Primeiro submergível elétrico apreendido na Colômbia

First Electric Submarine Seized in Colombia

Por Myriam Ortega/Diálogo
setembro 26, 2017

No início de abril, as agências de inteligência da Colômbia receberam informações sobre um plano para construir um submergível para transportar drogas ilícitas. Sabia-se que ele seria fabricado em algum lugar no estado de Chocó, no Pacífico colombiano, lugar de influência do grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN). “Essa informação foi utilizada para criar um sistema de inteligência próprio que articula as capacidades das três forças”, disse à Diálogo o General de Brigada Mauricio Moreno Rodríguez, comandante da Força-Tarefa Conjunta Titán (FTCT), que é responsável por grande parte do estado de Chocó. “Recebemos reforço dos meios de que a Polícia Nacional dispõe.” Foi assim que a Força Naval do Pacífico, o Exército Nacional e a Força Aérea da Colômbia (FAC), por meio da FTCT, elaboraram um plano dentro da chamada Operação Barbudo para conseguir a apreensão do primeiro submergível elétrico. Sua apreensão, no final de julho, foi possível depois de um acompanhamento de três meses dos materiais que os delinquentes necessitavam para a fabricação do equipamento. “Em uma operação silenciosa, conseguiu-se obter a localização preliminar dos pontos onde poderiam estar construindo”, disse à Diálogo o Vice-Almirante Luis Hernán Espejo Segura, comandante da Força Naval do Pacífico. A surpresa noturna Um avião AC-47 “Fantasma” da FAC realizou uma missão de reconhecimento e obteve a localização de um laboratório de processamento de coca no estuário do rio Cucurrupi, em Chocó. Posteriormente, um helicóptero Black Hawk do Comando Aéreo de Combate Nº 7 da FAC escoltou uma embarcação de patrulha de assalto fluvial da Marinha Nacional e várias aeronaves do Exército, que realizaram os assaltos aéreos da operação, informou a FAC em um comunicado de imprensa. “Então fizemos a incursão simultânea tanto ao [laboratório] como ao ponto onde haviam terminado de construir o artefato”, disse o V AlteEspejo. “Fizemos isso à noite; chegamos ao submergível e esperamos que amanhecesse para consolidar melhores resultados.” Chegar ao local não foi fácil. Às condições extremas da selva se somaram os fustigamentos da guerrilha, que pretendia evitar a captura do submergível. Contudo, atingiu-se o objetivo sem afetar a população civil ou as tropas. Nesse sentido, foi muito útil contar com um navio blindado para repelir os ataques e proporcionar segurança aos militares. O submergível foi levado até o rio San Juan pelo guindaste de um navio de desembarque anfíbio. Depois, foi transportado para a Base Naval Nº 2 na Bahía Málaga, onde foi colocado à disposição do Corpo Técnico de Investigação. Submergível e laboratório O submergível encontrado tem capacidade para transportar quatro toneladas de droga. Seu custo aproximado é de US$ 1,5 milhão. Sua construção com chapas de aço naval pode ter levado seis meses. Ele mede nove metros de comprimento e quatro e meio de largura; possui quatro aletas estabilizadoras, radares, câmera de navegação, ecossonda e tanques de lastro e compressão. Sua propulsão elétrica alimentada por mais de 100 baterias podia acionar dois motores sem produzir gases nem ruído para navegar submerso e fugir ao controle das autoridades, segundo informou a Marinha em um comunicado de imprensa. No laboratório foram encontrados 34 quilos de cloridrato de cocaína prontos para a venda. Além disso, o lugar contava com insumos e equipamentos suficientes para a fabricação industrial da droga. “Tinha a capacidade de produzir cerca de duas toneladas de cocaína por semana”, disse o V AlteEspejo. Operação Barbudo “A Operação Barbudo começou por solicitação do governador do estado de Chocó ao Ministério da Defesa, em 2016, para exercer um controle efetivo sobre o rio San Juan”, disse o Gen Bda Moreno. “É um rio parcialmente navegável, porém não para unidades de grande calado.” As tropas terrestres treinaram durante os três primeiros meses de 2017 para realizar combate na água. Depois de fazer a harmonização logística e o processo para a tomada de decisões, concretizou-se o plano. “No dia 1º de abril, lançamos a operação com a Força Naval do Pacífico”, destacou o Gen Bda Moreno. “Ocupamos pouco a pouco o rio San Juan desde sua desembocadura no Oceano Pacífico”. Desde então, suas ofensivas conseguiram a captura de 125 pessoas, integrantes do ELN e outros grupos armados organizados vinculados ao narcotráfico, que agem na zona dos rios San Juan e Baudó. Conseguiram também que 20 integrantes do ELN se entregassem voluntariamente, entre eles seis menores de idade, como também a apreensão de mais de nove toneladas de cloridrato de cocaína e quase duas toneladas de maconha. Entre outros êxitos, contabilizam a apreensão de 22 depósitos ilegais, a destruição de 17 acampamentos de grupos armados organizados e o achado de 559 quilos de explosivos e 207 artefatos explosivos, conforme detalhou um comunicado da Marinha Nacional da Colômbia. Em uma região de selva, inundável, geologicamente instável, com mais de 8.000 corpos d’água, é fundamental ter fortes capacidades na água para apoiar as tropas em terra. “Essa é a eficácia da operação, uma operação conjunta entre capacidades de Fuzileiros Navais e Marinha Nacional para estar no rio, mais a manobra terrestre, porém, dentro do mesmo conceito operacional, isto é, totalmente articulado”, salientou o V AlteEspejo. “A conclusão mais importante de tudo isso é que o trabalho conjunto das Forças Militares se dá a partir de um entendimento e de uma análise clara do conceito segundo o qual se deve atuar”, concluiu o Gen Bda Moreno. “Colocamos de lado todas as individualidades.”
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