Forças Armadas brasileiras desenvolvem tecnologias para ajudar no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus

Forças Armadas brasileiras desenvolvem tecnologias para ajudar no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus

Por Andréa Barretto/Diálogo
junho 19, 2020

Um ventilador pulmonar que pode salvar a vida de pacientes infectados com a COVID-19 está sendo desenvolvido pela Marinha do Brasil (MB), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP).

O projeto técnico e a produção do protótipo dos respiradores foram concebidos e aperfeiçoados pelos engenheiros integrantes do Projeto de Desenvolvimento da Planta Nuclear Embarcada do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.

O lavatório portátil criado pela equipe do Instituto Tecnológico de Aeronáutica atende à necessidade emergencial de higienização das mãos. (Foto: Instituto Tecnológico de Aeronáutica)

Já foram concluídas as fases de fabricação de dez protótipos e do modelo que se consolidou como o primeiro dos respiradores. “No momento, a USP, com o apoio da MB, empreende esforços para adquirir os últimos componentes críticos e insumos, bem como submeter o equipamento a testes e avaliações das autoridades competentes”, informou a MB através de sua assessoria.

Uma vez obtida a homologação, a fabricação em escala vai acontecer nas instalações do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), organização militar que fica dentro do campus universitário da USP. Esse é o mesmo local que abriga o programa nuclear da MB. A estimativa inicial é que o CTMSP tenha capacidade para produzir entre 25 e 50 ventiladores pulmonares por dia.

O respirador emergencial, batizado com o nome de Inspire, utiliza exclusivamente tecnologias brasileiras e tem um custo de cerca de R$ 2.000,00 (US$ 402,00), bem abaixo do valor dos respiradores comercializados no Brasil. Além disso, tem a vantagem de que cada unidade pode ser produzida em até duas horas.

“Ter a oportunidade de participar desse projeto é motivo de orgulho para todos nós, porque a missão da Marinha é proteger os brasileiros”, afirmou o Vice-Almirante da MB Noriaki Wada, diretor do CTMSP. “A USP e a Marinha completam 64 anos de uma longa e produtiva parceria. Essa data é ainda mais especial neste momento crítico que estamos vivendo”, ressaltou o oficial.

A parceria entre a MB e a Escola Politécnica da USP durante o período de pandemia inclui também a produção, por parte da universidade, de protetores faciais utilizados como equipamentos de proteção individual. O trabalho da MB é o de fazer esses protetores chegarem aos profissionais de saúde. Até o momento, a MB já concluiu a distribuição gratuita de 3.000 protetores faciais a hospitais públicos.

Outras inovações

Está em desenvolvimento pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), universidade ligada à Força Aérea Brasileira (FAB), uma outra tecnologia voltada para o combate da pandemia. Trata-se de um equipamento que permite a identificação do novo coronavírus no ar. O aparelho é dotado de um filtro capaz de atuar em uma área de até 50 metros quadrados. As amostras de ar coletadas ali são analisadas por um laboratório, que pode apontar a presença do vírus e outros microrganismos. Esse projeto se baseia em uma tecnologia já existente, usada para monitorar nuvens radiológicas e detectar se há radiação.

Enquanto desenvolve o novo equipamento, o ITA concretizou o projeto do lavatório portátil. A estrutura montada sobre rodinhas comporta um tanque com água, quatro pias e sabão líquido. A água é liberada por meio de um pedal, e o sabão por meio de uma alavanca a ser acionada pelo cotovelo.

O lavatório foi criado para ser disponibilizado emergencialmente em locais de difícil acesso à higienização das mãos, mas o objetivo é desdobrá-lo em outras inovações. “Como continuação do projeto, pretende-se estudar tecnologias para criar um sistema de reuso da água, de forma a aumentar a capacidade do lavatório”, explicou a 1º Tenente da FAB Dafne de Brito Cruz, instrutora do Departamento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental do ITA.

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