Forças aéreas da América do Sul se concentram na segurança cibernética

Forças aéreas da América do Sul se concentram na segurança cibernética

Por Geraldine Cook
novembro 14, 2019

Os chefes das forças aéreas sul-americanas buscam soluções mútuas para os desafios atuais sobre a segurança cibernética, espacial e as ameaças transnacionais.

“A cooperação como estratégia para o progresso” foi o tema da abertura da Conferência Sul-Americana de Chefes das Forças Aéreas e Líderes Seniores, realizada na Base da Força Aérea Davis-Monthan, em Tucson, Arizona, entre os dias 4 e 8 de novembro de 2019. Pela primeira vez, a conferência incluiu um seminário simultâneo para os graduados superiores.

“Espero que essa reunião nos permita aumentar a cooperação e o companheirismo, não apenas concentrando-nos em temas como o espaço, as ameaças cibernéticas e transnacionais, mas também escutando uns aos outros sobre as capacidades e os desafios que compartilhamos”, disse o Brigadeiro Andrew Croft, comandante da 12ª Força Aérea, das Forças Aéreas Sul dos EUA (AFSOUTH, em inglês), que foi anfitrião do evento.

Durante o seu discurso de boas-vindas aos mais de 50 participantes pertencentes às forças aéreas da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru e representantes do Programa de Colaboração Estatal da Guarda Nacional Aérea dos EUA e de diferentes unidades da Força Aérea dos EUA, o Brig Croft disse: “Nossa região enfrenta alguns desafios… e esses desafios combinados com estados e agentes malignos da região ameaçam nossas democracias e nossos valores compartilhados… É quando a política está incerta que nós, como militares de nossa nação, devemos estar mais seguros quanto aos nossos valores, capacidades e cooperação, para manter a segurança do nosso hemisfério.

A reunião incluiu exposições sobre as capacidades de cada força aérea, seus progressos em termos de espaço e cibersegurança e as ameaças transnacionais. Os chefes das forças aéreas realizaram reuniões bilaterais e uma visita guiada ao 309º Grupo de Manutenção e Recuperação Aeroespacial e ao Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas.

Segurança espacial e cibernética

O Suboficial do Comando John Storms, da 12ª Força Aérea das Forças Aéreas Sul dos EUA conversa com os graduados sobre sua importância para o desenvolvimento da missão militar. (Foto: Relações Públicas da AFSOUTH)

“O espaço e a segurança cibernética são dois fatores que podem gerar muitas agressões ou ameaças no mundo e até afetar os interesses de uma nação; por isso, cada Estado tem o direito e a responsabilidade de proteger seus habitantes, seus recursos e seus elementos de valor contra as possíveis ameaças”, disse o Major-Brigadeiro Juan José Janer, comandante do Comando Aeroespacial do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Argentina. “A Força Aérea Argentina tem a responsabilidade de garantir a proteção do espaço aéreo para salvaguardar os interesses nacionais.”

O Major-Brigadeiro Raúl Hoyos de Vinatea, chefe do Estado-Maior do Peru, afirmou durante sua apresentação que a Força Aérea do Peru entrou na era da cibersegurança. “O mais importante é que já foi promulgada a lei de ciberdefesa, visto que não havia um marco legal e existia um certo temor de executar operações ciberespaciais devido à possibilidade de se fazer algo ilícito com sistemas não autorizados”, disse o Maj Brig Hoyos. “A lei fornece o marco legal que nos autoriza a apoiar a cibersegurança e realizar operações nesse campo.”

O Tenente Brigadeiro do Ar Ramsés Rueda Rueda, comandante da Força Aérea Colombiana (FAC), falou sobre as ameaças transnacionais existentes em seu país e ressaltou que a FAC desempenha um papel muito importante na luta contra o narcotráfico. “Estamos impedindo que os narcotraficantes utilizem o espaço aéreo, mas eles estão voando pela parte externa do território; queremos combater o narcotráfico mesmo além das fronteiras nacionais.”

Desenvolvimento dos graduados

Enquanto os chefes das forças aéreas realizavam reuniões bilaterais com o Brig Croft, os graduados tiveram uma agenda paralela para analisar temas específicos de suas responsabilidades, como a importância da profissionalização das novas gerações de graduados e os novos desafios de segurança espacial e cibernética.

“Fazemos parte da equipe de liderança e estamos comprometidos com a missão, tal como nossos comandantes, e vem daí a necessidade de nos unirmos a eles para podermos ter o contexto completo daquilo que eles necessitam”, disse o Suboficial do Comando John Storms, da 12ª Força Aérea da AFSOUTH. “É importante reconhecer que a cultura de empoderamento dos graduados às vezes não conta com a autoridade e a autonomia suficientes, e por esse motivo é preciso haver uma mudança cultural. Por isso, na AFSOUTH estamos dispostos a ajudá-los em tudo o que for possível para acelerar esse processo.”

Share