Trabalho em família: corrupção no regime de Maduro

Trabalho em família: corrupção no regime de Maduro

Por Ricardo Guanipa D’erizans
julho 25, 2019

No dia 28 de junho de 2019, o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente ilegítimo venezuelano, Nicolás Maduro, por sua participação na censura e na corrupção do governo. Maduro Guerra, também conhecido como Nicolasito, é o último parente de Maduro a sofrer sanções por parte dos Estados Unidos.

Para conhecer mais sobre o envolvimento da família de Maduro na corrupção, Diálogo conversou com Freddy Superlano, presidente da Comissão Permanente de Finanças e Desenvolvimento Econômico da Assembleia Nacional da Venezuela, e Américo De Grazia, deputado da Assembleia, que está refugiado na Embaixada da Itália em Caracas desde maio.

Diálogo: A Comissão de Finanças conseguiu realizar uma investigação para provar a participação de Maduro e de sua família em atividades de corrupção?

Freddy Superlano, presidente da Comissão Permanente de Finanças e Desenvolvimento Econômico da Assembleia Nacional da Venezuela: Não podemos chegar a conclusões como tal, porque na Venezuela não se tem acesso à informação. Desde que chegamos [à Assembleia Nacional, em dezembro de 2015], não conseguimos ter acesso à informação da Promotoria ou da Controladoria [Geral] e eles, com base em uma sentença do Tribunal Supremo de Justiça, evitaram o comparecimento dos funcionários. No entanto, temos feito denúncias às quais se vincula Cilia Flores [esposa de Maduro] a empresários colombianos envolvidos em corrupção com a entrega do CLAP [Comitê Local de Abastecimento e Produção], de onde Maduro desviou mais de US$ 5 bilhões. O deputado Américo De Grazia também denunciou a participação do filho de Maduro, Nicolás Maduro Guerra, em atividades ilegais de mineração no sul da Venezuela, bem como militares de alta patente vinculados a negócios ilegais da Petróleos de Venezuela, de mineração ou do CLAP.

Diálogo: O filho de Maduro comanda uma rede de contrabando de ouro?

Américo De Grazia, deputado da Assembleia Nacional da Venezuela: Nós vimos denunciando nos últimos anos toda a triangulação envolvendo a corrupção: a extração de minério no Arco de Mineração do Orinoco, as conexões com os grupos criminosos e terroristas como o Exército de Libertação Nacional [ELN], o Hezbolá, o Hamas, os coletivos armados e os pranes [chefes de quadrilhas] organizados em supostos sindicatos que atuam em 51 por cento do território nacional, que abrange todos os estados de Delta Amacuro, Bolívar e Amazonas. Nicolás Maduro Guerra, filho de Nicolás Maduro Moros, está obviamente vinculado não apenas à extração de ouro, mas também de coltan e diamantes, e tem vínculos diretos para a custódia dos seus prédios da mineração. O ELN os administra diretamente. Eles não são administrados pelos coletivos, nem por militares, nem por terceiros, nem nada pelo estilo. E outros familiares de Nicolás Maduro Moros, de cujos nomes não me lembro, estão envolvidos na extração de ouro.

Diálogo: Existem provas disso?

De Grazia: Em 2016, foi preso na Alcabala La Romana [posto de controle militar no estado de Bolívar] o 1º Tenente do Exército da Venezuela José Leonardo Cúrvelo, que tinha em seu poder uma quantidade importante de bolívares em espécie, e que ia em direção à mina. Esse dinheiro foi sacado justamente de contas bancárias da PDVAL [Produção e Distribuição Venezuelana de Alimentos] e da MERCAL [Missão de Mercado de Alimentos], operadas pelos sobrinhos de Cilia Flores, com o objetivo de efetuar pagamentos na mina. Isso está em um documento que nós devidamente sustentamos e entregamos à Promotoria Geral da República, a Defensoria do Povo. Esse documento comprova toda a triangulação familiar da família Maduro-Flores no Arco de Mineração. Está incluído no documento o testemunho do 1º tenente que hoje está exilado em Lisboa, Portugal. Eu estou na Embaixada da Itália em Caracas e isso me impede de citar nomes porque não tenho os arquivos, mas tudo está provado.

Diálogo: Maduro montou uma rede criminosa em seu governo?

Superlano: Evidentemente que sim. Por exemplo, no caso de Cilia Flores, seus familiares ocuparam altos cargos no governo nacional. Carlos Malpica Flores [sobrinho de Cilia Flores], por exemplo, foi responsável pelas finanças da Petróleos de Venezuela e também tesoureiro da Nação e mantém vínculos com Alejandro Andrade [condenado a 10 anos de prisão em uma penitenciária dos EUA] e com Raúl Gorrín [foragido da justiça dos EUA] em uma trama de corrupção que deve alcançar aproximadamente US$ 5 bilhões em transferências feitas por Gorrín com a Tesouraria do Estado e com a Petróleos de Venezuela. Inclusive, estima-se que as transferências possam ter ultrapassado US$ 7 bilhões. Mas também há outros membros da família de Maduro envolvidos em corrupção e narcotráfico, como é o caso dos dois sobrinhos de Cilia Flores presos em Nova York [condenados a 18 anos de prisão] por tráfico de cocaína. É sabido que desde que essa senhora se tornou presidente da Assembleia Nacional [2006-2011], nomeou toda a sua família para diversos cargos como diretores da Assembleia, na ocasião, e a folha de pagamento do Parlamento também incluía uma grande parte da família de Cilia Flores. Quando chegou a Miraflores, seus sobrinhos [exerceram funções] no CICPC [Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminais], Chancelaria, Palácio de Miraflores, Petróleos de Venezuela e Tesouraria da Nação, entre outros.

Diálogo: Qual é a quantia em dinheiro roubada pelo chavismo em 20 anos de regime?

Superlano: Temos uma estimativa para os 20 anos de governo desses senhores. Calculamos o dano patrimonial para a nação de cerca de US$ 350 bilhões, com base em estudos sérios feitos por algumas empresas, como no caso da Petróleos de Venezuela, de aproximadamente US$ 150 bilhões, ou da CADIVI [Comissão de Administração de Divisas], de US$ 140 bilhões. Não podemos apontar dados precisos, já que não estão incluídos outros casos importantes de corrupção, como o ocorrido com a energia elétrica e outros, mas podemos garantir que não se trata de menos de US$ 350 bilhões nesses 20 anos de regime chavista-madurista.

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