EUA aumentam pressão sobre Maduro

EUA aumentam pressão sobre Maduro

Por Nathalie Gouillou/Diálogo
junho 03, 2019

No dia 15 de maio de 2019, o Departamento de Transportes dos EUA (DOT, em inglês) proibiu todos os voos comerciais e de carga entre os Estados Unidos e a Venezuela, alegando a violência e o desconforto no país latino-americano.

“A situação na Venezuela ameaça a segurança dos passageiros, das aeronaves e da tripulação que partem da Venezuela ou viajam para lá”, disse o Departamento de Segurança Interna dos EUA em uma carta ao DOT, solicitando o congelamento. “Os interesses públicos requerem a suspensão imediata de todos os voos comerciais e de carga entre os Estados Unidos e a Venezuela.”

No dia 30 de abril, a Administração Federal de Aviação proibiu os operadores aéreos dos EUA de voarem abaixo de 26.000 pés no espaço aéreo venezuelano, devido à instabilidade política e às tensões. Naquele mesmo dia, o presidente interino da Venezuela Juan Guaidó exortou os militares e o povo venezuelano a se rebelarem contra o regime de Nicolás Maduro.

A suspensão dos voos foi feita em meio a novas sanções à Venezuela por parte do Departamento do Tesouro dos EUA, boicotando duas empresas cujos aviões-tanques transportavam petróleo da Venezuela para Cuba; essas empresas foram identificadas como Monsoon Navigation Corporation, das Ilhas Marshall, e Serenity Maritime Limited, da Libéria. O Departamento do Tesouro acrescentou que as companhias envolvidas nos setores de defesa e segurança poderiam também estar sujeitas a penalidades, além dos setores petrolíferos e bancários.

“A ação de hoje do Tesouro [10 de maio] foi uma advertência aos militares e aos serviços de inteligência da Venezuela, bem como aos que lhes dão apoio, de que o seu suporte contínuo ao regime ilegítimo de Maduro trará graves consequências”, disse o secretário do Tesouro dos EUA Steven Mnuchin. “Os EUA adotarão outras medidas se Cuba continuar a receber petróleo da Venezuela em troca de apoio militar. Como já dissemos várias vezes, o caminho para a suspensão das sanções aos que foram penalizados será a tomada de decisões significativas e concretas para restaurar a ordem democrática.”

A decisão do Departamento do Tesouro foi uma resposta direta à prisão do vice-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela Édgar Zambrano, no dia 8 de maio, por agentes do Serviço Nacional Bolivariano de Inteligência (SEBIN), que o acusou de “alta traição”. A Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela (ANC) suspendeu a imunidade parlamentar de Zambrano e de outros seis deputados, por apoiarem a Operação Liberdade de Guaidó.

Os países da região condenaram a prisão de Zambrano e a violação da imunidade parlamentar. No dia 13 de maio, o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos aprovou uma resolução ordenando a soltura imediata do líder oposicionista e a suspensão da perseguição aos parlamentares. No dia seguinte, agentes do SEBIN bloquearam o acesso dos deputados à Assembleia Nacional com o pretexto de que havia uma bomba nas instalações. Horas mais tarde, a ANC votou para remover a imunidade de mais cinco parlamentares.

Membros da Assembleia Nacional puderam voltar ao prédio no dia 15 de maio. “Ontem a ditadura tentou impedir nossa sessão, mas não conseguiu e não conseguirá”, Guaidó escreveu no Twitter. “Hoje nos reuniremos para a sessão honrando mais uma vez o apoio e a confiança de toda a Venezuela.”

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