aéreo pretende frear rotas ilícitas

Por Geraldine Cook
abril 23, 2018

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O Brigadeiro Guillermo Pérez Rojas, comandante da Força Aérea Boliviana (FAB), tem uma visão muito clara para desenvolver a instituição sob o seu comando. Ele trabalha para fazer da FAB uma entidade nacional de defesa aeroespacial em 2019. Um novo e moderno sistema integrado de radares, comunicações e tecnologia lhe permitirá alcançar o feito.

Diálogo entrevistou o Brig Pérez durante o Simpósio de Intercâmbio do Hemisfério Ocidental, que transcorreu no marco da comemoração do 75º aniversário da Academia Interamericana das Forças Aéreas (IAAFA, em inglês) em San Antonio, Texas, de 14 a 16 de março. O oficial boliviano detalhou os avanços da FAB, o projeto nacional de radares para a detecção, identificação e interceptação de aeronaves ilícitas e a colaboração regional na transferência de informações.

Diálogo: Qual é a importância da participação da Força Aérea Boliviana neste simpósio internacional?

Brigadeiro Iván Guillermo Pérez Rojas, comandante da Força Aérea Boliviana: Durante o simpósio analisamos vários temas que são de importância para nossos países, temas comuns como, por exemplo, a luta contra voos ilícitos e a forma como cada país se organiza para assistir no caso de desastres naturais, que na realidade atingem todos os países, quer grandes ou pequenos, ricos ou pobres. Este simpósio é muito importante porque as pessoas assimilam experiências que podem ser empregadas em cada um de nossos sistemas e o melhor é compartilhar as lições aprendidas e a experiência de outros países, para que possam ser aplicadas em nossos sistemas da melhor maneira.

Diálogo: Como o senhor vê o progresso da IAAFA em seus 75 anos de existência?

Brig Pérez: Todos temos consciência de que a educação é a parte mais importante para nossas populações, nosso pessoal e nossos recursos humanos. A educação, sendo uma base tão importante, tem sido promovida por esta escola que, como mostra a sua história, foi criada a pedido de um general peruano a uma nação parceira depois da Segunda Guerra Mundial.

Diálogo: Como aluno egresso da IAAFA, o que o senhor pode nos dizer de sua experiência?

Brig Pérez: Fiz o curso de voo por instrumentos em 1997. Sou da turma 97C. Foi muito importante porque compartilhamos com pilotos ou aviadores de outras forças aéreas, tais como Argentina, Peru e Equador. Foi fundamental, porque fizemos cursos como o de líderes. Igualmente, podíamos compartilhar nossas experiências, vivências e ter uma amizade entre todos. Por exemplo, o atual comandante da Força Aérea da Guatemala [Brigadeiro Timo Hernández Duarte] é da minha turma e agora nos encontramos depois de 21 anos. Estas experiências são muito importantes, porque foram aplicadas em nossa profissão, nos capacitaram e fizemos desse aprendizado cursos de educação em nossas próprias forças aéreas, os quais têm sido muito importantes em nossas carreiras.

Diálogo: O senhor imaginou, em sua época de aluno, que 21 anos depois, chegaria a ser o comandante da Força Aérea do seu país?

Brig Pérez: Não imaginei, mas creio que cada um em toda sua carreira luta por esse objetivo. Na verdade, em todas as forças armadas e forças aéreas existe uma concorrência contínua e para chegar a este posto realmente foi preciso realizar uma luta constante e um grande esforço. Naquela época, eu pensava apenas no que era voar e desempenhar essa função como aviador.

Diálogo: Durante a apresentação da Força Aérea Boliviana, mencionou-se o projeto nacional dos radares. O senhor pode falar mais a respeito?

Brig Pérez: A Lei 251 determina a criação de um Comando de Segurança e Defesa do Espaço Aéreo e do projeto do Sistema Integrado de Defesa Aérea e Controle do Trânsito Aéreo. Esse sistema integra a parte civil e a militar no controle do espaço aéreo: a parte civil tem o controle do trânsito regular dos voos dentro do espaço aéreo boliviano e, na parte militar, a Força Aérea Boliviana tem o controle do sistema de radares militares. A ideia é a de que, se o sistema civil tem uma rota ou um voo que considera irregular, ele os transfere para nós, e nós fazemos todo o acompanhamento com o sistema de radares militares.

A decisão do projeto dos radares foi tomada por nosso governo para contribuir para a segurança regional no controle do espaço aéreo. Esse projeto é muito importante, já que estará em pleno desenvolvimento em 2018. Em meados deste ano [2018], vários desses radares vão estar instalados e vamos ter um controle mais consistente do espaço aéreo. Em 2019, espera-se que todo o sistema esteja funcionando em sua totalidade. Esperamos poder contribuir para essa segurança nacional, que é necessária principalmente na questão dos voos ilícitos.

Diálogo: Como a Força Aérea Boliviana colabora com outras forças da região para contribuir para o combate ao narcotráfico e outras ameaças transnacionais?

Brig Pérez: Isto não é apenas no aspecto do narcotráfico. Falamos de voos ilícitos porque abrange o narcotráfico, o tráfico de mulheres, o tema do contrabando e outros temas. Por exemplo, temos feito exercícios de forma conjunta com a Argentina e o Peru com nossos meios aéreos, efetuando transferência de informações de seus sistemas de radares para o nosso sistema. Quando nosso sistema estiver completo, vamos poder também compartilhar essas informações, para que eles tomem as medidas que precisarem dentro dos seus procedimentos.

Diálogo: Essa nova tecnologia servirá para compartilhar informações em tempo real?

Brig Pérez: Sim, em tempo real. Já fizemos isto com seus sistemas e eles agora estão esperando que nosso sistema esteja funcionando para que haja esse intercâmbio recíproco de informações.

Diálogo: Qual é o maior desafio de segurança em seu país e como a Força Aérea contribui para enfrentá-lo?

Brig Pérez: O maior desafio atual da Força Aérea é o de conseguir que o sistema de radares funcione para o controle do espaço aéreo e também ter os meios para poder fazer o controle total das fronteiras.

Diálogo: O terrorismo é uma ameaça para seu país?

Brig Pérez: Atualmente não, mas não se pode duvidar de que possa vir a sê-lo. No momento, os voos ilícitos, o narcotráfico e o contrabando são as ameaças mais recentes e as que mais nos influenciam.

Diálogo: Um dos temas que a conferência também abordou foi a ajuda humanitária e a assistência a desastres. Como a Força Aérea Boliviana trabalha nesse aspecto?

Brig Pérez: Temos um sistema que funciona igual ao de outros países, que está ligado ao Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA). A IAAFA faz parte do SICOFAA, ou seja, é seu braço educacional, e a Força Aérea Boliviana não se separou desse braço. Quando se ativa o sistema do SICOFAA, todos participamos. Por exemplo, quando ocorreu o terremoto do Equador em 2016, fomos lá para colaborar, enviamos ajuda humanitária e o Grupo de Busca e Resgate especializado da Força Aérea, que possui cães treinados para a busca de vítimas desse tipo de desastre.

Diálogo: Outro dos temas que foram discutidos foi a importância de trabalhar em conjunto para solucionar ameaças comuns. O que o senhor pode nos dizer a respeito?

Brig Pérez: O fato de trabalhar juntos nos cria novas potencialidades e capacidades. Sempre deveríamos trabalhar juntos nos temas que afetam a região e a segurança dos Estados, como os voos ilícitos, o narcotráfico, o terrorismo e o narcoterrorismo. Ao unir as forças aéreas no controle do espaço aéreo, vamos contribuir para essa segurança. Sem dúvida, estamos fazendo isso. Quando se aperfeiçoam os sistemas, obtêm-se melhores informações e tem-se uma capacidade maior para enfrentar as ameaças. É como pensar, por exemplo, quando se tem um ou vários irmãos. Quando estamos sozinhos em casa e temos apenas um irmão, dizemos: ‘Tenho só um irmão’. Mas, quando temos 10 irmãos, dizemos: ‘Posso fazer muito mais coisas, posso alcançar muito mais objetivos com a colaboração de todos’.

Diálogo: Como a Força Aérea Boliviana apoia o papel da mulher dentro de suas fileiras?

Brig Pérez: Faz mais de nove anos que assumimos o papel da mulher na Força Aérea. Temos oficiais egressas, mulheres pilotos que se formaram em nossos institutos e que atualmente desempenham funções iguais às de qualquer aviador da Força Aérea Boliviana.

Diálogo: Como foi essa mudança no interior da cultura organizacional da Força Aérea?

Brig Pérez: Toda mudança sempre acarreta algumas dificuldades que devem ser superadas. Isso vem mudando e continuamos nesse processo. Atualmente o Estado já implantou o serviço militar voluntário das mulheres. Nesse recrutamento já foram incorporadas mulheres para fazer o serviço militar voluntário na totalidade das Forças Armadas.

Diálogo: Qual é a sua mensagem para as forças aéreas da região?

Brig Pérez: Que sempre trabalhemos unidos, dando-nos as mãos, colaborando e transmitindo essas informações que são tão necessárias para a tomada de decisões.

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