Em uma demonstração de cooperação internacional, seis países do hemisfério se reuniram em Honduras para participar do 19º programa de treinamento CENTAM SMOKE, uma iniciativa conjunta liderada pelo 612º Esquadrão da Força Aérea dos EUA, pertencente à Força-Tarefa Conjunta Bravo, na Base Aérea Soto Cano, em Comayagua.
De 26 a 30 de maio, 32 participantes de Belize, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Honduras e Jamaica passaram por um rigoroso treinamento em resposta a emergências e extinção de incêndios, o que destacou a importância fundamental da preparação regional e do apoio mútuo, criando um caldeirão de aprendizado e camaradagem.

Padronização da resposta a emergências
O programa intensivo teve como foco a padronização das técnicas de resposta a emergências em todos os países participantes, que dominaram com sucesso o treinamento físico e mental, enquanto realizavam simulados avançados de extinção de incêndios, incrementando os limites de suas capacidades profissionais.
O Cabo Wilmer Hernández, da Força de Defesa de Belize, líder de sua equipe, descreveu à Diálogo a experiência como transformadora: “Aprendemos novas técnicas, desde o manuseio de mangueiras contra incêndios, até a calibração de bocais. O que estamos vivendo aqui é fundamentalmente diferente do nosso treinamento em Belize”.
Condições extremas
Dentro do simulador de incêndios estruturais das instalações de treinamento, a temperatura chegou a mais de 200 graus Celsius. Os bombeiros e o pessoal militar, equipados com pesados trajes de proteção, enfrentaram situações altamente desafiadoras, como resgatar manequins de 80 quilos das chamas, enquanto os instrutores do 612º Esquadrão observavam atentamente e lhes davam instruções.
“Antes das incursões em incêndios florestais, os participantes do CENTAM SMOKE começaram seu treinamento com as técnicas básicas”, disse à Diálogo a Capitã Heather Clifton, da Força Aérea dos EUA, chefe de bombeiros do esquadrão, ao destacar a abordagem sistemática do programa. “Os componentes devem dominar as habilidades fundamentais de extinção de incêndios e resgate em materiais perigosos, antes de enfrentar perigos ainda maiores.”
À medida que os militares foram dominando essas técnicas, começaram a adquirir mais experiência na extinção de incêndios aéreos, usando os contêineres Bambi Bucket, projetados para lançar água e retardantes de fogo a partir de helicópteros e aviões.
Reconhecimento internacional e competição
Para participantes como o 1º Tenente José Daniel Gamboa Zavala, do Exército Nacional da Colômbia, o treinamento representa uma oportunidade de prestígio. “Somos selecionados por méritos”, explicou à Diálogo. “Não se trata apenas de um programa de treinamento; é uma oportunidade de representar nosso país e aprender com colegas internacionais.”
Embora as equipes colombianas tenham dominado as competições amigáveis nos anos anteriores, nesta edição do evento a Jamaica levou o primeiro prêmio, o que ressalta o espírito competitivo e colaborativo do programa.
Uma missão mais ampla
Além das habilidades técnicas, o CENTAM SMOKE tem um propósito geopolítico mais profundo: fomentar a solidariedade regional, compartilhar conhecimentos críticos sobre resposta a emergências e construir relações profissionais duradouras além das fronteiras nacionais.
À medida que os desafios climáticos globais se intensificam, esse tipo de treinamento colaborativo se torna cada vez mais vital, demonstrando o poder da cooperação internacional, para enfrentar riscos ambientais e humanitários comuns.
“Participar do CENTAM SMOKE é uma honra”, concluiu o 1º Ten Gamboa. “A responsabilidade é muito grande, primeiro porque representamos nosso país e, segundo, para homologar conhecimentos sobre desastres, com exércitos de outras partes da América continental e do Mar do Caribe, a fim de replicar todos esses aprendizados e boas práticas com nossos colegas em nossos países.”


